Archive for the ‘Indignação inútil’ Category

Apr-5-2008

Encontro do conhecimento com a oportunidade

Que o mundo tá cheio de coisas ruins, todo mundo sabe. Coisas ruins pra caralho. Tem gente jogando criança da janela. Eu acho que jogar crianças deve ser mais divertido que jogar ovos, conforme dito aqui eras atrás. Deve ser tão legal quanto arremessar um gato do vigésimo sétimo andar.

Pessoas assim são presas, pagam por seus pecados. Mais do que justo. Pessoas boas vão sofrendo com os infortúnios do infame acaso. Eu me considero uma pessoa boa. Nunca joguei criança de janela.

Eu, por exemplo, estou passando por uma maré de azar infinita. É como se Deus inundasse toda a superfície do planeta com gasolina. Dá pra nadar, até. Então Deus, que é um cara maroto, risca um palito de fósforo divino e o arremessa em direção ao oceano inflamável no exato momento que eu alcanço terra firme.

Como se não bastasse as moléstias das últimas semanas - virose, o dente do siso, o pé na bunda - acontecem pequenas catástrofes que fazem tudo piorar. Não vou negar que estou numa fase emo e passando por dias seguidos de fossa profunda. Eu sei que não combina e tal, aliás minha vida pessoal não é das mais interessantes, mas é verdade. Tem dias que não dá vontade de sair da cama - embora eu tenha a consciência de que ocupar a cabeça é necessário. É como eu sempre digo: cabeça vazia é o Photoshop do diabo.

Um pequeno probleminha aconteceu com o curso de inglês da minha irmã. Algo que eu nunca pretendia ter dor de cabeça, mas acabou se transformando num beliscão no mamilo que me perturba todo mês, depois do dia 20. O problema é que eu passei seis cheques pré-datados - nem sei pra que são, provavelmente parcelas da matrícula - para todo dia 10 de cada mês.

O setor financeiro dessa escola de idiotas, digo, idiomas, deve ser formado por profissionais tão preparados quanto homens das cavernas. Os documentos devem ser talhados à pedra, quando não desenhados na parede utilizando-se de tinta feita de sangue de macaco e raízes. A locomoção deve ser feita através de mamutes, já que sempre atrasam vinte dias pra depositar um cheque. A matemática no entanto é avançada: se você tem seis cheques para serem descontados em seis meses, você pode depositar um por mês ou depositar dois de cada vez.

Poupa tempo, poupa mamute. Tem como ser melhor que isso?

Na quarta-feira, 2, ciente de que ainda não haviam descontado nada e que havia contas a pagar, depositei R$ 250 reais em minha conta. Vou dizer que “não é muito, mas é o necessário” pra você não pensar que eu sou um pobre fodido que junta moedas dos trocos das calças dos seus tios pra trocar no final do mês. Então, não é muito mas é o necessário pra pagar tais contas. Depositei e fiquei um pouco mais tranquilo. Dinheiro na minha mão é dinheiro gasto com pão-de-queijo e Coca-Cola, pelo menos no banco está protegido.

A questão é que depositaram dois cheques no dia 1° de abril. Claro, só podem estar de sacanagem com a minha cara. Fui Rick Rolled na vida real. Quando fui tirar um extrato, esperando um trocadinho sobrando pra comprar um jornaleco pela manhã, descobri não só que haviam feito tal cagada em minha conta como me fizeram ficar DEVENDO.

Vamos às contas. Eu não tinha nada no banco no dia 1°, me tiram 250. Meu cheque especial cobre 210, então os outros 40 são cobrados em forma de TARIFA DE EXCESSO. Eu nunca entendi porque chamam cheque especial de especial. Tratam isso como se fosse uma coisa boa. Porra, tu usa o tal do cheque especial só quando fica extremamente na merda. Eu nunca usei e quando preciso fico devendo 40 conto?

Engraçado que minha queria avó me emprestou 20 malandros pra emergências. Comi pão de queijo e Coca-Cola no curso, olha que beleza. Com direito a reação em cadeia: um imbecil derruba uma garrafa de água, que bate na lata de Scrwherpeps, que vira praticamente em cima de mim, que tento desviar, tombo a cadeira e me safo de uma queda no meio do pátio da faculdade através de um sopro divino, que entortou a perna de plástico da cadeira o suficiente pra manter minha dignidade. Seria divertido cair e todo mundo rir da minha cara. Eu me divertiria mais que eles, com certeza.

