Archive for March, 2008

Mar-24-2008

Sobre dentistas, dinossauros e góticos bebedores de sangue

Desde a primavera da raça humana, o homem vem buscando formas de proporcionar o maior desprazer possível ao semelhante. Seja na forma de carros de som alto, vizinhança barraqueira ou apenas sendo inconveniente, seus semelhantes sempre vão lhe abençoar com a pior forma de moléstia possível quando acham necessário.

Em época de guerra costuma-se enfiar a cabeça do prisioneiro em água gelada. Nas favelas do Rio de Janeiro, policiais mostram o saco. Na China, costumava-se amarrar os membros de uma pessoa a uma mesa. Uma vez imobilizada, cordas eram amarradas em seus pés e um jarro de água gelada colocado sobre sua cabeça. Enquanto gotas caíam incessantemente em sua testa, seus membros inferiores eram esticados pelas cordas. Fora a dor, os pingos d’água constantes davam uma sensação de desespero às vítimas, que entravam em pânico.

Mas pra quê tanta criatividade quando a pior moléstia do ser humano é uma profissão regulamentada e que ganha bem pra caralho pra rir da sua cara?

Cientistas da Nova Guiné chegaram à conclusão de que os dentistas são os seres mais assustadores que já andaram livres pela face da Terra desde a época dos dinossauros.


Ele faz esse sorrisão porque não conheceu a Dra. Juliana.

Entendo que deve ser uma profissão difícil, assim como qualquer outra da área da saúde. Os urologistas, por exemplo, trabalham pra pegar em pirocas alheias. Acho que uns 70% dos ginecologistas escolhem esse ramo pensando em sacanagem e se arrependem depois que descobrem que as coisas não caminham lá muito por esse lado, quando a dona Lourdes resolve fazer sua consulta semestral.

É preciso ser meio sádico e abdicar um pouco do seu lado humano para ser um bom dentista. Agonia, dor e sofrimento alheios perdem o significado quando você tem na mão objetos cortanes, barulhentos e amedrontadores como aquele bisturi maroto que corta concreto, aquelas garrinhas que arranham adamantium e a maldita broca. Ah, a broca.

Eu me submeti a uma experiência de quase morte nesta manhã. Esperava encontrar uma cirurgia difícil mas tranqüila, graças à eficiência e confiança dos sedativos e a anestesia, uma dupla que sempre foi boazinha comigo. Todos falam que o dente do siso é o “dente do juízo”. A verdade é que hoje eu quase perdi os dois, tanto o dente quanto o juízo.

A dra. Juliana não é das mais tranqüilas do universo. Ela parece com aquele coelho maluco do país das maravilhas, que sempre corre contra o relógio. Às vezes eu penso que ela fica brincando de time trial, cronometrando o tempo gasto numa obturação. Sempre tive dentistas mulheres, apenas um homem, e sempre fui um cliente exemplar. Nem quando criança reclamava de dor, e olha que fiz CINCO OPERAÇÕES DE CANAL até os 12 anos. Não enche meu saco, eu não sabia usar o fio dental ó.

Mal pisei no consultório e a doutora me pede pra entrar e sentar, enquanto preparava a anestesia e a assistente fazia alguma coisa que não era muito importante. Aquelas cadeiras de dentista podem parecer confortáveis, mas colaboram tanto quanto uma daquelas mesas de tortura chinesa que citei no início do post.

- Posso ficar o tempo todo de olhos fechados, certo?
- Pode sim.

A anestesia fazia efeito e a dentista dizia o que eu poderia ou não fazer após a cirurgia. Confesso que pra mim foram cinco minutos de “mimimi mimimi mimimi”. Não lembro o que ela fez primeiro, na verdade lembro de pouca coisa tamanho foi o trauma. FALANDO SÉRIO: me sinto mal ao lembrar do que aconteceu naquele consultório. Fico lembrando das coisas e tal mas SOU PROFISSIONAL ó.

