Archive for June, 2008

Jun-25-2008

Exterminadores de telemarketing

Se estivéssemos andando pela mesma calçada e acidentalmente trombássemos violentamente, derrubando se café quente sobre minha camisa nova de dezenove reais da promoção, e você sem motivo aparente algum perguntasse o que mais me fez carregar ódio por todos os minutos de minha existência, eu responderia sem pensar: telemarketing.

Alguma coisa deve estar errada. Se existe alguma lista de telefones propícios ao telemarketing, meu nome não só está em primeiro lugar como está grifado com uma caneta marca-texto de criptonita, com seu charme discreto verde e brilhante, com uma placa de neon ao lado indicando que este é o melhor telefone do universo e que é retorno garantido.

Ledo engano. O termo certo seria DIVERSÃO garantida. Minha, claro.

Não é exagero: todos os dias, recebemos umas duas ou três ligações em casa de bancos oferecendo cartões de créditos, créditos pré aprovados, salada de crédito com molho de débito, acompanha poupança ao molho juros e um bom vinho Cheque Especial, único vinho do universo com validade de dez dias. Fora os bancos, lojas ligam para oferecer cafés da manhã pra minha vó, companhia telefônica liga pra dizer que não pagamos a conta e que vão cortar a linha em catorze segundos. Treze. Doze. Onze.

Na segunda-feira pela manhã, fui praticamente acordado por uma destas enviadas do inferno.

- Olá senhor bom dia, tudo bem com o senhor?
- Tudo.
- Ahhhh que bom, né?
- … ?!
- Com quem eu falo?
- Raphael.
- Oi Raphael, meu nome é Jucleide [inventado, não lembro], sou do grupo Estado, estou ligando pra confirmar o endereço do senhor para começar o envio das edições diárias do jornal qual o seu endereço?

Pausa. Primeiro que você pode perceber quais atendentes são e quais não são experientes. Provavelmente Jucleide havia dito as mesmas palavras para no mínimo quinze pessoas antes de mim, sempre com reações diversas. A minha falta do que falar perante a hospitalidade de Jucleide foi simplesmente ignorada por um “ah, que bom, né?” e emendado o resto do texto decorado sem se enrolar.

Outro fator determinante é o modo robótico de falar. Lembra da sua professora ensinando que onde tinha vírgula você tinha que parar, quebrar o ritmo da frase, dar uma pequena respirada e continuar? Perceba que eu mesmo não lembro, afinal uso estas belezinhas tão bem quanto uma ogiva nuclear seria bem utilizada na mão de um chimpanzé.

No final do texto havia uma pergunta. Antes da pergunta, um ponto. Este ponto foi simplesmente ENGOLIDO por Jucleide, como se ela estivesse ESPERANDO pelo derradeiro momento de perguntar meu endereço. Continuando.

- Ahn… hum… de graça?
- Não, não é de graça - adota um tom sério - o senhor receberia o jornal por dois meses, então começaríamos a cobrar a assinatura comum.
- Ah sim, tava achando meio estranho.
- Estaria interessado, senhor QUAL SEU ENDEREÇO
- Não, então, é que acabamos de assinar duas revistas, fica meio complicado assinar mais um jornal, né?
- Mas o senhor assinando o jornal o senhor concorreria a um carro no valor de 60.000 reais!
- Legal hein nossa rs
- Éééé né
- Então, senhor Adriano…

PAAAAAUSA. Porra, a mulher acaba de cometer um dos pecados capitais do telemarketing. Quando o assunto é tentar forçar goela abaixo um produto que o cliente NÃO quer, trocar o nome do futuro cliente é algo tão cruel quanto enfiar uma furadeira nos tímpanos de um gatinho, espalhando sangue, miolhos e restos de gatinho para todos os lados. É assinar o atestado de “perdão chefe, não consegui vender nada hoje”.

Trocar meu nome por “Adriano” indica que, durante toda a conversa, Jucleide estava passeando pela Internet em sites de namoro, procurando o amor da sua vida. Parou na página de Adriano, um moreno de três metros de altura, forte e sorridente. Seus músculos e seu peito cabeludo falavam mais do que o próprio perfil. Jucleide acabara de achar o amor de sua vida e não conseguia pensar em alguma coisa.

- Er… Raphael né
- Ah, desculpa, é que é tanta…
- Haha, tudo bem.
- Então Raphael, estaria interessado em receber os jornais?
- Olha, como eu te disse, tem as duas revistas e… - nessa hora, percebi que ela insistiria até que nossos telefones derretessem. Só havia uma coisa a fazer. - Seguinte…
- Hum - Jucleide responde com um ar de empolgação e interesse.
- … por mim, assinaria. Sério, sempre quis assinar um jornal e tal. Só que quem cuida dessa ‘área’, digamos assim, é minha mãe.