Porque minha filosofia no momento é essa: uma vez na merda, não tem graça sair dela sem chafurdar um pouco.

***

Se eu interpretar isso como má sorte, é só mais uma posição a mais na minha playlist. Eu nunca participei de promoções por algo que pode se considerar uma mistura de desânimo com descrença.

É, de fato, difícil encanar meu lado racional quando este me impede de tomar decisões do tipo “vou comprar este número de rifa”. Ou de qualquer tipo de promoção, sorteio, leilão ou venda de escravos depois da má sorte que me acometeu quando ainda era um gordinho roliço e rosado.

Ainda na segunda série, no auge dos meus oito anos, a professora fez uma rifa de um objeto de valor inestimável: um pano de prato bordado. Como se fosse o velo de ouro das histórias que eu não lembro o nome, eu estendi meu braço curtinho a uma velocidade supersônica - testemunhas dizem que atingi Mach-2 naquele momento. Sabe-se lá porquê, mas eu comprei a rifa daquele… pano de prato branco. Eu realmente não lembro nenhum motivo, simplesmente aconteceu.

Fato é que eu competia com apenas mais uma pessoa na rifa. Afinal de contas, quem PAGA 2 malandros pra CONCORRER a um PANO DE PRATO? Quando se tem oito anos, na minha época, 2 reais era dinheiro suficiente pra proporcionar os maiores prazeres aos quais uma criança tem acesso. Elma Chips e chicletes underground com tazo, bolinhas de gude ou linha de pipa de quatrocentas jardas estavam nesta faixa de preço e a alegria que você tinha em escolher seu alvo dependia da modinha da rua.

Não sei quem falhou miseravelmente: Eduardo, o outro concorrente, que levou o prêmio máximo e fez a alegria de sua mãe; ou eu, que não ganhei absolutamente nada.

Hoje eu sei que grandes merda ele ter ganhado o pano de prato, aliás todo pano de prato é viado mesmo.

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Mar-24-2008

Sobre dentistas, dinossauros e góticos bebedores de sangue

Desde a primavera da raça humana, o homem vem buscando formas de proporcionar o maior desprazer possível ao semelhante. Seja na forma de carros de som alto, vizinhança barraqueira ou apenas sendo inconveniente, seus semelhantes sempre vão lhe abençoar com a pior forma de moléstia possível quando acham necessário.

Em época de guerra costuma-se enfiar a cabeça do prisioneiro em água gelada. Nas favelas do Rio de Janeiro, policiais mostram o saco. Na China, costumava-se amarrar os membros de uma pessoa a uma mesa. Uma vez imobilizada, cordas eram amarradas em seus pés e um jarro de água gelada colocado sobre sua cabeça. Enquanto gotas caíam incessantemente em sua testa, seus membros inferiores eram esticados pelas cordas. Fora a dor, os pingos d’água constantes davam uma sensação de desespero às vítimas, que entravam em pânico.

Mas pra quê tanta criatividade quando a pior moléstia do ser humano é uma profissão regulamentada e que ganha bem pra caralho pra rir da sua cara?

Cientistas da Nova Guiné chegaram à conclusão de que os dentistas são os seres mais assustadores que já andaram livres pela face da Terra desde a época dos dinossauros.


Ele faz esse sorrisão porque não conheceu a Dra. Juliana.

Entendo que deve ser uma profissão difícil, assim como qualquer outra da área da saúde. Os urologistas, por exemplo, trabalham pra pegar em pirocas alheias. Acho que uns 70% dos ginecologistas escolhem esse ramo pensando em sacanagem e se arrependem depois que descobrem que as coisas não caminham lá muito por esse lado, quando a dona Lourdes resolve fazer sua consulta semestral.

É preciso ser meio sádico e abdicar um pouco do seu lado humano para ser um bom dentista. Agonia, dor e sofrimento alheios perdem o significado quando você tem na mão objetos cortanes, barulhentos e amedrontadores como aquele bisturi maroto que corta concreto, aquelas garrinhas que arranham adamantium e a maldita broca. Ah, a broca.

