Resenha: Cloverfield
Antes de começarmos a conversar, pare tudo o que você está fazendo por 10 segundos e dê uma boa olhada em tudo o que acontece à sua volta. Provavelmente não está acontecendo nada, porque se estivesse você não estaria lendo o post, mas aproveite os últimos momentos do que você chama de “visão”. Porque se você vai assistir Cloverfield, você vai esquecer completamente o que isso significa.

É aquele velho lance. Se você viveu os últimos 6 meses em uma caverna, não sabe o que é Cloverfield e o que (mais) esta produção hypada significa. Eu gostaria MUITO de dizer que Cloverfield é a seqüência do melhor filme de todos os tempos - Godzilla - mas não é nada disso. Desde que foi anunciado, esta belezinha vem sendo a menina dos olhos dos nerds viciados em informação, porque cada marola de boatos que chegava na baía de Cloverfield se transformava em tsunami em fóruns e blogs por toda a Internet.
A grande dúvida sempre foi o monstro. Mas estamos falando de uma obra produzida por JJ Abrams. Sim, aquele mesmo cara de Alias, Missão Impossível III e claro, LOST. Lembra que em LOST tem um monstro-fumaça? O que você espera de Cloverfield, um réptil gigante?

Ele não gostou muito desse papo.
Na falta de dicas sobre a tal criatura, rondaram na internet vááárias criações feitas por amadores. Ou seja, vários desenhos legais e criativos porém nada de verdade. Desde um monstro caranguejo gigante a um monstro meio baleia que libera monstrinhos carrapatos do tamanho de seres humanos. As artworks são bem legais e de fato este monstro baleia me atraiu mais do que o monstro real.
Mas chega de falar de monstro. Pra encerrar, se você quer ver a artwork que mais se assemelha ao monstro DE VERDADE, clique aqui. Se quiser ver os parasitas, clique aqui.
Agora, como diria nosso amigo Godoy, a opinião de quem já esteve lá.Eu acabei de assistir Cloverfield e digo que não fiquei satisfeito.
O filme é curto: em torno de 73 minutos, sendo que os primeiros 18 minutos são totalmente descartáveis. Todo um diálogo pra explicar a história do personagem “principal” e o porquê dele passar todos os outros 55 minutos interpretando justamente o que não era necessário fazer num filme como este: um herói. A única razão que consigo imaginar para justificar a existência dos três personagens “principais” é a de que o diretor apenas precisava de alguém pra segurar uma câmera de mão e tornar as seqüências mais interessantes, pra não ter que caprichar muito nas cenas e fazer um filme curto.
Além do mais, os atores têm o mesmo carisma de uma lata de Nescau. Se você for considerar o Nescau Power, esta sim tem mais carisma que os atores de Cloverfield.
O filme todo é rodado através de “uma câmera de mão”. Ou seja, nada de tomadas aéreas sensacionais, closes colossais e iluminação perfeita. O que você vai ver - ou não, aliás - são 73 minutos de uma câmera de mão balançando, cenas totalmente escuras e aquela sensação habitual de “dá pra parar de tremer essa porra pra eu conseguir entender alguma coisa e fazer valer meu ingresso?”.
Cloverfield talvez só perca para I am Legend para “final mais broxante”. Tudo bem, o filme é curto, mas não justifica a falta de uma explicação, ou talvez um day after. O negócio simplesmente explode e é isso aê. Ganha pontos por ter deixado pano pra manga por muito tempo ainda, já que nos últimos minutos aparece a gravação de alguns dias antes do casal “principal” numa roda-gigante. No canto direito da tela você vê algo branco que realmente chama a atenção, e um som bem no fundo que lembra os gritos do monstro. Isso prova alguma coisa? Não. Mas o que era aquela estátua de 4 dedos de LOST mesmo?
Nota: se Godzilla é 10, Cloverfield é 8. Sem choro.
Cloverfield estréia sei lá quando nos cinemas do Brasil. Eu tenho Internet e você?
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