Os Exterminadores de Telemarketing, grupo criado para caçar e tratar mal todas as atendentes, com o objetivo padrão de tornar todo o Universo um lugar mais agradável, tem uma regra geral aplicada a todos os minutos de suas vidas.

SE A SITUAÇÃO FICAR INSUSTENTÁVEL, FINJA SER MENOR DE IDADE E APELE PRA MÃE.

Contra isso não há defesa. Elas não podem convencer uma criança a aceitar um produto. É como pedofilia: às vezes irresistível, porém sempre contra a lei. Ao botar esta regra em prática, você acaba de oferecer um prato de sopa de criptonita para Clark Kent. Ela pode não reparar, mas a conversa terminara ali e já tínhamos um vencedor.

- Humm… e que hora eu posso falar com ela?
- Olha, ela chega por volta do meio-dia.
- Certo, eu retorno a ligação.
- Tudo bem, rs
- Grupo Estado agradece, tenha um bom dia.
- Amém.

A batalha estava vencida, mas a guerra continuava. Hoje, poucos SEGUNDOS antes de eu sair pela porta e ir para o trabalho, o telefone toca.

- Olá senhor bom dia, tudo bem com o senhor?
- Tudo.
- Ahhhh que bom, né?

Eu conhecia aquela voz, aquele jeito de falar era inconfundível. Jucleide provavelmente estava infeliz com sua vida, tomado um fora de Adriano, que a trocara na noite passada por Zuleika, um travesti que afirmava para todos os ventos que tinha ascendência russa, mas não passava de um nerd branco de cabelos rubros e cara sardenta. No mais puro ódio, Jucleide pegou sua lista de telefones e viu o meu número grifado em cores brilhantes, decidiu ligar com sede de vingança.

- Com quem eu falo?
- Raphael.
- Oi Raphael, meu nome é Jucleide, sou do grupo Estado, estou ligando pra confirmar o endereço do senhor para começar o envio das edições diárias do jornal QUAL SEU ENDEREÇO?

Isso me fez pensar. Não sei exatamente no quê, mas uma situação assim é de se pensar em alguma coisa. Jucleide não havia ligado “para minha mãe” na segunda-feira, conforme tinha prometido. Ao invés disso resolveu ligar pra mim, no mesmo horário.

- Olha, eu acho que vocês já entraram em contato conosco tipo ANTEONTEM e eu já disse que não estava interessado.
- Ah sim… - ela ficou chateada, não houve dúvida - … mas você conhece alguém que poderia estar nos indicando?

Leia a última frase como “ok não consegui vender pra você, mas certamente você conhece alguém que não gosta e quer pregar uma peça hehe vai ajuda eu huahua nossa”.

- Acho que se eu fizer isso essa pessoa não vai gostar muito de mim, desculpa, não tenho ninguém pra te indicar.
- Tudo bem então, o Grupo Estado agradece, tenha um bom dia.
- TCHAL

Jucleide nunca saberia, mas ela tinha salvo minha vida. Ok, a vida não, mas minha integridade psicológica e minha pequena moral perante a sociedade talvez. Estava saindo de casa com a jaqueta pelo avesso.

Qual foi, nunca se vestiu com pressa não?

Categorias: Mundo Animal
Jun-23-2008

Resenha: Guitar Hero: Aerosmith

O pior defeito do ser humano é ter o instinto de sempre botar o dedo onde não precisa. De guerras ao fio-terra, a humanidade sempre sofreu com o problema do dedo no lugar errado.

Definitivamente, alguém deveria ser AMPUTADO por causa de Guitar Hero: Aerosmith.

Imparcialidade é meu ovo esquerdo: Guitar Hero é meu jogo favorito. Tenho meu Playstation 2 há quase três anos, 84 jogos. Se um terço do tempo total de jogatina não foi ocupado com Guitar Hero, usarei meu videogame como tábua de bater bife daqui em diante.

Vale dizer que Aerosmith também é uma de minhas bandas preferidas. Quando anunciaram esta porcaria pro meio do ano, pensei “Caralho, é como se descobrissem como fazer a vaca produzir queijo com goiabada instantâneo!”. Curiosamente, eu odeio queijo com goiabada e o sentimento não é tão diferente quanto a este jogo.

Repare que para cada fato comentado sobre os novos Guitar Hero, há um fato negativo.