Eu me submeti a uma experiência de quase morte nesta manhã. Esperava encontrar uma cirurgia difícil mas tranqüila, graças à eficiência e confiança dos sedativos e a anestesia, uma dupla que sempre foi boazinha comigo. Todos falam que o dente do siso é o “dente do juízo”. A verdade é que hoje eu quase perdi os dois, tanto o dente quanto o juízo.

A dra. Juliana não é das mais tranqüilas do universo. Ela parece com aquele coelho maluco do país das maravilhas, que sempre corre contra o relógio. Às vezes eu penso que ela fica brincando de time trial, cronometrando o tempo gasto numa obturação. Sempre tive dentistas mulheres, apenas um homem, e sempre fui um cliente exemplar. Nem quando criança reclamava de dor, e olha que fiz CINCO OPERAÇÕES DE CANAL até os 12 anos. Não enche meu saco, eu não sabia usar o fio dental ó.

Mal pisei no consultório e a doutora me pede pra entrar e sentar, enquanto preparava a anestesia e a assistente fazia alguma coisa que não era muito importante. Aquelas cadeiras de dentista podem parecer confortáveis, mas colaboram tanto quanto uma daquelas mesas de tortura chinesa que citei no início do post.

- Posso ficar o tempo todo de olhos fechados, certo?
- Pode sim.

A anestesia fazia efeito e a dentista dizia o que eu poderia ou não fazer após a cirurgia. Confesso que pra mim foram cinco minutos de “mimimi mimimi mimimi”. Não lembro o que ela fez primeiro, na verdade lembro de pouca coisa tamanho foi o trauma. FALANDO SÉRIO: me sinto mal ao lembrar do que aconteceu naquele consultório. Fico lembrando das coisas e tal mas SOU PROFISSIONAL ó.

Meu dente do siso mal aparecia, não tinha nascido ainda. Se você olhasse bem pro canto dele e tivesse a cabeça aberta a novas experiências, iria imaginar que aquela bolinha branca embaixo do último dente era um dente e ele estava dizendo “estou dibowa aqui, pego só as sobras de comida, não corta meu barato não plz”. A extração seria difícil e eu tinha noção disso, mas não sabia que seria tão aterrorizante.

Foi então que ela me apresenta uma nova ferramenta típica dos dentistas. Algo como um prendedor de cabelos que tinha a função de pé-de-cabra. Vamos chamá-lo por esse nome, que basicamente explica o que ele faz.

O dente não queria sair. Ele tava bem no lugar dele, não tava me dando problema algum e eu não tava me sentindo muito bem com a idéia de ter um filho assim, tão novo. Ela enfiava o pé de cabra e puxava numa força absurda, enquanto urrava pra eu não mover a cabeça.

- Agora não mexe a cabeça. Isso, queixo lá em baixo.
- AHAM - eu dizia, sem movimentar um músculo. Eles devem ter aulas de interpretação na faculdade.
- Se doer, você levanta o braço e a gente pára. Mas não vai doer, tá anestesiado.

O pé-de-cabra continuava sua ação arrasadora. A doutora não fazia conta do tamanho do esforço que era manter a cabeça imóvel e o queixo encostado no peito enquanto um pedaço de metal está tentando arrancar sua alma de dentro de você. O cabo da ferramenta pegava no canto da boca, causando uma dor aguda horrível. Imagine uma faca de pão arrastando sua serra pelo canto dos seus lábios e você terá idéia do estupro a qual fui submetido.

Ela alternava o uso do pé-de-cabra com a broca, talvez abrindo espaço entre o dente do fundo e o siso. A broca libera uma água de sabor horrível e pra não movimentar a cabeça, o ideal era a assistente usar a mangueirinha de sucção pra justamente sugar essa água. A assistente poderia ser substituída por uma carranca, daquelas de madeira e que assustam pra caralho as criancinhas, que ninguém iria sentir sua falta. Como quem não ajuda atrapalha, ela esbarrava a mangueira na broca, fazendo a dentista obturar minha gengiva da mesma forma que uma britadeira perfura um pote de manteiga.

Minha reação foi u “AH AHRHALHO”, seguida de um braço direito erguido violentamente em direção aos céus e foi aí que eu entendi que dentistas não sabem interpretar porra nenhuma e nada seria capaz de pará-la naquele momento. Certamente se eu fosse capaz de fitar os olhos da doutora, ela estaria com eles bem arregalados e as pupilas dilatadas, mostrando um prazer imenso na quantidade absurda de sangue que tinha sido liberada.


