Archive for the ‘Indignação inútil’ Category

May-20-2009

Militância antichamas

Só uma nota rápida:

Vendo o Jornal Hoje desta quarta-feira, uma notícia me chamou a atenção. Quatro jovens se queimaram pra caralho graças as palhaçadas de um “barman” que preparava drinques incendiários, o tal de “drink do fogo”. Duas delas tiveram queimaduras de segundo e terceiro grau em partes do corpo, nada irrecuperável. Uma delas queimou 50% do corpo e está em estado grave. “OK, nada demais” você diz. “Isso acontece”.

Acontece? Ela tem 15 anos.

Acho engraçado - pra não dizer completamente mongol - como a criançada gosta de beber pra aparecer. Sim, porque “adolescente” pra mim é apenas metonímia pra “crianças retardadas”. Grandinhas, mas retardadas.


OBA!!! TENHO QUINZE ANOS, SOU IRADEXXXX E VOU BEBER PRA CARAI!! AMANHA NEM VO LEMBRAAAA!!! UHAHUAHUA VO ENTORTA O KNECO HJ RIARIRAIRAIRAI DORGAS

Adolescentes são praticamente todos iguais: quando os pais se encontram fora de um raio de 150 metros do meliante, a primeira coisa que o infeliz pensa é INGERIR BEBIDAS ALCOÓLICAS EM QUANTIDADES NÃO RECOMENDADAS PARA MANUTENÇÃO DA CONSCIÊNCIA E PRESERVAÇÃO DA CLASSE E REQUINTE.

E para esses “adolescentes”, ficar de porre, falar enrolado e passar vexames consecutivos é apenas um acréscimo de pontinhos no placar do status social. Afinal, se o cara está bêbado é porque bebeu muito, e beber muito é pirocaflitância desesperada.

Lembra o que o poeta falou certa vez?

Beber algumas é divertido, confesso. No carnaval, cujas aventuras divertidíssimas já relatei neste blog, tomei meus canecos de cerveja mas nunca passei do ponto. O álcool, ao contrário do que muitos pensam, é uma droga inibidora do sistema nervoso. A sensação de euforia e coragem que a bebida traz nos primeiros goles é porque o primeiro alvo é a área do cérebro que controla a vergonha, a inibidez.

Ou seja, se você já está bêbado e continua bebendo, alguém vai comer seu cu.

Cuidado, você pode sorrir.

***

OJ criando raízes na Internets. Fui pesquisar imagens e encontrei este post, com uma foto de AMIGAS MINHAS no carnaval, cuja edição foi feita POR MIM e postada NO OJ um ano atrás, nos posts sobre canecas de cerveja do Carnaval. Engraçado como o autor utilizou a imagem indicando as canecas mas nem sequer falou delas.

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Mar-31-2009

Sua ligação é muito importante para n… wait.

Gerações de cientistas do sul da Malásia passaram os últimos quinhentos anos trabalhando na pesquisa definitiva sobre qual a maior desgraça já caída sobre a humanidade em toda a história como a conhecemos. A fase final da pesquisa, onde a resposta derradeira seria enfim descoberta, foi efetuada por macacos treinados que apontavam os objetos que mais odiavam.

Alguns apontaram para fotos de vítimas do ebola, outros indicavam fileiras de DVDs de filmes musicais da Disney, outros ainda para mangás de Naruto. Os cientistas ficaram perplexos, a experiência tinha logrado resultados diversificados por demais.

Um estagiário, então, retirou os fones de ouvido e se tocou que todas as amostras foram todas colocadas exatamente em frente a uma central de atendimento da Teleborbs. Os macacos não estavam apontando para os objetos.

Para você leitor que não conhece a pior operadora de telefonia fixa do Universo, vamos dissertar um pouco sobre ela. A Teleborbs é uma companhia de telefonia que atua apenas no Estado de São Paulo, este estado maravilhoso e desenvolvido. Entre seus principais produtos, temos os maravilhosos planos de linhas fixas com tarifas-fantasmas, grande atrativo da companhia.

Afinal, não há nada mais agradável do que acordar pela manhã e ver um serviço que você NÃO REQUISITOU custando QUARENTA RONALDOS na sua conta telefônica, concorda? Aposto que sim!

A Teleborbs, inclusive, é tri-campeã na gloriosa e disputadíssima categoria “Reclamações”, do Procon.

Para aumentar o tenebroso currículo da Teleborbs, temos ainda o maravilhoso serviço de banda larga! O Rapidy talvez seja o serviço mais “liberal” do Brasil, sem frescuras de traffic-shaping nem problemas com firewalls e roteadores. O negócio é até razoável - QUANDO FUNCIONA! Essa merda de banda larga simplesmente não consegue se manter funcionando por três dias seguidos sem apresentar um problema sequer!

Querem uma prova? Este parágrafo está sendo escrito exatamente às 00:15 da sexta-feira, dia 27/03. Sem qualquer tipo de aviso prévio ou comunicado, o Rapidy regular e pontualmente às 01:00 da manhã da sexta-feira deixa de funcionar, talvez para algum tipo de manutenção. Sou assinante do Rapidy há mais de quatro anos e NUNCA fui informado sobre tal manutenção periódica, simplesmente sei de tanto que apanhei dela. Toda sexta-feira é a mesma história: da 1h até as 13h, a Internet não dá sinal algum de vida. Os atendentes… bom, vamos começar a falar dos atendentes.

Sabe quando alguma coisa é tão inacreditável que você simplesmente não encontra palavras suficientes para descrevê-la? O atendimento “personalizado” da Teleborbs é algo tão devastador que nos causa essa sensação.

Não é de hoje que travo minhas batalhas épicas com telemarketing. Assim como o Super Homem, o telemarketing e qualquer tipo de atendimento telefônico é minha criptonita. Embora eu seja uma pessoa calma, que gosta de tratar assuntos com a devida seriedade, me torno outra pessoa quando entro em contato com telemarketing. Altos níveis de sarcasmo, ironia e ódio fluem pela minha transpiração. De tão tenso, o clima à minha volta modifica a gravidade: coisas vão ao chão com muita facilidade.

Eu preferiria lamber a maçaneta do banheiro masculino do prostíbulo mais escuro da Paraíba do que atender de bom grado e coração aberto uma ligação de telemarketing. Se for da Teleborbs, prefiro degustar meio quilo da mais pura merda fabricada pelo intestino saudável dos mendigos indianos.