Guitar Hero: Aerosmith foi lançado para todas as plataformas disponíveis: PS3, X360, Wii, PS2, N64, Snes, Mega Drive, Master System, Game Boy Color e há rumores de uma versão para Atari 2600. O problema é que a geração PS2 já está morta e todos os jogos lançados para o mesmo ou são porcos ao extremo ou são ports, adaptações do jogo para os consoles nextgen que “cabem” nos antigos.

Gráficos: com gel e jeito…

Agora imagina o que passa na cabeça de uma produtora que faz ports: Os caras passam tempos cabulosos projetando um jogo que pode utilizar boa parte do potencial dos consoles novos. Gráficos cabulosos, animações sensacionais em alta definição, efeitos visuais do caralho, som perfeito. Aí aparece o presidente da empresa e diz:

- Aê galera, tava pensando em lançar esse jogo pra PS2.
- Certo, e como vamos enfiar estes 20gb de texturas, gráficos, animações e extras num DVD comum, que cabe um quinto disso?
- Aperta tudo e enfia no seu cu, pago vocês pra pensar nisso. Se soubesse, fazia no quintal de casa.
- Beleza.

E os programadores revoltados nos liberam ports nojentos. Pra você que viveu as gerações 16 e 32 bits intensamente, tente imaginar como seria se alguém tentasse fazer um port de Metal Gear Solid para o SNES. É mais ou menos onde eu quero chegar.

Em matéria de Gráficos, Guitar Hero Aerosmith é pavoroso. Tudo bem que os gráficos nunca foram o ponto forte da série - mesmo porque, se você parar pra olhar o cenário perde oitenta por cento da música e se fode bastante. Mas não me diga que toda a platéia fazendo OS MESMOS movimentos durante a MÚSICA TODA é uma coisa normal! Parece coreografia de igreja evangélica, todos movimentando os braços no mesmo ritmo, durante a música toda! Só falta louvar o Senhor.

Outra coisa assustadora é a feição dos personagens ingame. Os caras se preocuparam tanto em fazer animações e caricaturas FODAS pra banda, que na hora do jogo os músicos são PAVOROSOS. Parece que você está controlando bonecos de cera, é REALMENTE assustador. Os únicos que se movimentam são Steven Tyler, óbvio, e Joe Perry. Todos os outros integrantes também seguem a platéia na coreografia, sempre louvando o Senhor Jesus.

Tudo bem que Steven Tyler não é o tipo de pessoa que eu gostaria de olhar pela manhã, mas isso é SACANAGEM.

Jogabilidade

Se todas as cinco versões de Guitar Hero fossem disputar uma corrida sobre cangurus e a qualidade das músicas fosse fator determinante da velocidade dos mesmos, Guitar Hero Aerosmith chegaria em penúltimo lugar, à frente apenas de uma cópia pirata do mesmo jogo que entrou sorrateiramente no meio da corrida.

Em todos os outros títulos, o modo Career despertava algum interesse do jogador para conseguir fazer um score decente em todas elas. Neste, o jogador é obrigado a jogar todas as músicas na espera de que a próxima seja MENOS RUIM do que a anterior. É esse o único incentivo para se terminar o jogo: a esperança de que pode melhorar.

TODAS as músicas de bandas menos famosas do jogo são desesperadoramente chatas. Você as joga por obrigação, afinal tem que passar por elas pra desbloquear as que realmente importam: as do Aerosmith.

No decorrer das seis “fases” do jogo, você deve tocar estas duas músicas ABSURDAMENTE TEDIOSAS para liberar o palco para o Aerosmith fazer sua parte - coisa que fazem decentemente. É óbvio que as melhores do jogo são deles, mas não são tão boas assim. As músicas conhecidas realmente são divertidas, como Love in the Elevator e Walk this Way, mas as antigas são meio que um pé no saco.

O problema é o seguinte: os caras não aprenderam a lição com a palhaçada do Guitar Hero Encore: Rock the 80’s e fizeram outra ‘repaginação’ de uma versão anterior com músicas novas. Em outras palavras, pegaram o mesmo jogo, botaram músicas diferentes e lançaram pra “tapar o buraco” entre um lançamento e outro.

Ainda entra o problema da guitarra. Guitar Hero já não pode competir com seu rival Rockband pois não dispõe de outros instrumentos e tenta forçar a barra com novas versões apenas com a guitarra. Já foram divulgadas imagens e trailers do novo Guitar Hero 4, que provavelmente só vai sair para os nextgen. Ok, nisso eles acertaram, lançar algo assim pro PS2 seria perda de tempo e mongolice.

Som

Um fator legal dos GH anteriores é que foram compreensivos com os jogadores que não dispunham de sistemas de som de outros planetas, com home theathers, televisores de plasma estéreo e caixas de som do tamanho do seu irmão menor. Algumas músicas sim mostravam pequenos defeitos, como o som sair baixo durante algumas notas. Totalmente compreensível: quer jogar decentemente, compre uma tevê estéreo.

