Archive for April, 2008

Apr-28-2008

AOE Blogs de cara nova!

E nesse instante eu peço que você pare tudo o que estiver fazendo ou pensando fazer, porque eu vou falar sobre a novidade mais quente da galáxia.

Nos tempos áureos da blogosfera oldshool brasileira, as pessoas costumavam parar o Théo na rua para lhe fazer perguntas. Como o Théo abandonou os dias de blogueiro e passou a ser só tanga, as pessoas começaram a ME parar na rua também e pelo visto elas gostam mesmo de fazer perguntas.

- Tio Raphs, a Internet está acabando?

Deixo claro para elas que eu prefiro uma conversa quente, mas elas são insistentes. Não é do meu feitio deixar as pessoas com suas línguas de fora babando por uma informação, enquanto eu ordeno que elas rolem no chão ou finjam de mortas. Eu tenho a informação, eu dou a informação.

Digamos que sua vida se resuma a emocionantes três dias de vida: anteontem, ontem e hoje.

Anteontem você usava ICQ, sofria com o limite de 2MB de seu e-mail no BOL, baixava músicas em sites de fundo preto com milhões de gifs de tochas e caveiras girando - os mesmos sites que tinham sessões hacker que ensinavam você a ‘pegar o IP de alguém no chat da UOL’ e ‘como invadir computadores através de IP’. Blogs eram ferramentas pessoais cheios de gifs piscantes sobre todas as bandas ruins que seus amigos ouviam. Eram usados apenas para contar o cotidiano do dono, que em 96% dos casos era miseravelmente sem graça e imbecil.

Ontem você usava seu MSN Messenger, teve seu limite de e-mail aumentado para inacreditáveis 10MB, baixava músicas pelo Kazaa e perdia horas e horas em sites bacanas da Internet. Sites tão legais que faziam você pensar que a Internet não tinha limites. Os blogs já começavam a se tornar menos pessoais e mais interessantes, com destaque para os blogs de humor - tanto os de humor pronto quanto os que postavam hilários textos gigantescos, meus favoritos. A quantidade de gifs caiu consideravelmente.

Hoje você usa o Windows Live Messenger, tem e-mail de 1Terabyte, tem conta em bilhões de sites de relacionamentos, acessa os melhores vídeos da Internet com a rapidez de um clique. Tem uma nova febre surgindo todos os dias, novos conceitos, novas modas, novos sites, tudo novo, todo dia. A Internet parece tão infinita que se torna maçante. Os blogs se tornam ferramentas de promoção pessoal: surgem os pro-bloggers, uma raça de blogueiros que tem como único objetivo o lucro. O conteúdo geralmente é inexistente - quando não falam de si mesmos, falam sobre como é bom rular na life e ser alguém pseudo conhecido: ‘ontem fui à festa tal, encontrei o blogueiro x [link] e o y [link] e nos divertimos muito. Parabéns à [empresa] que fez uma festa maravilhosa’ e faz um marketing grátis do tal produto.

Eu vos apresento o amanhã - e amanhã parece que vai ser… quente. heh

O AOE Blogs, um projeto pertencente ao Ato ou Efeito, era como um gueto. Alguns pequenos e modestos casebres, moradores simples mas limpinhos, que pagavam seu aluguel em dia e viviam tranquilamente. Crianças jogavam bola no pátio todos os dias. Foi então que Théo, numa jogada desesperada para provar que não era tanga, reuniu o time de blogueiros mais quente da galáxia e transformou o AOEBlogs no condomínio mais quente da região. Agora temos mansões, carros importados e uma fonte no meio do jardim, onde suecas peitudas nuas se banham todos os dias às onze da manhã.

Pontuais essas suecas.

Juntando-se aos antigos moradores estão:

Cegos, Surdos e Loucos
O Eric já tá com a gente faz algum tempo, além de ser colunista do próprio AOE. Tem o conteúdo musical mais quente da galáxia, com análises cremosas dos sucessos que agitam o auditório do Faustão.

Esculhambação
Quando o Théo falou que o E! iria ser meu vizinho, eu mal acreditei que o Canequinha iria morar aqui perto de casa. Como saudosismo pouco é bobagem, lembrarei sempre os melhores momentos da Copa 2006 ao lado dele. Preencha-me com cerveja!