Meu dente do siso mal aparecia, não tinha nascido ainda. Se você olhasse bem pro canto dele e tivesse a cabeça aberta a novas experiências, iria imaginar que aquela bolinha branca embaixo do último dente era um dente e ele estava dizendo “estou dibowa aqui, pego só as sobras de comida, não corta meu barato não plz”. A extração seria difícil e eu tinha noção disso, mas não sabia que seria tão aterrorizante.

Foi então que ela me apresenta uma nova ferramenta típica dos dentistas. Algo como um prendedor de cabelos que tinha a função de pé-de-cabra. Vamos chamá-lo por esse nome, que basicamente explica o que ele faz.

O dente não queria sair. Ele tava bem no lugar dele, não tava me dando problema algum e eu não tava me sentindo muito bem com a idéia de ter um filho assim, tão novo. Ela enfiava o pé de cabra e puxava numa força absurda, enquanto urrava pra eu não mover a cabeça.

- Agora não mexe a cabeça. Isso, queixo lá em baixo.
- AHAM - eu dizia, sem movimentar um músculo. Eles devem ter aulas de interpretação na faculdade.
- Se doer, você levanta o braço e a gente pára. Mas não vai doer, tá anestesiado.

O pé-de-cabra continuava sua ação arrasadora. A doutora não fazia conta do tamanho do esforço que era manter a cabeça imóvel e o queixo encostado no peito enquanto um pedaço de metal está tentando arrancar sua alma de dentro de você. O cabo da ferramenta pegava no canto da boca, causando uma dor aguda horrível. Imagine uma faca de pão arrastando sua serra pelo canto dos seus lábios e você terá idéia do estupro a qual fui submetido.

Ela alternava o uso do pé-de-cabra com a broca, talvez abrindo espaço entre o dente do fundo e o siso. A broca libera uma água de sabor horrível e pra não movimentar a cabeça, o ideal era a assistente usar a mangueirinha de sucção pra justamente sugar essa água. A assistente poderia ser substituída por uma carranca, daquelas de madeira e que assustam pra caralho as criancinhas, que ninguém iria sentir sua falta. Como quem não ajuda atrapalha, ela esbarrava a mangueira na broca, fazendo a dentista obturar minha gengiva da mesma forma que uma britadeira perfura um pote de manteiga.

Minha reação foi u “AH AHRHALHO”, seguida de um braço direito erguido violentamente em direção aos céus e foi aí que eu entendi que dentistas não sabem interpretar porra nenhuma e nada seria capaz de pará-la naquele momento. Certamente se eu fosse capaz de fitar os olhos da doutora, ela estaria com eles bem arregalados e as pupilas dilatadas, mostrando um prazer imenso na quantidade absurda de sangue que tinha sido liberada.


- “Que maravilha, descobri petróleo”, pensou a doutora.

O clima começava a ficar tenso à medida que ela fazia os movimentos mais bruscos do universo e eu não mantinha a cabeça parada. Se um mecânico enfiasse uma chave de fenda embaixo do seu dente e aplicasse uma força capaz de deslocar a Terra de sua órbita, e seu pescoço fosse feito de uma liga indestrutível, talvez você conseguisse tal proeza. Eu não conseguia, e ela mostrava sinais de que estava tão nervosa quanto eu com a dificuldade da cirurgia.

Eu nunca vi uma dentista naquele estado. Chegou um ponto que ela começava a falar coisas sem sentido como “nem criança dá esse trabalho” e coisas assim. Não sei quais crianças ela andou tratanto, mas eu quero comer o que elas comem pra agüentar tal tortura.

Então ele nasceu. Um meninão, grandão, saudável. Ela quis me mostrar mas eu não sou uma boa mãe e quis distância do meu filho recém-nascido. Darei-lhe o nome de Afonso, se eu um dia me encontrar com minha prole novamente. Espero que ele não queria ter irmãozinhos.