Aqui, adivinha. Praticamente todas as músicas apresentam o mesmo defeito. Não me culpo: minha televisão, mono, veio ao mundo com o objetivo de ser usada apenas para jogatina malemolente e nunca ofereceu problema algum, o jogo é que foi mal feito pra caralho.

As músicas desconhecidas são covers, ou seja, deram uma repaginada no som. Agora o game mostra a banda responsável pelo cover, o que eu achei legal. Sobre o resto… bom, é Guitar Hero e é Aerosmith.

Fatores extra-conjugais

A única coisa que eu não entendo é POR QUE FAZER VERSÕES DE UM JOGO ULTRAPASSADO? Qual o propósito disso? Os caras podiam estar trabalhando no jogo novo, fazendo algo épico, mas NÃÃÃO! Estão botando maquiagem no último jogo, que era bom mas foi SOTERRADO por um tsunami chamado Rockband.

É como se, hoje, lançassem versões alternativas de Pitfall.

Considerações Finais

É muito simples: se você é fã, é óbvio que vai comprar Guitar Hero: Aerosmith. Se for jogador casual, simpatizante do game, fuja disso como judeus correm de palestinos.

Categorias: Resenha
Jun-17-2008

Sobre Lorotas, Rafinha Bastos e o Chefe Apache.

Sabe aqueles caras que te param na rua segurando uma bíblia, perguntando se podem ter um minutinho de sua atenção? Seu instinto te obriga a dizer “Não, amigo, tô com pressa, meu gato está no microondas” e sair andando, mas IMAGINE QUE, um dia, seu gato decida sair do forno e você tenha dois minutinhos pra ouvir o que o rapaz quer te dizer?

Pois é, seu gato está tranquilamente repousando sobre o sofá da sala. Você TEM dois minutinhos.

Não é de hoje que é de consenso geral que todo mundo tem o seu segredinho. Também todo mundo sabe que é uma delícia descobrir o segredinho do outro, não é?

Isso tem nome: fofoca. E, cara, eu adoro fofoca.

Sério, na boa, gosto mesmo. Desculpa estar falando a verdade. Meu horário de trabalho é dividido em três partes: 30% eu trabalho normalmente, 10% eu finjo que trabalho só pra justificar meu salário absurdamente grande que não corresponde ao meu horário absurdamente pequeno e 60% do tempo eu ocupo falando mal da vida alheia.

Sou quase uma lavadeira, daquelas que ficavam na beira do rio batendo roupa em pedra, falando mal da filha do Coronel que tá saindo com o rapaz da mercearia. Pouca vergonha.


Chefe Apache afirma: “Eu aumento mas não invento!”

Adoro ser tema de fofoca também. Porra, nada melhor do que alguém falando de você. Eu meio que me sinto uma celebridade, o próximo passo é começar a filmar minhas relações sexuais e jogar “acidentalmente” na Internet como viral para meu próximo filme. É viral! É viral!

Por exemplo, vou contar a última: o Luke, do Que-Diabos?, me disse que está cansado de escrever em seu blog e pretende mudar os temas. À partir de agora, Luke vai comentar em seu blog sobre as maravilhas do mundo indígena, mais condizente com sua situação geográfica.

Afinal, quem melhor pra falar de índio do que alguém que mora no PARÁ?

Mas o destaque da semana fica para o lançamento do Lorotas, o Mythbusters da Internet, que promete desvendar os anais da notícia, separando a lorota da mais pura verdade. Acredita que os caras já descobriram o que significava aquele número na embalagem de leite? E… bom, se tudo isso não for o bastante pra você fechar o OJ e ir correndo pra lá, os caras vão trazer ninguém menos que RAFINHA BASTOS AO VIVO, porra! Mesmo pro pessoal que não pode ir, maldita inveja dos paulistanos, o show VAI SER TRANSMITIDO AO VIVO pelo site! Precisa falar mais alguma coisa?

Pegue seu bloquinho de post-its e encha seu monitor com a seguinte mensagem: dia 18, às 21h, Rafinha Bastos no Lorotas. Inclusive na tela - quem é que precisa de 17 polegadas pra fazer um trabalho de faculdade? Metade disso é mais do que suficiente!

Eu não sei como terminar este post, então vai uma foto de uma MARMOTA, porque rima com LOROTA.