A Grande Abóbora
É irresistível se referir a ele como ‘A Grande Abórba’, fala sério. O melhor blog sobre tudo: entre uma e outra presepada, pitacos apurados (e sinceros) sobre arte moderna. Imperdível!

Hoje é um Bom Dia
Sinceramente, sou suspeito pra falar do HBD. O Kid é o blogueiro mais gelado do AOE Blogs. Um exemplo do suíngue brasileiro nas geladas e prósperas terras canadenses. O cara escreve os melhores textos da galáxia e pode comprar 3 PS3 por semana, porra. Precisa falar mais alguma coisa?

Mau Gosto
Com a gente desde o começo, o blog mais indie da galáxia promete deixar de ser tão alternativo e aderir às dancinhas da moda.

Me sinto um lambari perto de tanto peixe grande, sério. Aí você vem e pergunta:

- Ahh tio Raphs, então vocês estão se vendendo?

Eu respondo que não e te compro um pirulito pra parar de ser chorão. O AOE Blogs é um projeto que visa conteúdo, não lucro. Imagine que estamos nos tornando algo parecido com a Liga da Justiça: nos reunimos por um bem maior. Só que em vez de bater em vilões malvados, proporcionamos a você leitor o conteúdo mais quente da galáxia!

É impressão minha ou isso aqui acaba de ficar mais… quente? heh

Categorias: Blolololololoolgueiros
Apr-24-2008

Raphs,

Tamanho não é documento, mas…

Te Wubo, demais.

Por: Laura Calanga. <3

WUB

Categorias: -
Apr-22-2008

A mais bonita

Depois de muita pesquisa, cheguei à conclusão de que a mais bela palavra do português brasileiro é COXINHA.

 

Onde está seu Deus agora?

Categorias: Imbecil
Apr-17-2008

Sobre Landau, balizas e as cabeças de pedra da Ilha de Páscoa.

Para algumas pessoas, o volante é a extensão do seu próprio braço. É como se o X-Buster do Megaman substituísse seu braço esquerdo e, ao tocar no possante, o carro apenas obedecesse a todo e qualquer comando mental do motorista. Dirigir é apenas atividade instintiva, como comer, andar e falar mal de Naruto.A frota brasileira de veículos é de aproximadamente 20 milhões de automóveis, para mais. Perceba mais tarde como esta informação não irá adicionar em nada o conteúdo do texto.

O ato de guiar um automóvel em geral é uma tarefa fácil. Mais fácil ainda para quem não tem medo de levar consigo retrovisores alheios e chocar-se levemente com para-choques de carros mais caros que o seu. E muito mais fácil para quem passa a utilizar o carro para tudo, usando como desculpa coisas pequenas como buscar o pano de prato que sua mãe emprestou pra Dona Lourdes, ou a panela que seu tio Sérgio deixou na casa do Carlão Mecânico quando fez aquela vaca atolada no domingo passado.

Principalmente para quem acaba de tirar sua carteira de motorista.

Mas não pra mim. Não que seja difícil, mas para mim ainda é um desafio. Posso contar as vezes que ocupei o banco do motorista utilizando apenas os dedos das mãos de um personagem de desenhos animados antigos. A falta de experiência fica evidente quando uma manobra de dificuldade média se torna tão trabalhosa quanto salvar a humanidade de um cometa gigante se aproxima a duzentas vezes a velocidade do som.

Por essas e outras que eu queria ser Bruce Willis.

Vou confessar, eu não sei estacionar meu carro. O que aprendemos nas aulas de baliza é simplesmente um adestramento para fazer o necessário na hora do exame, nada além disso. Não aprendemos a estacionar o carro em vagas onde cabem apenas um carrinho de pipocas ou sequer como entrar naquela vaga que surge do nada, quando aquele moço do Passat percebe que esqueceu a filha em cima do caixa do supermercado e libera a vaga do estacionamento só pra você.

O que eles ensinam é como utilizar as marcações dos carros DELES a seu favor na hora do exame, onde você estaciona entre cabos de vassoura pintados de branco com base de plástico.

Hoje botei minhas habilidades ao máximo. Ao pegar o carro sozinho pela terceira vez, fui praticamente obrigado a estacionar o carango no centro da cidade. Não é necessário dizer que estacionar no centro é terrívelmente impossível, com o agravante de ter como destino APENAS um prédio DE FRENTE para a praça central da cidade. É como viajar para o centro da Amazônia, tropeçar num galho de árvore, cair numa tumba gigante, descobrir uma cidade inteira feita de ouro puro e ainda capturar um pokémon no mesmo dia.