O resultado de tudo isso é que me sinto menstruado. Desde as 10 horas da manhã o local não pára de sangrar, mesmo com os medicamentos, gelo e até os pedaços de pano que ela pediu que eu enfiasse na boca e mordesse. Nada funciona. Esta noite vou dar uma volta pelos cemitérios da cidade buscando alguma vampira gostosa ou góticos querendo beber sangue em crânios humanos. Deve existir alguma utilidade para os vinte litros de sangue que deixei correr ralo abaixo. Sabe como é, não pode rolar desperdício.

Pra falar a verdade, tudo não passa de desculpa pra faltar do trabalho e passar o dia todo comendo sorvete.

Categorias: Indignação inútil
Mar-21-2008

Resenha / Crítica - Juno

Juno
(EUA, Canadá, Hungria, 2007)
Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons, Olivia Thirlby, Eileen Pedde, Rainn Wilson

Diretor: Jason Reitman
Adaptado do roteiro de Diablo Cody (Brook Busey)
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Duração: 96 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Prêmios: Oscar de melhor roteiro original
Distribuidora: Paris Filmes
Produtores: Fox Searchlight Pictures, Mandate Pictures, Mr. Mudd
Data de Lançamento (Brasil): 22 de Fev. 2008

Juno. Afinal, o que se falar sobre esse filme que meio mundo comenta, mas você nem sabe do que é?
Tá, que é de uma menina grávida você pode até saber, mas do que realmente fala o filme?

Juno MacGuff (Ellen Page) é uma menina de 16 anos que é peça rara em todos os grupos adolescentes: gosta de música alternativa, aprecia certas coisas que ninguém observa e… Descobre que está grávida do até então, melhor amigo, Paulie (Michael Cera), que é estranhão e viciado em Tic-Tac de laranja.

Os dois são da mesma escola, da mesma classe aliás.

O conflito de ambientes e personagens cria um ambiente clichê-inovador, pois mostra a mesmice da sociedade americana (exemplo são os meninos correndo por muitas passagens do filme) e o diferencial desse casal de “amigos” que se deparam em uma situação em que jovens como eles não sabem lidar.

Com sua melhor amiga Leah (Olivia Thirlby), que se interessa por professores, elas arranjam um jeito de alguém ficar e cuidar do neném, pois Juno não se acha em condições: Tem 16 anos e vai cuidar de filho?!

Algo que eu não compreendi, mas logo após, durante o desenvolvimento da trama foi sendo explicado, foi a reação do pai e da madrasta de Juno, que são Mac MacGuff (J.K. Simmons) e Bren MacGuff (Allison Janney). O pai é ex-militar, atual vendedor e reparador de ar condicionados e a madrasta é manicure e tem fixação por cachorros.

Foi algo encarado muito suavemente pelos dois, coisa que aqui no Brasil (pelo menos com a minha família), não seria tolerado de jeito algum, mas esqueçamos do fato de Juno estar grávida, essa é uma HISTÓRIA DE AMOR.

Até que acham um casal: Vanessa Loring (Jennifer Garner) e Mark Loring (Jason Bateman). Mark é um produtor de Jingles e Vanessa, bem… Essa não prestei atenção no que ela faz, mas… Ela quer muito o neném, é o sonho dela ser mãe.


FOFOS DEMAIS.

No primeiro encontro entre as duas partes, Juno descobre o quanto Mark é legal, e se interessa por coisas alternativas como ela. Aliás, ponto positivo é a trilha sonora. Espetacular. Sou suspeita pois, particularmente, adoro esse gênero de música da trilha sonora. :)

Juno enfrenta os dilemas do mundo adulto, como a separação dos pais adotivos de seu filho e os dilemas do mundo adolescente em que ela vive, como descobrir que, depois de transar com seu amigo, aí sim ela começa a se apaixonar por ele.