Hahsdlçhkaf que bico fofinho :3

Categorias: Blolololololoolgueiros
Jun-13-2008

Estragando a brincadeira

luke. diz:
FILHO DA PUTA
Raphs cabeça de ovo is BOLATED diz:
VAI TOMAR NO SEU CU, SEU MERDA
luke. diz:
SEU VIADO DO CARALHO
SE FODER
ORA PORRA
Raphs cabeça de ovo is BOLATED diz:
VOU ENFIAR UM CACTO NO SEU CU E GIRAR
DEPOIS VOU COBRIR COM SORVETE
luke. diz:
E LAMBER?
LAMBER MEU CU GOSTOSO?
Raphs cabeça de ovo is BOLATED diz:
E FAZER VOCÊ ENGOLIR TUTINHO
credo luke /wtf
luke. diz:
LAMBER MEU CU LAMBUZADO DE SORVETE?

Categorias: Logs do Luke
Jun-12-2008

Uma história de muitos títulos - Parte IV

Dia 2 - O retorno

Nada de muito interessante aqui. A subida foi pouco mais emocionante do que a descida, uma vez que enfrentamos um trânsito até pesado no decorrer da rodovia. Uma personagem até divertida foi uma Suzuki Boulevard que nos acompanhou durante praticamente todo o trajeto.

A Boulevard está para a nossa Intruder assim como o Charizard está para o Charmander - mais tamanho, mais potência e muito mais crocância. Aquele visual arrogante, enorme, cheio de bolsas laterais e um barulho estranhamente agradável. Dava uma pequena invejinha, admito. Mais potente, ela se mostrava toda graciosa nas retas ou nos momentos que o trânsito dava aquela aliviada. Chegava a abrir uma boa distância de nós até encontrar um novo engarrafamento. Então, como tem praticamente a mesma largura de um carro, desacelerava.

Nós, sobre nossa jovial e leve Intruder, costurávamos os carros com a graciosidade de uma jovem bailarina. Graças às manobras de Wagner, o intrépido motorista que faz as vezes de meu pai, era nossa vez de abrir vantagem sobre a ignorante Boulevard.

E ficava nisso. Só faltava passarmos sobre pontos de interrogação amarelos no chão, acionar a roleta e jogarmos cascos de tartaruga uns nos outros, porque aquilo tava virando meio Mario Kart, meio Cybercops.

De volta a São Paulo, nada como os subempregos que só a capital paulista pode oferecer. Durante todo o caminho até nossa casa, encontrei pessoas - mulheres, a grande maioria - obrigadas a passar o dia todo no sol, segurando pedaços de cano com panos de anúncios pendurados. Alguns eram estampados com nomes de postos de gasolinas ou mercados. Alguns eram brancos. Brancos.

BRANCOS!

Porra, o que leva o setor de marketing de um lugar a contratar pessoas a segurar um cano enorme com um pedaço de lençol pendurado, em pleno domingo, debaixo de um sol putaqueopariumente quente?!

- Aê gente, nova campanha de marketing!!
- Isssoooo
- Vamos colocar pessoas nas ruas pra atrair mais fregueses!!
- Fazendo OQ
- Vão segurar canos enormes com lençóis pendurados!
- Mas isso vai atrair clientes comooo?
- Vão ser… GOSTOSAS!!
- AEEEEEE
- Vamos arrasarrrrr galeraaaaa
- Ebaaa!!!


HHAHAHASDLKAHSDÇLKASÇDLASDF

Parafraseando nosso amigo poeta contemporâneo MC Créu, “pra evoluir no trânsito paulistano tem que ter disposição, pra evoluir no trânsito paulistano tem que ter habilidade”. Nas primeiras investidas você repara que seu joelho passa a uma distância cabulosamente pequena dos carros, seu ombro quase bate na traseira dos mais altos. Mas algumas coisas são como sexo com mamutes: você tem que relaxar, fechar os olhos e confiar no parceiro.

A linguagem dos motoboys é de aprendizado fácil e rápido. Mão esquerda espalmada, virada para baixo, significa “espere, estou pensando em uma manobra sensacional”. Uma breve buzinada significa “Muito obrigado, amigo motorista, por deixar eu ultrapassá-lo de maneira perigosa!”. Já mão esquerda balançando, fazendo o sinal universal do ‘chega mais’, significa algo como “vou te deixar passar porque o senhor está com a piroca mais aflita que eu, portanto estou correndo sério risco de ser atropelado pelo vosso automóvel”.

Quando Deus criou o mundo em HTML, ele deve ter colocado um comentário lá no final do script: “Todo motociclista SEMPRE estará errado em caso de acidente, embora SEMPRE declare estar certo”. Motoboy PEDE pra ser atropelado, não é brincadeira. Quando você tá na garupa de um deles, olha aquela brecha minúscula entre os carros, daquelas que não passa nem uma família de tatus-bola, e percebe que seu motorista já está se arriscando, a primeira reação que se tem é olhar para os céus, abrir os braços e pedir a extrema unção. Claro que meio segundo depois você cola os braços de volta no corpo senão eles seriam arrancados pela traseira do Gol prata que tá sendo ultrapassado.