- “Que maravilha, descobri petróleo”, pensou a doutora.

O clima começava a ficar tenso à medida que ela fazia os movimentos mais bruscos do universo e eu não mantinha a cabeça parada. Se um mecânico enfiasse uma chave de fenda embaixo do seu dente e aplicasse uma força capaz de deslocar a Terra de sua órbita, e seu pescoço fosse feito de uma liga indestrutível, talvez você conseguisse tal proeza. Eu não conseguia, e ela mostrava sinais de que estava tão nervosa quanto eu com a dificuldade da cirurgia.

Eu nunca vi uma dentista naquele estado. Chegou um ponto que ela começava a falar coisas sem sentido como “nem criança dá esse trabalho” e coisas assim. Não sei quais crianças ela andou tratanto, mas eu quero comer o que elas comem pra agüentar tal tortura.

Então ele nasceu. Um meninão, grandão, saudável. Ela quis me mostrar mas eu não sou uma boa mãe e quis distância do meu filho recém-nascido. Darei-lhe o nome de Afonso, se eu um dia me encontrar com minha prole novamente. Espero que ele não queria ter irmãozinhos.

O resultado de tudo isso é que me sinto menstruado. Desde as 10 horas da manhã o local não pára de sangrar, mesmo com os medicamentos, gelo e até os pedaços de pano que ela pediu que eu enfiasse na boca e mordesse. Nada funciona. Esta noite vou dar uma volta pelos cemitérios da cidade buscando alguma vampira gostosa ou góticos querendo beber sangue em crânios humanos. Deve existir alguma utilidade para os vinte litros de sangue que deixei correr ralo abaixo. Sabe como é, não pode rolar desperdício.

Pra falar a verdade, tudo não passa de desculpa pra faltar do trabalho e passar o dia todo comendo sorvete.

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Feb-6-2008

5 motivos para odiar o Carnaval: Quarta-feira de Cinzas

A Quarta-feira de cinzas marca o fim do Carnaval. “Mas não era pra você estar COMEMORANDO?”. Não!

Na Quarta-feira de Cinzas acaba o Carnaval, e com ele os feriados de graça. Porém se você não sabe, o Carnaval NÃO É feriado.

Então BORA TRABALHAR, molecada, que o trabalho enobrece o homem.

Este post finaliza a série “5 motivos para odiar o Carnaval”, que entrou para a história como a primeira série de posts que passou do SEGUNDO em toda a vida do Odeio e Justifico. 5 posts em 5 dias, meu vocabulário está totalmente saturado e meu cérebro não consegue mais pensar.

Créu, créu, créu.

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Feb-5-2008

5 motivos para odiar o Carnaval: Dança do Créu

MC Créu - Dança do Créu
Mc Créu

É creu é creu neles é creu nelas
Bora que vamos, bora que vamos.

Pra dançar creu tem que ter disposição
Pra dançar creu tem que ter habilidade
Pois essa dança ela não é mole não
Eu venho te lembrar são cinco velocidades

Pra dançar creu tem que ter disposição
Pra dançar creu tem que ter habilidade
Eu venho te lembrar que ela não e mole não
Eu venho te falar que são cinco velocidades

A primeira é devagarzinho, e só aprendizado hein
É assim o…
Creeeuuu creeeuuu creeeuuu se ligou de novo creeeuuu
creeeuuu creeeuuu

Numero dois

Creeuu creeuu creeuu creeuu creeuu creeuu, continua
fácil né, de novo creeuu creeuu creeuu creuu creeuu
creeuu

Numero três

Creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu
creuu creuu creuu tá ficando dificil hein.. Creuu
creuu
creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu creuu
creuu ..

Agora eu quero ver na quatro hein
Creu tá aumentando mané
creu creu creu creu creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu ..

Segura dj vou confessar a vocês que eu não consigo a
numero cinco hein dj velocidade cinco na dança do
creeuu..
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu..
hahahahaha ..
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu creu creu creu creu creu creu creu creu creu
creu
creu ..

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Feb-4-2008

5 motivos para odiar o Carnaval: Álcool

Vamos nos concentrar na cerveja. Porquê não vejo ninguém bebendo CONHAQUE no meio da folia, ok?