Num misto de inexperiência com um comportamento diferenciado dos personagens principais, Juno é um filme de AMOR, que não centra realmente no fato dela estar grávida, e sim em perceber, ver no outro os defeitos, as qualidades e mesmo assim, amar tudo vindo da pessoa ao seu lado. E vice-versa.

Juno repete a si mesma no começo do filme que tudo começou com uma cadeira, e lá pelo fim do filme, também termina com uma cadeira.

O estilo de filme é bem sessão da tarde, pra assistir com os amigos, com o namorado(a) ou até mesmo sozinho, como eu mesma o fiz. É um filme totalmente sem compromisso, leve, com comédia inteligente e que martelou meu coração em relação ao olhar ao próximo.

“Resenha” horrível, terminada as 02:03h por Laura.

(Raphs, depois coloca as tags. BJS :*)

Categorias: -, Resenha
Mar-12-2008

Todo mundo pode ser artista, inclusive eu.

Vagando pela internets na busca pela resposta para a vida, o universo e tudo mais, encontrei algo fascinante e você só poderá saber o que é se apontar a seta do seu mouse sobre o link abaixo e pressionar o botão esquerdo.

Link maravilhoso cheio de surpresas e coisas fantásticas!

Então. Se você clicou e viu as maravilhas deste incrível link, já sabe do que estou falando. Caso não clicou, vou resumir:

O nome desta obra é “Neutrom“, de um artista renomadíssimo chamado Antonio Lizárraga.

Esta é minha favorita, Notebook:

Você deve estar pensando: mas que merda é essa? Pois é, eu também estou pensando isso. O fato curioso é que Antonio Lizarra é paralítico e “dita” as obras para suas assistentes. Use sua imaginação, ou abuse da minha:

- Ae, pinta o fundo de roxo.
- Prontinho, chefe.
- Agora faz um retângulo azul no lado esquerdo e colado nele outro retângulo de um roxo mais escuro.
- Prontinho, chefe.
- Agora bota um vermelho bem escuro no canto direito, encostado no limite da tela.
- Prontinho, chefe.
- Agora onde começa o retângulo roxo escuro, bota um quadrado vermelho escuro.
- Prontinho, chefe.
- Voilà!
- Legal, chefe.
- Ficou uma merda, né.
- Olha, não querendo falar nada mas ficou uma merda sim, chefe.
- Então faz mais um quadrado azul claro ali embaixo e pode juntar suas coisas e dar o fora daqui que você está demitida.
- Legal, chefe.
- Vou chamá-lo de “Mirante”.

Isso me faz pensar que eu também posso ser artista. Vou expor aqui algumas de minhas obras:

Paisagem

Dragão cuspindo fogo na caverna rochosa

E uma contribuição da amiga Laura, que também mostrou ter malemolência e senso artístico para criar a obra Raphs.

Hahsdçlakshdçlf definitivamente, nasci pra isso.

Categorias: Imbecil
Mar-10-2008

Anos Incríveis: A Caixinha de Surpresas

Eu tenho três paixões que me fazem acordar todos os dias na esperança de não me jogar na frente de um trem em movimento. Eu poderia citar aqui “famílias, amigos e Godzilla”, mas pareceria simples demais e não haveria como sugar a sua atenção para o restante do post.

Enquanto não estou vendo Godzilla pela décima oitava vez ou observando as mulheres deste planeta, eu provavelmente estou apreciando uma boa partida de futebol. Grande parte destas partidas têm valor nutricional cultural próximo a zero, se você aplicar uma escala que vai de 0, caracterizado por uma partida válida pelo campeonato húngaro de futebol a 14, relativo a uma maratona de filmes alternativos do cinema iraniano.

Dentro de campo, eu posso dizer com toda a certeza do mundo que fui dos piores. Sempre tentei praticar um bom futebol e sempre falhei miseravelmente em todas as tentativas. Minha incursão no esporte bretão aconteceu ao mesmo tempo em que eu largava a mamadeira - o que me faz pensar que, se o futebol me fez largar da mamadeira, estaria mamando até hoje caso vivesse no Suriname.