Fora o trânsito delicioso, São Paulo também fascina por seus pontos turísticos.

O novo xodó dos paulistanos é a Ponte Estaiada, que liga o final da Avenida Roberto Marinho com a Marginal Pinheiros, pra dar aquela desafogada que o trânsito desnecessita.

A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira está para São Paulo assim como a Torre Eiffel está para Paris. Os paulistanos a idolatram, tiram fotos dela em todas as posições, em dias de chuva, calor, neve, tempestades de areia e furacões, muito comuns nesta época do ano.

Pra quem está acostumado a atravessar córregos em pontes feitas de madeira sobre carros de boi, é uma experiência única. Mas depois de algum tempo você se toca que é apenas uma estrada que passa em cima da outra com um porre de cabo amarelo dos lados. Se você passar a ver as coisas “monumentais” da vida por esse lado, você vai perceber que a vida é algo bem maçante.

Outro ponto turístico reconhecido internacionalmente é a antiga sede da companhia aérea TAM, recentemente destruída por ataques terroristas.


Costumava ser isso.

Sabe aquelas situações inacreditáveis que acontecem, mas são tão extraordinárias que contando não têm a menor graça? Então, esta é uma delas.

Estava eu observando o terreno, que agora é cercado por uma longa e atraente cerca azul, quando meu pai me chama a atenção:

- Nessa cerca azul ficava o antigo prédio da TAM, aquele do acidente, do avião e tal.

Assim que me dou conta, olho para o lado e vejo exatamente a mesma imagem do aeroporto que via pela TV: um barranco com grama. Lembro que foi exatamente ali que o avião caiu e tudo mais, e penso:

- Porra, podia passar um avião agora.

Meus desejos então são atendidos: um avião decola, passando tão perto de mim que se eu estivesse com os braços erguidos, teria as mãos amputadas pela hélice do aeroplano. Mentira, avião o avião não tinha hélices e passou alto pra caralho. Mas ao menos deu pra ouvir o som, o que era inédito pra mim até então. Quando me toco de que tal avião é da mesma companhia que havia jogado um outro avião contra a própria sede, mais conhecida como TAM, minha vontade foi descer da moto e ajudar a empurrá-la, na esperança de nos tirar da linha de fogo o mais rápido possível.

Alguns minutos depois, estávamos em casa. Tive um almoço sensacional, coisa de pai e filho: marmitex e salada. Talvez o primeiro almoço pai e filho que tive na vida, espero que não seja o último. Mas a falta do que fazer me derrubava e eu tinha um ônibus pra pegar em 4 horas.

Antes do embarque, o último causo que a capital paulista me proporcionou foi talvez o que mais me satisfez. A mesma garota que havia me tirado do assento na viagem de ida pegaria o ônibus anterior ao meu, então nos encontramos na plataforma de embarque. O ônibus já estava atrasado e ainda tinha gente pra entrar. Ela então acendeu um cigarro e começou a falar no telefone. Todos haviam entrado, o motorista estava esperando só ela, e o cigarro ainda pela metade.

O motorista falou educadamente com ela, mas ela não deu muita atenção. Continuou fumando. Perdendo a paciência depois da terceira tentativa frustrada, o motorista fez algo MUITO, mas MUITO badmanner: entrou no ônibus, ligou os motores e… FECHOU A PORTA! A guria jogou o cigarro LONGE e bateu na porta pra entrar, gritando. O motô então riu da cara dela e abriu a porta. Se eles são treinados pra fazer isso, esse cara era o primeiro da turma.

A viagem de volta foi mais tranquila do que esperava, quando acordei estava em casa.

Bom, a história [DA VIAGEM] termina aqui. Espero ter passado pelo menos uma parte das boas “emoções” que vivi, e peço desculpas pela demora entre os posts. Espero profundamente que experiências assim se repitam por muitas e muitas vezes, afinal a recompensa é sempre muito, muito grande.

[Edit]

Não galera sahdlçkafasdf não terminei com a Laura não, ainda terão muitas viagens hahdlkasf inclusive tô com uma programada pro fim do mês. SÓ QUE SEM POST DESSA VEZ, quero ter um pouco de privacidade com a minha calanga heh .