Depois de alguns quarteirões desviando de charretes, cavalos e crianças jogando pião no meio da rua, finalmente avisto a praça. Lá está ela, sempre florida e cheia de gente. “Cheia de gente que vai ficar vendo eu estacionar esta merda”, pensava. A dois quarteirões do trabalho, avisto uma vaga enorme para uns quatro ou cinco carros. Era um lago de águas geladas e azuis envolto por uma vegetação do mais vivo verde, onde mulheres nuas banhavam-se. Como todo viajante do deserto que encontra um oasis, rapidamente arranquei minhas roupas e pulei no lago, estacionando perfeitamente o carro na enorme vaga disponível.

Desci do carro feliz e o tranquei, como todas as pessoas normais que possuem um carro sem travas automáticas fazem. O carango estava lá, posicionado perfeitamente. Todo sereno, com uma feição até sorridente por ter sido tratado com carinho mesmo em uma situação tão tensa. Porém, um quarteirão à frente, encontro uma vaga perfeita para meu possante, a poucos passos do trabalho. Foi como o sol saindo por trás das nuvens numa manhã de domingo. Havia ali espaço livre suficiente para dois carros grandes. Ou um Landau, se você tiver passagem pela Marinha. Pilotar aquilo deve ser como manobrar uma caravela no asfalto.


A Mulher Melancia não tem tanta bunda assim depois que você vê um Landau

Como diria aquele ditado chinês, “em time que está ganhando não se mexe”. Eu sinceramente acredito que todas as maiores cagadas da história da humanidade foram feitas justamente quando tudo estava bom e em ordem, quando algum imbecil desocupado achava que poderia melhorar.

Era um desafio. Eu precisava aprender a estacionar na marra. Eu me julgava completamente capaz de estacionar meu pequeno carro naquela simpática vaga.

Então fui. Voltei ao veículo e confesso nunca ter girado a chave no contato com tamanha confiança. Eu era o ás do volante. Eu era o melhor. Eu era o máximo. Aproximei-me da vaga. É agora. Eu sou o máximo. Seta? Que parem o trânsito, eu sou o piloto de fuga aqui. Parem seus carros e observem. Embiquei o carro à minha direita de uma maneira estranha, mas achava que era normal. A gente aprende a fazer parecido na auto-escola. Ao tentar corrigir, meu erro.

O esquema da marcha-ré deveria receber mais atenção nas aulas da auto-escola. Pra falar a verdade, a gente não aprende absolutamente nada das manhas e maciotas que andar de costas exige. É como ver o mundo ao contrário. O carro estava parado numa posição absurdamente torta, com o pneu dianteiro encostado na calçada. Ao tentar corrigir, virei totalmente o volante para a esquerda, tentando fazer o carro inverter o ângulo do carro de maneira que seu traseiro não ficasse virado para a rua.

Como não consigo expressar em palavras a posição tântrica na qual meu lindo Corsa chumbo, vou resumir: não importa o que eu fizesse ou pra onde eu virasse, eu voltava para a mesma posição. Quanto mais eu tentava consertar, mais eu cagava totalmente a manobra. Na segunda ou terceira ida e volta, uma mocinha que trabalha numa sorveteria ao lado do jornal começou a rir de mim. Eu comecei a rir junto, pra não ficar sem graça - embora a graça ali fosse justamente eu.

Sinceramente, eu não sabia o que fazer. Eu poderia continuar tentando por horas e horas, ou até que o pouco combustível habitual se esgotasse, e jamais conseguiria consertar tamanha merda. Sozinho eu não estacionaria ali. Então engoli todo o orgulho de macho alfa e pedi ajuda à pessoa mais próxima: o rapaz da Área Azul.

Esses indivíduos são como parquímetros humanos. Eles ficam o dia todo ‘protegendo’ as ruas do centro da cidade, cobrando R$ 1,30 por cartões que dão direito a estacionamento por duas horas. Como sempre, não perguntei o nome. Vou chamá-lo de Moisés, afinal ele abriria o Mar Vermelho para mim.

Estiquei o braço e fiz o símbolo universal do “Vem cá”, abrindo e fechando a mão direita. Ele estava próximo ao carro, provavelmente rindo por dentro, e se aproximou de vez.