Depois de anos de sofrimento ao ser sempre o último escolhido nas pelejas escolares, tomei a atitude mais correta da minha vida: era hora de experimentar novos ares e aprender com quem sabe ensinar. Passei então a freqüentar a gloriosa Escolinha de Futebol da Quadra do Zico. O Zico, no caso, era o dono da Quadra, grande metalúrgico, que nas horas vagas fritava salsichas empanadas com solda quente e coliformes fecais.

A Escolinha do Zico era a mais gloriosa escolinha a meu alcance. Jamais iria atravessar meia cidade duas vezes por semana para correr atrás de uma bola dura e pesada por duas horas semanais. O conforto da quadra suja e desgastada do Zico era o suficiente para aprimorar meu futebol-arte adormecido. O que me ajudou a ter me conformado com tal escolha é que Rocky, aquele boxeador que aparece às vezes no Corujão, se tornou o melhor de todos socando pedaços de carne congelada.

Meus amigos me chamavam de Caixinha de Surpresas por dois motivos. O primeiro é que eu utilizava minhas técnicas ninja, nas devidas proporções de um garoto roliço e rosado de 8 anos, para aparecer do nada e não fazer merda nenhuma. O segundo é que eu tinha espasmos de craque, assim como Gohan se tornava o guerreiro mais forte quando não estava enchendo o nosso saco.


Gohan tem uma espada, no entanto a Deusa Atena proibiu os Cavaleiros de usarem armas brancas.

Carlinhos, o treinador, tinha o melhor emprego do mundo: ensinar a criançada a jogar futebol. Isso, convenhamos, no Brasil se torna uma tarefa tão complicada quando ensinar um cachorro a latir ou um gato a miar. Dar uma bola para doze moleques correrem atrás como se fossem zumbis atrás de um pedaço de carne fresca enrolado com bacon e cenouras no seu interior. Zumbis não comem cenouras, aliás nem eu como cenoura, mas a gente também não comia a bola.

Entretanto minha passagem pela gloriosa Quadra do Zico foi curta. Em no máximo três meses, fiz pouco mais do que treinos físicos, táticos e jogatinas desenfreadas do mais belo futebol de salão. O treino físico era simples: alongamentos que eu não conseguia fazer, abdominais que eu não conseguia fazer, flexões que eu não agüentava repetir mais que duas vezes e corridas ao redor da quadra que eu abandonava no final da primeira volta. Acredite: a distância entre a ponta do seu braço e o seu dedão do pé pode se tornar muito grande quando se tem oito anos e o máximo de atividade física que você praticara até então era correr até a casa do seu amigo dizendo que havia zerado Super Mario World.

O treino tático se resumia a duas coisas: apontar e atirar. Se Carlos nos desse canhões e pólvora negra ao invés de bolas coloridas de borracha para acertarmos o gol, quase sempre protegido por Igor, o Índio, teríamos nos tornado pessoas melhores. Creio que durante o pouco tempo que participei dos treinos, a programação mudara somente uma vez. Certa vez tivemos a árdua missão de driblar um ou dois cone e, claro, chutar a gol. Creio que os canhoneiros não tinham que driblar cones antes de atirar nos navios inimigos.

O resto dos treinos era praticamente “bota uma bola no meio da quadra que eles saem chutando”. Minha melhor posição era perto do gol. Do meu gol. Ali eu adquiria alguns bônus de território e me tornava um jogador mediano. Incansável na medida do possível, fazia poucas faltas e não me metia a fazer jogadas de efeito - mesmo porque não era capaz de fazer nada mais plástico do que acertar a parte menos nobre daquele objeto redondo que fica rolando com o bico reforçado de minha chuteira Topper.


Em tempos onde acham o Valdivia craque, eu é que queria apanhar pra me chamarem de craque.