Meu mais atual problema com a Teleborbs começou na terça-feira, quando recebi uma correspondência da empresa. Era um encarte prometendo o dobro da minha velocidade atual (que já é rápida o suficiente) pelo mesmo preço nas mensalidades. “Sujeito à disponibilidade técnica existente na central telefônica”, dizia em letras miúdas.


A Teleborbs também é a campeã das letras miúdas.

Bom, vamos tentar ilustrar isso de outra forma. Você está caminhando pela rua empunhando uma nota de um real. Sabe-se lá porque você está segurando esta nota e não a carregando em sua carteira, mas isso não importa. O que importa é que, do nada, aparece um maluco descendo do prédio mais próximo de rapel e prometendo dobrar a quantia que você tem em mãos, sem dizer como fará isso e deixando claro que não é certo que o método vai funcionar, só garantindo que será absolutamente de graça e de boa fé.
Se existe algum retardado no Universo capaz de recusar uma oferta dessas, espero que ele seja devorado por uma manada de avestruzes raivosos ao final deste parágrafo.

Eu imediatamente saquei meu telefone, que anda pendurado em minha cintura tal qual uma Colt .45, e disquei meu número preferido - o número de atendimento “personalizado” da Teleborbs. Se é que é possível chamar um atendimento por reconhecimento de voz de “personalizado”. Ao invés do antigo menu, agora somos confrontados com um sistema que pede que você explique, calma e tranquilamente, o seu problema, para uma máquina bater com seu banco de dados e reconhecer que o seu problema é o mesmo que está registrado ali.

COMO SE FOSSE POSSÍVEL EU, NO AUGE DOS MEUS PROBLEMAS, CONSEGUIR FALAR PAUSADAMENTE A PORRA DO MEU PROBLEMA PRA UM COMPUTADOR

- Diga em poucas palavras o seu problema.
- A Internet não está conectando.
- Entendi: o croquete não está esquentando. Aguarde na linha para ser atendido por um de nossos representantes.

- Aumento de velocidade no Rapidy.
- Entendi: como derrotar o mago Babidi. Aguarde na linha para ser atendido por um de nossos representantes.

- Gostaria de falar sobre minha assinatura.
- Entendi: quero bacon. Aguarde na linha para ser atendido por um de nossos representantes.

Ao tentar pela décima quarta ou quinta vez, consegui achar as palavras-chave certas para ser atendido.  Enfim, falaria com um atendente da Teleborbs. Acho que nem para falar com o rei da Austrália eu teria que passar por tamanha resistência.

Mesmo porque a Austrália não tem rei.

Fui atendido por uma guria que nem sequer lembro o nome - se lembrasse, estaria escrevendo o nome dela em um papel, colocando na boca de um sapo e depositando no alto de uma colina, no meio de um pentagrama desenhado com o sangue da menarca de sete virgens (defloradas naquele mesmo local), com uma vela preta em cada ponta. Sobre o sapo, derramaria o sangue de um bode e o ritual estaria completo.
Teríamos o ambiente perfeito para um show de death metal progressivo industrial norueguês.

A atendente perguntou em que podia me ajudar, e expliquei toda a situação a ela: eu queria saber como proceder para poder passar a contar com tal serviço adicional, sem o custo que normalmente implicaria. E também saber por que caralhos eu havia conquistado aquele milagre. A Teleborbs não dá nada de graça pra ninguém.

Ela me pediu um minuto. Eu, educadamente, lhe entreguei três ou quatro para ouvir um “só mais um momento, senhor”. Durante a espera, a Teleborbs implantou uma música absurdamente HORRÍVEL que começa a impregnar no seu cérebro como um vírus assassino e devorador de crianças africanas. Ao invés de colocar uma música tranquila, gostosa de ouvir, daquelas coletâneas “Sons do Universo volume 1″ ou coisa do gênero, algum estagiário homossexual e com as bilolas soltas preferiu uma música agitada e repetitiva, cujo nome ainda não consegui descobrir.

Porque quando você pede ajuda ao seu maior inimigo, tudo o que você quer é ficar ouvindo musiquinha pra te animar. Antes oferecessem trombetas e tambores, cantos de guerra, pintura facial e lanças.

Com o cérebro a ponto de explodir e uma paciência nos limites, enquanto jogava uma deliciosa partida de Bejeweled 2 Deluxe, finalmente a atendente se lembrou de mim. Para pedir mais alguns momentos. Foi a última vez que ouvi sua voz antes dela simplesmente desligar o telefone na minha cara.

Esse é o modo de atendimento personalizado da Teleborbs. Eles pedem seus dados, te fazem aguardar para TÃO SOMENTE terem o prazer de desligar o telefone na sua cara. Tentei ligar de novo mas não fui sequer atendido. Tentei mais tarde e fui atendido desta vez por um rapaz, que me indicou outro número que só serve para requisitar e instalar o Rapidy para novos usuários.

Se a guerra é vencida por pequenas vitórias, eu estava perdendo ela com extrema rapidez. Cada vez que um telefone era arremessado contra a minha face, era como se todos os meus soldados fossem mortos, pisoteados pelo terrível monstro de melancia e seus poderosos pés de melancia.

Como um último suspiro antes de encontrar o próprio Jesus num túnel de luz branca, na última sexta-feira tornei a ligar para o suporte técnico. Um rapaz me atendeu e eu não resisti.

- Olá, em que posso ajudá-lo?

- Olá, boa tarde. Na terça-feira recebi uma correspondência dizendo que a velocidade da minha conexão havia passado de 2 para 4 mega e eu não pagaria nada por isso. A conexão não mudou, gostaria de saber o que preciso fazer para habilitar isso.
- Com quem eu falo?
- Raphael.
- CERTO
- …
- …
- …
- …
- … oi? Tô desde a terça tentando falar com alguém aí e sou mal atendido por um, desligam na minha cara, me dão informações erradas. Tô ficando cansado, sabe.
- Só um momento senh- e o telefone foi desligado.

Eu não sabia se deveria voltar a ligar. Passei o final de semana todo com essa dúvida na cabeça: “Se eu ligar, ou vou jogar o nível da conversa lá embaixo ou vou ser ignorado de novo”. Esperei.