Categorias: Diarinho Gay Homossexual
Jun-7-2008

Chespirito Reborn

Lucas Guedes. diz:
tá vendo chaves?
episodios novos

Categorias: Logs do Luke
Jun-6-2008

Uma história de muitos títulos - Parte III

Vocês vão me matar

Tarde do dia 01

Desembarcar em São Paulo, sozinho, é como ser atingido na face por um boxeador peso pesado com luvas de concreto. O Terminal Rodoviário do Tietê é praticamente uma cidade, com uma densidade demográfica tão grande quanto, algo em torno de 2 pessoas por metro quadrado. Essa quantidade abismal de pessoas torna o Terminal algo parecido com um estouro de boiada: fique parado e você é soterrado pela massa.

A impressão que dá é que, alguns metros à frente, alguém de alguma forma acaba de plantar uma bomba nuclear e toda a multidão está correndo com medo da explosão. Se você parar de correr, não importa em qual sentido esteja correndo, nem se for pra amarrar os sapatos, alguém te bate.

- O QUÊ? VOCÊ TÁ PARADO MEU?
- Não cara, tranquilo, tô aqui só amarrando o sapato e…
- MAS MEU, VOCÊ NÃO TÁ ENTENDENNNDO. VOCÊ TEM QUE ANDAR NÉ MEU.

- Mas…
- ANDANDO MEU PUTAQUEOPARIU ANDANDO PUTA MUNDO INJUSTO NÉ MEU

Como andar sozinho nesse lugar é algo que eu nunca vou conseguir na vida, meu pai então se juntou a mim. Para garantir minha viagem tranquila, fui direto para comprar minha passagem de volta, daí minha surpresa. Um ônibus lotado de São Paulo para Sertãozinho não é a coisa lá muito comum de acontecer. Apenas cinco assentos estavam vagos, todos no corredor, o que significava que minha viagem de volta seria MUITO, MUITO pior que a de ida. Comprada a passagem, eu me lembro de um fato curioso.

- Que dia é hoje?
- 24
- … amanhã é 25.

- Sério? Não brinca.
- OH MEU DEUS, AMANHÃ É A PARADA GAY

O sentimento de surpresa só não era maior do que o de apreensão. Não sou homofóbico, mas imagina a quantidade de gente estranha que estaria naquela mesma rodoviária no domingo? Não só um domingo comum, mas um domingo volta de feriado. Aquela cidade inteira estaria um caos.

Logo em seguida, saímos da rodoviária em direção ao estacionamento. A impressão que fica marcada em quem não é de São Paulo e pisa na saída do terminal é que estamos em Bogotá. Todas as pessoas estão interessadas na sua bagagem, todas querem te sequestrar. Mesmo você SABENDO que lá dentro só tem roupas velhas e amassadas e um pacote de bolacha Trakinas, precisa estar atento como se tivesse carregando vinte quilos de ouro maciço na mochila e um diamante do tamanho de uma cabeça de recém nascido na mala.

Passada a tensão, chegamos à motocicleta. Uma Suzuki Intruder 125cc nos levaria de São Paulo até Santos, uma descida de, aproximadamente, 100km. Segundo Wagner, meu pai e motorista, a descida é tranquila e a estrada, um tapete. Ok, estou confiante.

Atravessando a cidade para chegar até a rodovia Imigrantes, Wagner apontava os pontos “turísticos” de São Paulo: o museu do Ipiranga, uma ponte estranha que os ônibus usam pra cortar caminho e, claro, a 25 de Março.

É assustadora a quantidade de pessoas que invade a 25 de Março atrás de preços baixos e mercadorias de qualidade duvidosa. Sério. Se você nunca chegou perto daquilo, imagina um estacionamento improvisado de uns 200 metros que invadia a pista, pessoas passando com toneladas de bugigangas e sacolas maiores que eles mesmos, correndo para todos os lados como se eles mesmos estivessem correndo do rapa na polícia.

Então entramos na Imigrantes. Justamente como meu sábio pai havia dito, a estrada é um tapete. Mesmo assim, uma viagem de aproximadamente uma hora em cima de uma moto leve é bastante desconfortável. Eu ainda estava na garupa, apoiado no bagageiro, portanto com um conforto pouco maior do que Wagner, o intrépido motorista que levava a moto no braço.

Uma 125cc não foi projetada para grandes viagens. Nossa Intruder merece uma estátua em praça pública, suas façanhas são respeitáveis. Meu pai pode ser considerado gordo, um gordinho simpático por sinal, mas não vê problema algum em viajar 450km da capital até nossa cidade, viagem essa completada em pouco menos de cinco horas. Mas carregar duas pessoas já é uma tarefa que ela considera meio árdua. Sobre ela, 150 quilos de família mais bagagem, se torna meio difícil acelerar muito. Tente você correr mais rápido que um Fusca carregando uma vez e meia seu peso.