- Sabe aqueles caras que acabam de tirar carta e não sabem dirigir?
- hahasçlhkdf sei sim.
- Então, eu sou um deles.
- Mas pode ficar tranquilo, tem espaço pra tu entrar, tá longe ainda.
- Velho, eu simplesmente não faço a menor idéia do que fazer.
- Hahahahçsdklf então vai que eu te ajudo.

O próprio Deus falou comigo naquele momento através do garoto de roupa azul. Então Moisés, com a maior tranquilidade do mundo, disse duas frases:

- Esterça o volante só um pouquinho pra cá. Isso. Agora vai reto, sem mexer.
- Agora esterça o volante pra lá. Isso, agora vai pra frente. Prontim patrão.


“Esterça o volante pra cá”, disse Moisés.
E o povo de Israel pôde enfim estacionar seus carros tranquilamente.

Ao descer do carro, meio que não acreditei. Eu nunca tinha parado tão perfeitamente reto na minha vida inteira, mesmo quando não havia nenhum carro no resto do quarteirão. Havia uma linha pontilhada que indica o limite no qual o carro deve estar estacionado e não somente eu estava dentro, como estava perfeitamente paralelo a ela.

Percebi então que o ato de estacionar, pelo menos por enquanto, é equivalente a taxiar um avião. Para mim é necessário uma pista inteira e exclusiva.

E eu ainda mato alguém por asfixia por não saber usar as vírgulas.

Categorias: Diarinho Gay Homossexual
Apr-5-2008

Encontro do conhecimento com a oportunidade

Que o mundo tá cheio de coisas ruins, todo mundo sabe. Coisas ruins pra caralho. Tem gente jogando criança da janela. Eu acho que jogar crianças deve ser mais divertido que jogar ovos, conforme dito aqui eras atrás. Deve ser tão legal quanto arremessar um gato do vigésimo sétimo andar.

Pessoas assim são presas, pagam por seus pecados. Mais do que justo. Pessoas boas vão sofrendo com os infortúnios do infame acaso. Eu me considero uma pessoa boa. Nunca joguei criança de janela.

Eu, por exemplo, estou passando por uma maré de azar infinita. É como se Deus inundasse toda a superfície do planeta com gasolina. Dá pra nadar, até. Então Deus, que é um cara maroto, risca um palito de fósforo divino e o arremessa em direção ao oceano inflamável no exato momento que eu alcanço terra firme.

Como se não bastasse as moléstias das últimas semanas - virose, o dente do siso, o pé na bunda - acontecem pequenas catástrofes que fazem tudo piorar. Não vou negar que estou numa fase emo e passando por dias seguidos de fossa profunda. Eu sei que não combina e tal, aliás minha vida pessoal não é das mais interessantes, mas é verdade. Tem dias que não dá vontade de sair da cama - embora eu tenha a consciência de que ocupar a cabeça é necessário. É como eu sempre digo: cabeça vazia é o Photoshop do diabo.

Um pequeno probleminha aconteceu com o curso de inglês da minha irmã. Algo que eu nunca pretendia ter dor de cabeça, mas acabou se transformando num beliscão no mamilo que me perturba todo mês, depois do dia 20. O problema é que eu passei seis cheques pré-datados - nem sei pra que são, provavelmente parcelas da matrícula - para todo dia 10 de cada mês.

O setor financeiro dessa escola de idiotas, digo, idiomas, deve ser formado por profissionais tão preparados quanto homens das cavernas. Os documentos devem ser talhados à pedra, quando não desenhados na parede utilizando-se de tinta feita de sangue de macaco e raízes. A locomoção deve ser feita através de mamutes, já que sempre atrasam vinte dias pra depositar um cheque. A matemática no entanto é avançada: se você tem seis cheques para serem descontados em seis meses, você pode depositar um por mês ou depositar dois de cada vez.

Poupa tempo, poupa mamute. Tem como ser melhor que isso?

Na quarta-feira, 2, ciente de que ainda não haviam descontado nada e que havia contas a pagar, depositei R$ 250 reais em minha conta. Vou dizer que “não é muito, mas é o necessário” pra você não pensar que eu sou um pobre fodido que junta moedas dos trocos das calças dos seus tios pra trocar no final do mês. Então, não é muito mas é o necessário pra pagar tais contas. Depositei e fiquei um pouco mais tranquilo. Dinheiro na minha mão é dinheiro gasto com pão-de-queijo e Coca-Cola, pelo menos no banco está protegido.