Nesta terça-feira, finalmente fui atendido por alguém que sabia o que estava fazendo. Como se ele fosse capaz de ler os rascunhos de textos deste blog, o atendente não só foi atencioso como resolveu parcialmente meu problema. A velocidade não aumentava por erro na central técnica, e pelo que entendi o suporte técnico só responde pela central comercial. Dentro de 48 horas, tenho esperanças, minha Internet estará voando baixo.

Finalmente conseguirei aquela coletânea de pornografia de anões albinos neozelandeses que tanto queria.

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Mar-26-2009

Eu odeio hipocrisia e falsidade

Vocês realmente acham que eu falei sobre Twitter e mandei uma imagem do Torgo sem querer no último post? Décadas atrás eu tinha feito uma tirinha sobre hipocrisia e falsidade, mas é totalmente interna e ninguém vai entender merda nenhuma, então vou mandar em forma de Link.

Se vocês não têm o que fazer, eu tenho. Faculdade, trabalho, vida pessoal. Cara, eu sou demais!

Um post novo está no forno. Se tiverem sugestões, os comentários estão abertos - como SEMPRE. No máximo até segunda temos post novo, vocês querendo ou não.

Eu sou hipócrita? Me processem.

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Feb-10-2009

Sobre argumentos, dinossauros e as cabeças de pedra na ilha de Páscoa

Pesquisadores da filial norueguesa de Harvard, liderados pela talentosa cientista Paul Aden Trö, passaram os últimos quatro anos estudando o comportamento da população comum na Internet. O experimento foi feito estudando um grupo de 100 pessoas, em sua maioria do sexo masculino, onde as “cobaias” não precisariam ocupar seus dias trabalhando ou estudando, apenas utilizando o meio de comunicação social mais utilizado do mundo, a Internet.

Como se a vida real não fosse um meio de comunicação social.

Depois de apenas dois meses passados, notava-se que 80% das pessoas passaram a frequentar listas de discussão e debates, como fóruns e comunidades no orkut. Em seis meses, o percentual saltou para 98,6% - se eram 100, como seria 0,6% de uma pessoa? - e não demorou muito para o número chegar aos derradeiros 100%. Entre os homens, o assunto mais discutido, óbviamente, era Futebol e mulheres. Entre as mulheres, homens e moda.

Notou-se que em todas - absolutamente todas - as discussões, havia um certo padrão de comportamento. Absolutamente todas as respostas davam início a tretas, como no caso do tópico “quem vai ser campeão brasileiro de 2009?”, onde metade das respostas era “curintia segunda divisão gambá sem estádio fdp”, “tricolooooooor!!!” e “são paulino bambi”. Algumas discussões de “qual o melhor time?” se estendiam por noventa, cem páginas, e nunca um vencedor era definido.

O motivo encontrado para tamanha adesão aos serviços de discussão é simples: na tentativa de estabelecer ordem no galinheiro, torna-se visível a vontade quase instintiva do ser humano de estabelecer sua opinião como absolutamente certa e apontar as falhas de argumento do “inimigo”. Isso na Internet é chamado ‘treta’, na vida real é chamado de FACULDADE DE DIREITO.

Claro que todo esse papo é pura baboseira, mas implica em mostrar a realidade como ela, de fato, é. Desafio do Beakman de hoje: quem nunca se envolveu numa treta internética, que atire a primeira pedra.

Certa vez, num programa de televisão chamado Mythbusters, Adam Savage disse: “eu rejeito a sua realidade e a substituo pela minha”. Se toda a raça humana tivesse um lema, seria esse.

A Internet, hoje em dia, não passa de uma grande rinha de galos raivosos. Creio que uma boa fatia da pizza de usuários da Internet que frequentam fanaticamente fóruns, listas de discussão e comunidades do orkut ocupam 90% de seu tempo discutindo na Internet. Se eu canalizasse todo o tempo empregado por todas as pessoas que tretam diariamente por questões ABSOLUTAMENTE INÚTEIS e utilizasse para o bem da humanidade, teríamos a cura do câncer em apenas um tópico de “quem ganharia uma briga entre o Super-Homem e o Hulk?”.

Discutir sobre futebol, ou esportes em geral, é até normal. Claro que você vai encher a bola do seu time de coração e defendê-lo com unhas, dentes e dedos no olho se for preciso. Agora, gastar horas e horas dissertando sobre equivalência de poderes, forças e fraquezas de cada herói de todo o Universo… não, quem faz isso só pode estar de sacanagem. O pior é que essas discussões costumam criar tretas de dimensões épicas, muito maior do que a treta dos tiozões do asilo, que jogam bocha todas as sextas-feiras.

Tratar de um universo fantástico como se fosse real é brincar com fogo. A partir do momento que você dá vida ao Superman, todos os outros heróis e vilões vão ficar com invejinha e vão querer ter vida também. Assim, cria-se um círculo vicioso: se você cria uma treta entre Superman ao Hulk, obrigatoriamente alguém vai tretar o Hulk com o Wolverine, com o Lanterna Verde, com a Mônica e seu coelho Sansão.

Essas batalhas geralmente não têm fim. Como não existem ‘provas’ de verdade, qualquer fato ou curiosidade só alimentará o fogo nos olhos de quem discute. Ainda favorece o aparecimento de Trolls, os caras mais filhos da puta da Internet, cujo comportamento é parecido com o ato de tentar apagar um isqueiro com um balde de gasolina. Onde tem troll, tem treta.

Mas eu pensava que já havia visto de tudo na Internet, quando me deparo com uma comunidade onde os membros discutem coisas simples, como QUAL O DINOSSAURO MAIS FORTE. Pediu pra parar, parou.

Tudo bem, você vai à banca, compra sua revistinha, tem uma história fictícia criada pela mente de um quadrinista talentoso ou não, e a história tem início e fim. É um enredo definido e, mesmo criando ramificações inexistentes no papel, você pode interpretar do jeito que quiser - mas, querendo ou não, nada que você pensar muda o que está desenhado. Seu time, por exemplo, ganhou uma quantidade específica de títulos. Se o torcedor de outro time considera este ou aquele fraudulentos, também é uma questão de interpretação - mas nada muda o fato de que o primeiro time ganhou tal título.

Agora… discutir dinossauros? Nossos amigos calangões subiram no ônibus da extinção há mais de 65 milhões de anos, homem algum jamais teve contato com nenhum deles. Claro, existem os ‘dinossauros vivos’, ‘parentes próximos’ e tal, mas não são dinossauros. Os caras comentando qual o dinossauro mais forte, mais rápido, fazendo rankings. O instinto de rir é forte, mas o de chorar fala mais alto.