O velocímetro só conseguia passar dos noventa quilômetros horários nas poucas vezes que encontrávamos descidas. Já o contador de giros ficava perto da perigosa marca vermelha durante a maior parte do tempo. Enquanto isso, todos os veículos da rodovia passavam por nós. Absolutamente todos. Não contei nenhum automóvel sendo ultrapassado em rodovia aberta. Éramos obrigados a ocupar a faixa lenta da pista, mais à direita, reservada para os caminhões. Se algum deles tivesse carregando ELEFANTES e um deles resolvesse despejar seu bolo fecal na pista, seríamos soterrados por um quarto de tonelada de merda. Tenso.

Então chegam os túneis, estávamos descendo a serra, enfim. É fácil se perder dentro do túnel, mesmo que seja uma linha reta de oito quilômetros ligando ponto A e ponto B. São tantas paisagens iguais, era como um metrônomo; alguém estabeleceu um padrão e o seguiu durante toda a extensão do bagulho.

lâmpada faixa lâmpada lâmpada faixa ventilação lâmpada

É difícil ter alguma noção de distância lá dentro. Eu mesmo não via túneis há mais de três anos, já que no interior costumamos ser atrapalhados não por montanhas, mas por criações de gado que atravessam a cidade todos os dias. É só sair gritando e balançar um galho de goiabeira que eles saem do caminho, é coisa linda de se ver.

Se eu fosse claustrofóbico, sairia correndo em círculos se me encontrasse na situação que estava. Me sentia como uma minhoca. Não podia fazer nada a não ser esperar até que a luz do fim do túnel finalmente chegasse, literalmente. Chegou, e eu tive uma das visões mais ESPETACULARES da minha vida.

Eram apenas morros, árvores e o mar bem ao fundo. Mas a combinação dos três, junto da idéia de viajar tanto por um objetivo tão nobre, embora certas pessoas achassem que era nada senão pura loucura, fez de tudo aquilo uma cena que jamais esquecerei, e me fez lembrar de Into the Wild.

Uma coisa engraçada foi perceber que todo aquele vale imenso que tinha entre nosso morro e o morro vizinho teria sido obra de um rio imensamente, cabulosamente grande. Se minhas dimensões mentais estiverem corretas, entre os dois haviam um três ou quatro quilômetros, ou seja, longe pra caralho. Então, nos aproximando de uma curva PERIGOSAMENTE estreita, inclino meu corpo pra direção errada, em direção ao rio, pra avistar o tal rio.

Que rio? Aquilo era quase um córrego daqueles que passa no meio das favelas, levando o esgoto a céu aberto. Se tivesse mais de dois metros de largura, eu sou um macaco. Aí dei valor ao que minha professora de Geografia sempre disse: a erosão é a força mais poderosa da Natureza. E quase levei nós dois de cima da moto para conhecer o rio lá embaixo, tudo isso para dizer:

- Foda.

Chegando em Santos, nos topamos com um problema. Os quarteirões tortos, as ruas superlotadas e com sentidos estranhos atrapalhavam cada vez mais. Quanto mais próximos estavámos da casa dela, mais difícil se tornava chegar até lá. Ou o mapa do Google indicava que sua rua tinha o sentido contrário do que realmente era, ou alguma força eletromagnética forte o suficiente inverteu o sentido da rua sem avisar ao Google, o que eu acho difícil.

Então avistamos uma casa igualzinha à foto que Laura havia me mandado um dia antes. Na frente, um senhor aparando as folhas da fachada, coberta por uma cerca viva. Pensei “Caralho, o pai dela tá lá na frente, ah meu deus, o que eu faço, o que eu faço”. Liguei para Laura e pedi para ela me encontrar na esquina, ela me diz que eu estava bastante errado.

Desço da moto e consigo ficar parado pela primeira vez depois de sete horas de viagem. Era pouco mais de meio dia e eu avisto uma menina sorridente vindo ao longe. Me arrumei, joguei toda a bagagem no chão, capacete, tudo, e dei aquela balançada sexy no cabelo.

Ao ver Laura se aproximando, um sentimento estranho tomava conta de mim. Eu parecia conhecer aquela garota há anos, nunca tinha visto ela pessoalmente e reconheci ela a quase cem metros de distância. Era uma soma de surpresa, aflição e ansiedade.

Sinceramente, não lembro quais foram as palavras que Laura me disse no instante que atravessou a rua e me abraçou. Foi o melhor abraço que já tive.

O resto do dia não cabe a vocês saber. :D


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Fim da parte III,
parte IV e final no fim de semana, o primeiro que cobrar leva pirocada de pau mole

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