A questão é que depositaram dois cheques no dia 1° de abril. Claro, só podem estar de sacanagem com a minha cara. Fui Rick Rolled na vida real. Quando fui tirar um extrato, esperando um trocadinho sobrando pra comprar um jornaleco pela manhã, descobri não só que haviam feito tal cagada em minha conta como me fizeram ficar DEVENDO.

Vamos às contas. Eu não tinha nada no banco no dia 1°, me tiram 250. Meu cheque especial cobre 210, então os outros 40 são cobrados em forma de TARIFA DE EXCESSO. Eu nunca entendi porque chamam cheque especial de especial. Tratam isso como se fosse uma coisa boa. Porra, tu usa o tal do cheque especial só quando fica extremamente na merda. Eu nunca usei e quando preciso fico devendo 40 conto?

Engraçado que minha queria avó me emprestou 20 malandros pra emergências. Comi pão de queijo e Coca-Cola no curso, olha que beleza. Com direito a reação em cadeia: um imbecil derruba uma garrafa de água, que bate na lata de Scrwherpeps, que vira praticamente em cima de mim, que tento desviar, tombo a cadeira e me safo de uma queda no meio do pátio da faculdade através de um sopro divino, que entortou a perna de plástico da cadeira o suficiente pra manter minha dignidade. Seria divertido cair e todo mundo rir da minha cara. Eu me divertiria mais que eles, com certeza.

Porque minha filosofia no momento é essa: uma vez na merda, não tem graça sair dela sem chafurdar um pouco.

***

Se eu interpretar isso como má sorte, é só mais uma posição a mais na minha playlist. Eu nunca participei de promoções por algo que pode se considerar uma mistura de desânimo com descrença.

É, de fato, difícil encanar meu lado racional quando este me impede de tomar decisões do tipo “vou comprar este número de rifa”. Ou de qualquer tipo de promoção, sorteio, leilão ou venda de escravos depois da má sorte que me acometeu quando ainda era um gordinho roliço e rosado.

Ainda na segunda série, no auge dos meus oito anos, a professora fez uma rifa de um objeto de valor inestimável: um pano de prato bordado. Como se fosse o velo de ouro das histórias que eu não lembro o nome, eu estendi meu braço curtinho a uma velocidade supersônica - testemunhas dizem que atingi Mach-2 naquele momento. Sabe-se lá porquê, mas eu comprei a rifa daquele… pano de prato branco. Eu realmente não lembro nenhum motivo, simplesmente aconteceu.

Fato é que eu competia com apenas mais uma pessoa na rifa. Afinal de contas, quem PAGA 2 malandros pra CONCORRER a um PANO DE PRATO? Quando se tem oito anos, na minha época, 2 reais era dinheiro suficiente pra proporcionar os maiores prazeres aos quais uma criança tem acesso. Elma Chips e chicletes underground com tazo, bolinhas de gude ou linha de pipa de quatrocentas jardas estavam nesta faixa de preço e a alegria que você tinha em escolher seu alvo dependia da modinha da rua.

Não sei quem falhou miseravelmente: Eduardo, o outro concorrente, que levou o prêmio máximo e fez a alegria de sua mãe; ou eu, que não ganhei absolutamente nada.

Hoje eu sei que grandes merda ele ter ganhado o pano de prato, aliás todo pano de prato é viado mesmo.

Categorias: Anos incríveis, Indignação inútil
Apr-1-2008

Sem palavras

Há alguns anos conheci uma menina linda. Foi como se estivesse andando por entre centenas de metros de um maçante gramado infinito e trombasse com o Himalaia. A sensação também era parecida. Eu, óbviamente, não esperava.

Ingênua, dona de um sorriso atraente e um corpo delirante. Vivemos então uma pequena grande história de amor contada entre longos e pequenos capítulos. Um livro de capa transparente, recheado de contrastes entre brincadeiras e amor, infantilidades e sexo.

Eu a amei mais que a mim mesmo. Esqueci meus valores, esqueci minhas crenças. Esqueci de mim. A vida que vivia era a vida dela, a vida que ela queria que eu tivesse.

Hoje descubro que ela era apenas mais uma qualquer, uma comum.

Hoje procuro me descobrir novamente.

Categorias: Imbecil