Como, de que maneira, pessoas vão definir se tal dinossauro é mais forte que o outro? Fósseis estão longe de ser documentários, provas reais de que os dinossauros tinham o comportamento que os arqueologistas diziam ter. Só porque encontram uma evidência simples, como uma pena, perto dos ossos de tal espécie, definem que esta espécie É UM ANTEPASSADO DOS PÁSSAROS, UM ACHADO ÚNICO NA HISTÓRIA. Será que ninguém pensa na possibilidade de um pássaro ter dado um cagote ali e perdido uma pena?

O especialista em dinossauros Guga, numa comunidade especializada, foi perguntado sobre qual seria o dinossauro mais forte de todos os tempos:

na verdade e o carcharodontossauros os cientistas conprovam ele era mais grande e forte de todos os carnivoros encontrados ate hoje .ele tinha cerca de 18 metros de comprimemtos e 6.70 de altura e pesava cerca de.9.400 nove toneladas e quatro centos quilos e seu nome significa {reptil que possui dentes de tubarao}.ficou en 1lugar entre os dinos mais fortes depois ven o giganotossauro em segundo e en terceiro o rex….rsrsrsrsrsrsrs!!!!!!!!!!!!!!..huash huash…..???

Guga, como se pode ver, é um cientista muito rodado, de credibilidade indubitável. Tem milhares de horas de excavações no quintal de sua casa com uma colher de sopa, e já assistiu Jurassic Park por várias vezes. Dêem uma olhada no perfil de Guga:

Não só em Guga ou nessa comunidade em especial, mas nota-se em toda a “comunidade científica de assuntos fúteis” um consenso: o que é mainstream é sempre alvo de duras críticas. Em todos os tópicos da comunidade, os membros sempre dão um jeito de criticar o dinossauro mais famoso de todos os tempos, o Tiranossauro Rex. O chamam de farsa, criticam sua postura de machão e tudo mais, falando sempre COMO SE FOSSE POSSÍVEL AVALIAR O COMPORTAMENTO DE UM LAGARTO GIGANTE EXTINTO HÁ 65 MILHÕES DE ANOS.

Também embarca no mesmo trem mainstream Seiya, protagonista de Cavaleiros do Zodíaco, que nas comunidades é sempre referido como “encosto” e que vive sendo salvo pelos amigos, muito mais poderosos que ele. Outros caras acham Vegeta, de Dragonball Z, muito mais poderoso do que Goku.

O assunto é muito amplo, seria impossível abranger todas as áreas que as discussões de Internet marcam presença. O legado deste post é deixar você leitor com sede de sangue, vontade de participar agora mesmo de uma treta virtual e aumentar vários e-centímetros do seu e-penis. Eu mesmo já estou com vontade de invadir uma comunidade de Cavaleiros do Zodíaco.

Bom, particularmente eu acho o Shiryu um imbecil. Todo mundo sabe que o Seiya é o cavaleiro mais poderoso.

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Jan-23-2009

Internet: Serious Fucking Business

Antes de qualquer coisa, preciso saber se você leitor possui os requisitos básicos pra entender a situação aqui colocada. Da seguinte lista, quantos itens você usou/possuiu/conhece?

  • Alley Cat;
  • TelNet;
  • Bate-papo do UOL;
  • Sites hacker;
  • Sites obscuros de fundo preto, fonte amarela;
  • Gifs de caveira e tochas;
  • IRC;
  • Kazaa;
  • E-mail do BOL;
  • Assustador.com;
  • Geocities.com;
  • HPG.com.br.

Se você usou/possuiu/conheceu metade dessa lista, parabéns! Assim como eu, você já desbravou os confins da Internet, passando pelos lugares mais absurdos e obscuros - seja por curiosidade ou para encontrar o maldito download do Livro de Monstros do D&D. Qual foi? Tem gente que faz coisa pior.

Você também deve estar decepcionado com o que estão fazendo com a nossa querida Internet, outrora conhecida como TERRA DE NINGUÉM®. Se a alvorada do homem se deu com a descoberta do fogo, a alvorada da rede mundial de computadores se deu com um filho da puta que, não tendo nada melhor pra fazer, resolveu colocar ordem no puro e crocante caos que era nossa querida Internets.

Das poucas conversas produtivas que tive com o Luke desde 2005 quando o conheci, chegamos a uma conclusão: somos remanescentes de uma geração decadente, veteranos de guerra. Não posso falar por ele, mas me coloco em meu lugar.

O OJ tem 3 anos de vida. Juntando outro blog que tive e hoje habita o limbo, vamos colocar quatro anos de estrada. São 4 anos, é bastante tempo. Os blogs que me inspiraram a escrever foram o Faz Sentido e o Hoje é um Bom Dia, que não têm estilos muito parecidos mas estão ligados de uma forma bem curiosa. O OJ não seria um blog conhecido e com média de 250 visitantes únicos por dia se não fosse o Edu, do FS. Se você voltar nos históricos do OJ no Blogspot, vai ver que ele chegou até a postar no OJ por uma ou duas vezes.

Veja bem: não disse que o OJ é um blog CONHECIDO E RELEVANTE NA BLOGOSFERA ATUAL, disse ser um blog conhecido porque, por exemplo, pessoas que eu nem conheço aqui da cidade lêem meu blog e me cumprimentam na rua. OK, não são um grupo de incontáveis fãs mas ser reconhecido por algo que faz é bastante relevante pra mim.

Blogosfera… Talvez a palavra que eu mais abomine na Internet seja essa. BLOGOSFERA é o mundo fictício que os palhaços blogueiros brasileiros de hoje criaram pra se referirem a eles mesmos. Tem gente que bate no peito pra dizer que é blogueiro e acha bonito, pensa que as pessoas vão traduzir BLOGUEIRO automaticamente como REPRESENTANTE DA VANGUARDA DAS MÍDIAS SOCIAIS DO NOVO MILÊNIO. O pior de tudo não é se achar a última batata do pacote, é só o fato de nego se achar IMPORTANTE.