Disputei apenas um jogo “oficial”. Na verdade era um amistoso contra uma escolinha que existia há pouco tempo, chamada Society. O jogo seria no campo deles, e era na categoria Mirim. Não me lembro a média de idade dessa categoria, mas se eu tava no meio era pra ser entre 9 e 10 anos, por aí ó. Jogaríamos no campo adversário e contra a torcida, formada por pais e alunos frustrados por não terem conseguido vaga no time.

Quando Carlinhos me escalou como titular, me senti uma estrela do Rock. Tanto que vesti meu calção ao contrário e fui para a quadra, sem me tocar. Já dentro de campo, fazendo aquecimento, reparei que algo estava errado e corri com a graça de uma gralha depenada até o vestiário, para corrigir a primeira falha do jogo - aliás a única minha.

Depois de tudo acertado do nosso lado, a equipe adversária finalmente chega. Imagine você reunir todo o jardim de infância de um colégio particular, crianças lindas, fofas e rosadas para enfrentar doze cavaleiros medievais com armaduras e armas pontudas do mais duro ferro. Foi exatamente assim que nós nos sentimos. Haviam escalado o time juvenil - leia-se brutamontes que naquela altura já haviam cultivado pêlos pubianos, privilégio que nossa idade não permitia. Tínham quase o dobro de nossa altura, o que prejudicaria bastante a legendária tática do chuveirinho, que consiste em chutar a bola em direção à área e torcer para que ela bata na nuca de um atacante desatento e ultrapasse a linha das traves.

Tive uma atuação apagada, talvez graças à grande - em todos os sentidos - marcação que recebi. Inclusive, um dos titãs encarregados de evitar que eu produzisse alguma coisa me acertou com o golpe mais terrível que todos os planos dimensionais existentes na física quântica somados são incapazes de medir a imensidão da dor: a PAULISTINHA. Imagine um elefante enfiando sua enorme presa de marfim por entre os músculos de sua panturrilha e multiplique isso pelo número de átomos de hidrogênio presentes no universo. Taí, eu desafiei a física quântica e dei a exatidão da dor causada por uma paulistinha bem aplicada.

Aliás se você simulasse um jogo de Tetris usando a quadra e os jogadores, nosso time seria a pecinha falsificada de um quadradinho, enquanto os adversários eram blocos de oito por oito, então dá pra imaginar o tamanho da brincadeira. O mais engraçado era que eles jogavam com uma raça descomunal, como se suas almas tivessem sido penduradas no chaveiro de seu técnico, que era ninguém menos que o próprio Belzebu.


Eu fiquei com o cu na mão no final do filme :\

Igor, o índio, que estava apenas como espectador naquele jogo, foi convocado por Carlinhos, o treinador, para reforçar o time. Igor era um pouco mais velho e mais parrudinho que todos nós e provavelmente havia sido benzido pelo pajé de sua tribo poucas horas antes, pois fez uma partida espetacular. Certo que perdemos aquele jogo por doze tentos a zero, mas jogando praticamente sozinho, o nosso papa-capim evitou um vexame ainda maior.

Não que doze a zero tenha sido um resultado digno, mas se eu fosse a uma guerra com seis homens desarmados e enfrentasse uma legião de samurais e voltasse vivo, teria ficado orgulhoso. Quem sabe uma medalha?

Medalha é sempre bom.

Categorias: Anos incríveis, Deixa que eu deixo
Mar-5-2008

Associação Brasileira dos Publicitários Frustrados

Então, peço desculpas e paciência pela falta de posts.

Alguns sabem, outros não e eu adoro fofoca: passei no PROUNI para Publicidade e Propaganda. Logo eu, que sempre falei mal de dezáinerers e publicitários.

Estou correndo atrás de papéis, que por mais absurdo que pareça continuam coorrendo de mim. Pra animar a galera nessa semana de ralação, vou deixar vocês com uma imagem do melhor Presidente que este país já teve:

Afinal de contas, não basta mamar nas tetinhas do governo, tem que fazer carinho na barriguinha.

Categorias: ABPM