Ao me chamar de blogueiro, você coloca o OJ no mesmo lugar de Pensar Enlouquece, Ah, Tri Né!, Eu Capricho. Eu NÃO QUERO ser um blogueiro conhecido por nome e sobrenome, NÃO PRETENDO fazer nome na Internet, muito menos me tornar importante. Fiz meus posts patrocinados (quem não quer dinheiro fácil?) e nem por isso o OJ hoje está cheio de publicidades. A diferença está na denominação. Existem probloggers e blogueiros. Tem gente que faz blog pra viver, tem gente que faz blog por diversão.

Que blogueiro sério falaria sobre a vida das cigarras? Sobre o Celso Portiolli?

Também existem blogs de dois tipos: os que agregam conteúdo e os que produzem conteúdo. O Kibeloco, por exemplo, pega correntes de e-mail que você recebe desde 1997, transforma num post e é o blog mais conhecido do Brasil. É relativamente fácil você manter um blog repetindo o que alguém fez há algum tempo ou colocando imagens engraçadas, enquanto você tenta manter seus poucos leitores com textos próprios.

Não faço posts sobre eventos que não vou, pessoas que não conheço nem assuntos que não me interesso só pra angariar visitas. Não coloco bilhões de links para outros blogs só pra retornarem a visita e aumentar meus números. Quando o pessoal entra no OJ e vê um layout nada convidativo, textos enormes e imagens que demoram um bocado pra carregar. Digamos que o OJ não é propício a conquistar novos leitores, mas ainda conseguimos renovar a ‘clientela’ com certa facilidade.

Me chamem de velho, me chamem de retrógrado, mas eu acho ridículo neguinho pensando que, só porque tem mil, duas mil pessoas visitando seu blog todos os dias atrás de posts sobre PORRA NENHUMA e ainda COMENTANDO sobre isso, acha que é mais que alguém.

O que incomoda é pensar que, pro lugar que as coisas estão se encaminhando, a Internet vai se tornar um lugar onde pisamos em ovos. O mundo real não nos oferece tantas ferramentas para difamar outras pessoas tão facilmente quanto a web oferece. Você pode optar por editoriar um jornal inteiro só pra expressar sua opinião ou escrever um post anônimo falando que o César do almoxarifado usa calcinha, ou que a Marta do recursos humanos tem bafo.

Ao forçar a onda colocando blogueiros em cima de um pedestal de serious business, tornando-os RELEVANTES, eles às vezes tornam as coisas um pouco mais complicadas pra quem usa a Internet apenas por diversão. Um exemplo é o que fizeram nas eleições do ano passado, quando já apertaram candidatos que faziam campanha eleitoral pela Internet.

Não é necessário citar o caso Cicarelli. A mina fode com o namorado na praia, nego assiste e ela RESOLVE FECHAR O YOUTUBE NO BRASIL. “Beleza, vamos fazer milhões de pessoas pagarem por o que VOCÊ FEZ”. Mesmo porquê, praticamente ninguém acessa o Youtube pra ver clipes musicais ou AMVs de Naruto - TODO MUNDO acessa o Youtube pra ver gente transando na praia.

Existem pessoas que gostam de politizar coisas por prazer, só pra criar empecilhos a serviços comuns. Se a onda pega, os blogueiros oldschool do futuro vão ser obrigados a possuir formação básica pra expressar suas opiniões na Internet. Me vejo falando pro meus netinhos: “Na época do vô, a gente podia falar o que quisesse e ninguém falava nada!”

Consigo imaginar os olhinhos deles brilhando.

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Dec-31-2008

Meus votos para 2009

- Espero que todo mundo PARE DE ENCHER O SACO com esse lance de “ah mimimi tomara que ano que vem seja melhor!!!”. Porra, todo lugar que eu vou tem nego falando disso, só falam em reveião, ano novo, passar de branco, praia, champanhe.

Vão se foder! Talvez não amanhã, mas sexta-feira todos os problemas DO MUNDO continuarão os mesmos. O trânsito vai continuar desesperador, a guerra em Israel vai continuar comendo solta e VOCÊ VAI CONTINUAR ACIMA DO PESO.

Vão às putas que vos pariram. Guardem os votos e as promessas para a hora da virada, porra!

Esse clima de festa JÁ DEU NO SACO.

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Dec-5-2008

Eu não suporto lasanha

Se Deus me concedesse o poder de eliminar apenas uma pessoa da história da humanidade, eu usaria todo o poder a mim instituído para banir da existência terrena a pessoa que inventou a Lasanha.

Porque essa, meu amigo, é a pior comida DO MUNDO.


Esta imagem te faz morder o monitor?

“Mas é impossível ver uma lasanha bonita assim e imaginar que ela é uma questão de calamidade pública, um atraso na política social da humanidade”, você deve estar pensando. Pois lembre-se, amigo: você está no Odeio e Justifico, não no Adoro e Saboreio.

Pra começo de conversa e para desencargo de consciência, lasanha é uma comida muito, muito gostosa. Mas particularmente, o impacto que o SABOR da lasanha não se compara em escala alguma ao impacto PSICOLÓGICO que ela implica. Cientistas do nordeste da Indochina, que de tanto pesquisar lasanhas esqueceram que a própria Indochina não existia mais, chegaram à conclusão de que, se existe uma verdade universal no mundo, é essa:

Falar que comer uma lasanha proporciona um prazer muito maior do que o ato de comê-la.

É batata. Ao pronunciar a frase “Hoje eu comi lasanha no almoço” em um ambiente aberto e habitado por cem seres humanos, ouvirá cento e catorze vezes a frase “Nossa, que delícia! Adoro lasanha!”. Aproveita-se o experimento e constata-se também que catorze pessoas naquela sala têm sérios problemas mentais e que precisam de acompanhamento clínico especializado.

Essa experiência social prova que a probabilidade de você receber tal resposta diante de tal afirmação é tão exata e confiável quanto a certeza de que sua língua sofrerá necrose em dezesseis segundos de contato direto com uma bateria de lítio em decomposição.

Antes que a comunidade científica decrete o fechamento deste blog por experimentos insensatos, vamos deixar isso de lado e vamos falar de culinária. O que é uma lasanha, afinal?

Lasanha é tanto um tipo de massa em folhas (normalmente ondulada na América do Norte mas não na Itália), como também um prato por vezes chamado Lasanha no Forno feito com camadas alternadas de massa, queijo e ragu (um molho de carne).

Ou seja, Lasanha é toda uma obra de engenharia que exige cálculos, camadas e muita mão de obra. É um prato trabalhoso de ser preparado. Para mãos não-treinadas, preparar uma boa e consistente lasanha é uma tarefa comparável à construir as Pirâmides do Egito com gelatina Royal, aquela do Bocão.

O grande problema da lasanha está exatamente na sua infra-estrutura. Como não é possível colocar ligas de aço reforçado e concreto para que ela mantenha a forma original, a lasanha precisa manter-se firme apenas com a força do pensamento e a esperança de que duas horas de trabalho árduo não virarão um grande molho de carne e queijo sobre seu prato. E é aí que mora o dilema: se eu quisesse comer carne moída e queijo com pedaços de macarrão, pra quê raios eu perderia horas brincando com esta versão comestível de Lego?

É como o suco de limão, outro dos piores alimentos da face da Terra. Se você coloca pouco açúcar, é praticamente impossível de tomar puro devido à acidez absurda do limão. Se você coloca muito açúcar, é como tomar um delicioso copo de água com açúcar. Porra, se é pra viver entre os extremos, porque eu não lambo uma tira de filé de baiacu preparado por meu tio Jorge, que é cego desde os treze anos?


Baiacu, o petisco preferido da criançada

Eu não aguento mais comer lasanha. Sinceramente. Aqui em casa comemos lasanha praticamente duas vezes por mês. Todo almoço de domingo é especial, mais elaborado - minha irmã é uma cozinheira de mão cheia. Pentelha, mas cozinha bem. Porém ela é VICIADA EM LASANHA!

- Hum, que fome. Vou fazer uma lasanha.

- Ah, que tarde de sábado chata, acho que vou fazer uma lasanha.

- A Internet não está funcionando. Arruma aí, enquanto eu faço uma lasanha.

- Oh, droga, bati a cabeça nesta quina do armário. Vou me recuperar fazendo uma lasanha.

Fica aqui fundada a Associação Internacional dos que Não Gostam de Lasanha, da qual sou o fundador e membro único. Quem estiver interessado em participar - ou criticar a existência desta controversa e polêmica associação - que se manifeste nos comentários.

E vale o aviso: o próximo post será a volta da OJincana, o lugar onde VOCÊ escolhe o próximo post. Até breve, boa lasanha!

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Nov-8-2008

Twittando e perdendo a razão

Uma das perguntas mais feitas pelos filósofos e aspirantes a pensadores em todos os tempos é: Qual o maior inimigo do ser humano? Pois caros leitores, fãs assíduos e pára-quedistas do Google. Venho através deste dizer que esta questão está com os dias contados - e que as soluções encontradas para este problema não são nada animadoras.

Cientistas do sul da Malásia ficaram ilhados por meses no teto de suas casas por causa de tempestades torrenciais e chegaram à conclusão de que o tédio é a maior moléstia à qual o ser humano pode se submeter.

Quando seres humanos estão tediosos, eles fazem besteiras. O ócio incentiva guerras, devasta civilizações e faz a gente engordar alguns quilinhos com idas e vindas da padaria do Seu Manuel, que serve roscas cobertas com leite condensado e côco ralado que são deliciosas e baratinhas.

Foi pensando em emagrecer alguns quilinhos que Evan Williams apresentou a última novidade - hoje já não tão nova assim - da Internet e no combate ao tédio virtual. O Twitter.

Pra quem passou os últimos vinte anos se alimentando de guano em cavernas escuras e perdeu as evoluções tecnológicas, a Internet começou a ser 2.0 em meados de 2006. Com o avanço das redes sociais como Orkut, Myspace e o próprio YouTube, a Internet passou a ser feita pelos próprios usuários. Chegava o fim a Era da Informação e começava a Era da Interação.

Evan Williams também é a mente por trás do Blogger, aqueela ferramenta medieval onde o OJ teve seus primórdios. Assim que Evan criou o Blogger, começou o fim do tempo virtual ocioso. Enquanto normalmente estariam conversando no ICQ ou bate-papos do UOL, os trilhões (!!!) de adolescentes desocupados e usuários do Blogger (redundância) começaram a varrer a Internet atrás de novidades para emporcalhar seus diários virtuais. A população de gifs epiléticos piscantes de bandas e celebridades alcançou níveis perigosamente altos e a novidade acabou se consumindo, enchendo o saco.

Como toda novidade, os blogs também perderam o hype. Somente os oldschool e alguns outros aventureiros continuaram investindo nisso. Outros desbravadores foram atrás de novas tecnologias, outras formas de passar o tempo. Vieram os fotologs, Videologs, sites de relacionamento. O passo final da evolução desta parte da Internet é o twitter.


- Ae mano fmz mas se nao vai fla ae pa noize o q eh esse tuiter mano????? noize queh sabe

O Twitter é a versão enxuta dos blogs. O sucesso dessa merda é tamanho que ganhou até termo próprio, micro-blogging: posts com limite de caracteres, frequentemente atualizado. O Twitter, no caso, permite até 140 caracteres por “post” e…

Vamos cortar o texto bem escrito, as definições complexas e todo o resto que ninguém se importa. Quem entra no OJ é porque gosta de ver o circo pegando fogo. Fato é que eu odeio o Twitter, e vou dizer porquê.

A única utilidade do Twitter é ocupar as tardes ociosas de um bando de gente que não tem o que fazer. A facilidade de postar besteira no Twitter é tão grande que a maioria dos usuários usa o serviço para mensagens interessantes como:

Claudinha: Acabei de almoçar, comi bife. Less than 2 seconds ago from web

Este é o chamado micro-blogging. O slogan do Twitter é “What are you Doing?”, traduzindo para os neandertais, “O que você está fazendo?”. Como se saber que a Claudinha comeu bife fosse a salvação da Internet, pessoas LOUVAM o Twitter e fazem dele a coisa mais importante de suas vidas, postando atualizações a cada quatro ou cinco segundos.

Marquinhos: Comprei um XBOX360. 1 minute ago from web
Marquinhos: Nossa ele tem jogos fodaaaa. 1 minute ago from from web
Marquinhos: Toma aí otários, XBOX360 >>> PS3  1 minute ago f from web
Marquinhos: @Robertinho você está com inveja porque eu tenho um e você não. Less than 2 seconds ago from web

Como visto neste último “micro post” de Marquinhos, o Twitter funciona da seguinte forma: se você escolhe por seguir as atualizações de certa pessoa, as atualizações aparecem na sua tela principal e você pode responder a ela através do próprio twitter. Essa interação é o que provavelmente dá a graça da coisa, embora eu continue não achando graça nenhuma.

Não é um vício, as pessoas apenas recorrem ao Twitter porque não têm nada pra fazer. Não é injusto dizer que TODOS, absolutamente TODOS os usuários do Twitter são desocupados. Pense da seguinte forma: enquanto você perde seu tempo fazendo um “post” no Twitter, você poderia fazer dois abdominais. Se o cara tem uma média de 50 posts por dia - e isso não é um exagero se tratando de Twitter -, eliminando os posts ele terá um abdômen definido.

Talvez no conceito fosse algo legal. As pessoas trocariam informações sobre alguma coisa, ou citariam coisas que estariam fazendo de interessante.

Jonas: Estou ouvindo o novo disco do Latino 1 minute ago from web
Borges: @Jonas e este disco tem boas músicas? 1 minute ago from web
Jonas: @Borges sim, reparei uma grande evolução musical no estilo deste artista único 1 minute ago from web

E temos aí um papo de alguma relevância. Mas o máximo que os twitters chegam é o seguinte:

Jonas: dae comi pao 1 minute ago from web
Borges: @jonas pao com q 1 minute ago from web
Jonas: @borges q de qjo?? 1 minute ago from web
Borges: @jonas pega no meu e da um bjo huahuauha 1 minute ago from web

Outra coisa sensacional é a narração de fatos bizarros em tempo real. Desde um ataque de formigas assassinas a uma invasão de robôs alienígenas gigantes chupadores de cérebros, os twitters adoram narrar eventos “interessantes”. Muitas vezes eles poderiam fazer alguma coisa para impedir isso de acontecer, mas deve ser muito mais emocionante se tornar uma celebridade online do que ligar para a polícia.

Marcelo_SK8: trabalhando no escritório novo, oitavo andar do prédio 19 minutes ago from web
Marcelo_SK8: dá pra ver meu carro daqui 16 minutes ago from web
Marcelo_SK8: aliás dá pra ver muitas gatinhas hehehe 7 minutes ago from web
Marcelo_SK8: tem um cara olhando pro meu carro 7 minutes ago from web
Marcelo_SK8: ele continua olhando 5 minutes ago from web
Marcelo_SK8: pqp, acho que tão roubando meu carro!! 4 minutes ago from web
Marcelo_SK8: aff acho que deixei a chave no contato… o cara tá saindo!!!  2 minutes ago from web
Marcelo_SK8: será que a seguradora cobre esse tipo de roubo??? #segurodecarro 1 minute ago from web
Marcelo_SK8: @Jonas dá pra acreditar que roubaram meu carro??? 1 minute ago from web
Jonas: dae comi pao… keh pao??? Less than 1 minute ago from web

Não que ter um blog seja algo melhor do que manter um twitter de sucesso e atualizado, coisa que muita gente TRABALHA pra conseguir. Eu só acho que escrever em um blog é menos retardado que twitter.

Eu deixo o exercício mental de imaginar o OJ como um blog de micro-posts para vocês leitores. Eu cometeria suicídio se conseguisse imaginar isso.

Alguem ker pao?

Update + Jabá

O Blog mais quente da atualidade é o SAC Divino, o blog corporativo mais aguardado dos últimos dois mil anos. Faça suas perguntas e ninguém menos que Ele responderá com toda o carinho que o Criador tem com sua criatura.

Categorias: Indignação inútil
Oct-30-2008

Jovem, aprenda a viver

Tome os caminhos errados. Os caminhos certos levam a futuros conhecidos. Qual a graça de saber pra onde se está indo? Qual a vantagem de se saber o que há no final da estrada?

Esqueça o passado, ignore o futuro. Você não vive mais há quatro anos e não precisa saber o que vai ser daqui quarenta. Viva apenas o presente, faça apenas o que acha divertido. Qual a graça da vida se não fizermos apenas o que queremos?

Lembre-se: somente os fracos se apegam a objetivos. Você já conhece a vida o bastante pra não encarar tudo no peito. Faça apenas o que achar conveniente, deixe o futuro acontecer.

Torne-se adepto do “deixe rolar”. O mundo é redondo.

Tenha o maior número de pecados capitais o quanto for possível. Orgulho, preguiça, luxúria, avareza, gula, vaidade, ira. Tudo que é bom é proibido.

Aprenda a devolver tudo na mesma moeda: seja mal compreendido, seja mal educado, seja malandro. Não há graça alguma em atingir o alvo sem sentir o cheiro da pólvora.

Tome atitudes impensadas. Aja por instinto, você herdou isso dos macacos. Aprenda a correr antes de caminhar, aprenda a gritar antes de ouvir. Cometa erros, troque os pés pelas mãos.

Compre roupas, sapatos, acessórios, cremes, perfumes, bijuterias. Sua vida não te agrada? Vire a mesa, a cadeira, os copos, tudo de uma só vez.

Troque tudo, desde os amigos até os móveis do seu quarto. Jogue o velho fora, adquira o novo. Gaste o que precisar pra te fazer bem.  E depois reclame. Muito.

Destrua seus inimigos, um a um. No final você reinará absoluto, sem objetivos nem rivais. Não era isso que você queria? Adquira novos inimigos e repita o primeiro passo.

Os amigos? Faça uma lista do que cada um tem a oferecer e mantenha somente os que ultrapassam os vinte itens. Os outros, bote a culpa no destino.

Faça amizades descartáveis apenas por conveniência.

Esqueça o amor. Siga os mesmos passos acima em relação a pessoas que te despertam tesão. Apenas tesão.

Reinvente conceitos. Se o mundo força a existência de certo e errado, faça tudo ao seu jeito. O certo é previsível, o errado é inesperado. Surpresas são legais, mesmo que sejam ruins.

Não tenha filhos, você não pode curtir a vida com uma âncora amarrada ao pé. Aliás, o mundo já é um lugar bem cheio de gente.

Acredite em horóscopo, búzios, tarô, mandinga, macumba. Faça vudu. Acredite que as pessoas são o que são única e exclusivamente porque algumas estrelas estavam no lugar errado, na hora errada. Leia apenas  Paulo Coelho.

Entre para a faculdade de psicologia. Quarenta reais a hora só pra balançar a cabeça e ouvir problemas alheios. A vida não pode ficar melhor que isso.

Viva, jovem, viva!

Saiba que esta é a única vida que você tem, mas faça dela a melhor vida que você já viveu.

dedicado a quem se identifica, inspirado em alguém

Categorias: Indignação inútil
Apr-5-2008

Encontro do conhecimento com a oportunidade

Que o mundo tá cheio de coisas ruins, todo mundo sabe. Coisas ruins pra caralho. Tem gente jogando criança da janela. Eu acho que jogar crianças deve ser mais divertido que jogar ovos, conforme dito aqui eras atrás. Deve ser tão legal quanto arremessar um gato do vigésimo sétimo andar.

Pessoas assim são presas, pagam por seus pecados. Mais do que justo. Pessoas boas vão sofrendo com os infortúnios do infame acaso. Eu me considero uma pessoa boa. Nunca joguei criança de janela.

Eu, por exemplo, estou passando por uma maré de azar infinita. É como se Deus inundasse toda a superfície do planeta com gasolina. Dá pra nadar, até. Então Deus, que é um cara maroto, risca um palito de fósforo divino e o arremessa em direção ao oceano inflamável no exato momento que eu alcanço terra firme.

Como se não bastasse as moléstias das últimas semanas - virose, o dente do siso, o pé na bunda - acontecem pequenas catástrofes que fazem tudo piorar. Não vou negar que estou numa fase emo e passando por dias seguidos de fossa profunda. Eu sei que não combina e tal, aliás minha vida pessoal não é das mais interessantes, mas é verdade. Tem dias que não dá vontade de sair da cama - embora eu tenha a consciência de que ocupar a cabeça é necessário. É como eu sempre digo: cabeça vazia é o Photoshop do diabo.

Um pequeno probleminha aconteceu com o curso de inglês da minha irmã. Algo que eu nunca pretendia ter dor de cabeça, mas acabou se transformando num beliscão no mamilo que me perturba todo mês, depois do dia 20. O problema é que eu passei seis cheques pré-datados - nem sei pra que são, provavelmente parcelas da matrícula - para todo dia 10 de cada mês.

O setor financeiro dessa escola de idiotas, digo, idiomas, deve ser formado por profissionais tão preparados quanto homens das cavernas. Os documentos devem ser talhados à pedra, quando não desenhados na parede utilizando-se de tinta feita de sangue de macaco e raízes. A locomoção deve ser feita através de mamutes, já que sempre atrasam vinte dias pra depositar um cheque. A matemática no entanto é avançada: se você tem seis cheques para serem descontados em seis meses, você pode depositar um por mês ou depositar dois de cada vez.

Poupa tempo, poupa mamute. Tem como ser melhor que isso?

Na quarta-feira, 2, ciente de que ainda não haviam descontado nada e que havia contas a pagar, depositei R$ 250 reais em minha conta. Vou dizer que “não é muito, mas é o necessário” pra você não pensar que eu sou um pobre fodido que junta moedas dos trocos das calças dos seus tios pra trocar no final do mês. Então, não é muito mas é o necessário pra pagar tais contas. Depositei e fiquei um pouco mais tranquilo. Dinheiro na minha mão é dinheiro gasto com pão-de-queijo e Coca-Cola, pelo menos no banco está protegido.

A questão é que depositaram dois cheques no dia 1° de abril. Claro, só podem estar de sacanagem com a minha cara. Fui Rick Rolled na vida real. Quando fui tirar um extrato, esperando um trocadinho sobrando pra comprar um jornaleco pela manhã, descobri não só que haviam feito tal cagada em minha conta como me fizeram ficar DEVENDO.

Vamos às contas. Eu não tinha nada no banco no dia 1°, me tiram 250. Meu cheque especial cobre 210, então os outros 40 são cobrados em forma de TARIFA DE EXCESSO. Eu nunca entendi porque chamam cheque especial de especial. Tratam isso como se fosse uma coisa boa. Porra, tu usa o tal do cheque especial só quando fica extremamente na merda. Eu nunca usei e quando preciso fico devendo 40 conto?

Engraçado que minha queria avó me emprestou 20 malandros pra emergências. Comi pão de queijo e Coca-Cola no curso, olha que beleza. Com direito a reação em cadeia: um imbecil derruba uma garrafa de água, que bate na lata de Scrwherpeps, que vira praticamente em cima de mim, que tento desviar, tombo a cadeira e me safo de uma queda no meio do pátio da faculdade através de um sopro divino, que entortou a perna de plástico da cadeira o suficiente pra manter minha dignidade. Seria divertido cair e todo mundo rir da minha cara. Eu me divertiria mais que eles, com certeza.

Porque minha filosofia no momento é essa: uma vez na merda, não tem graça sair dela sem chafurdar um pouco.

***

Se eu interpretar isso como má sorte, é só mais uma posição a mais na minha playlist. Eu nunca participei de promoções por algo que pode se considerar uma mistura de desânimo com descrença.

É, de fato, difícil encanar meu lado racional quando este me impede de tomar decisões do tipo “vou comprar este número de rifa”. Ou de qualquer tipo de promoção, sorteio, leilão ou venda de escravos depois da má sorte que me acometeu quando ainda era um gordinho roliço e rosado.

Ainda na segunda série, no auge dos meus oito anos, a professora fez uma rifa de um objeto de valor inestimável: um pano de prato bordado. Como se fosse o velo de ouro das histórias que eu não lembro o nome, eu estendi meu braço curtinho a uma velocidade supersônica - testemunhas dizem que atingi Mach-2 naquele momento. Sabe-se lá porquê, mas eu comprei a rifa daquele… pano de prato branco. Eu realmente não lembro nenhum motivo, simplesmente aconteceu.

Fato é que eu competia com apenas mais uma pessoa na rifa. Afinal de contas, quem PAGA 2 malandros pra CONCORRER a um PANO DE PRATO? Quando se tem oito anos, na minha época, 2 reais era dinheiro suficiente pra proporcionar os maiores prazeres aos quais uma criança tem acesso. Elma Chips e chicletes underground com tazo, bolinhas de gude ou linha de pipa de quatrocentas jardas estavam nesta faixa de preço e a alegria que você tinha em escolher seu alvo dependia da modinha da rua.

Não sei quem falhou miseravelmente: Eduardo, o outro concorrente, que levou o prêmio máximo e fez a alegria de sua mãe; ou eu, que não ganhei absolutamente nada.

Hoje eu sei que grandes merda ele ter ganhado o pano de prato, aliás todo pano de prato é viado mesmo.

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