- Mas como? Ofender a bebida sagrada de todo homem é como rasgar os próprios testículos com uma faca cheia de AIDS.

O Carnaval é, acima de tudo, uma época de beber cerveja. Mas não somente beber, é necessário entornar, destruir, enxugar, acabar com todo o estoque de caixas de latinhas de cerveja de todos os supermercados da região. O culto à cerveja é tão irracional que faz o ser humano considerar GOSTOSO um negócio que tem cor de urina, cheiro de urina e em muitos casos, gosto de urina.

Não mencionando ainda o estrago que esta praga social causa. Eu não sou muito de beber - juro que agora cortei a bebida do meu cardápio, por razões pessoais - mas já tive meus porres. Porres de cerveja. Tenho tolerância alta, posso beber uma quantidade considerável sem dar nenhum sinal mas, quando eles aparecem, são sutis e humildes como uma guerra entre dinossauros armados com lasers.

Acho que a principal graça da cerveja não está no gosto, mas no fato de ser um instrumento social. Vamos debater isso mais tarde, por enquanto eu apenas quero dizer que não sou contra o consumo, porém quero do fundo do coração dizer que beber demais é cair em desgraça no meu conceito. Não há nada que eu tenha mais nojo do que pessoas bêbadas, falando enrolado, perdendo a razão e gritando descontroladas. Quero que morram. Att. A direção.

Não consigo imaginar de onde vem o instinto humano de achar graça em falar com a desenvoltura de um doente mental, ter reflexos reduzidos a não mais do que um velho bêbado com câncer em estado terminal e que FEDE. Isso mesmo, amigo. Você não sente, mas antes de levantar o primeiro copo de cerveja para impressionar aquela garota super descolada que você encontrou na festa de ontem, saiba que quando bebe você FEDE MUITO.

Lembram-se das canecas penduradas no pescoço que eu falei? Elas têm uma função muito especial aqui: demonstram status social. Não na sociedade normal, onde trabalhadores procuram seu lugar ao sol frente ao monstro capitalista que quer nosso dinheiro para alimentar sua fome de destruição. O status social dos foliões basea-se no tanto de festas que eles já foram, e isso se descobre contando-se o número de abadás e de canecas de festas.

Isso nos faz lembrar dos nossos antepassados das cavernas. Como tinham habilidades em artesanato comparadas a um urso polar, não eram lá muito bons em criar objetos. Nunca vi um urso polar tricotando um suéter. Suas conquistas baseavam-se em vitórias sobre povos rivais, que depois de derrotados eram saqueados. Assim os vencedores adquiriam armas, comida e roupas, além de iPods e celulares.

Sejam raves, micaretas ou baladas comuns, lá estarão elas, imponentes, carregadas com orgulho na altura do umbigo. Homem ou mulher, a caneca é um acessório indispensável para qualquer balada. E talvez pelo mesmo motivo de achar a cerveja deliciosa, acham que as canecas são acessórios bonitos e atrativos.

E que fique registrado: não existe algo capaz de acabar com o charme de uma mulher do que ela estar empunhando uma latinha de cerveja. Isso acompanhado de um cigarro na outra mão me faz retirar seu nome da minha lista de QUERO COMER e imediatamente colocá-la na lista de QUERO CHUTAR ATÉ A MORTE.

Pense nisso e beba suco de laranja.

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Feb-3-2008

5 motivos para odiar o Carnaval: Carnavais de rua

O Carnaval era uma festa bonita bonita quando ainda existia inocência, ou pelo menos era decente. As antigas Marchinhas hoje são substituídas pela Dança do Créu e encontram refúgios nos gritos de torcida nos estádios de futebol. As festas de salão agora só acontecem quando a famosa produtora de filmes brasileiros - duh - Brasileirinhas decide que é hora de lançar um DVD duplo com o tema CARNAVAL.

Porém o Carnaval não se resume a Escolas de Samba. Temos também os carnavais de rua, que pelo menos aqui no Sudeste se resume a tentar imitar - e falhar miseravelmente - o carnaval da Bahia.

Carnavais de rua agora constituem uma legião de bêbados(as), desocupados(as) e vagabundos(as) que acham que ser pisoteado atrás de um trio elétrico é divertido pra caralho, enquanto filhos são fabricados próximos ao pneu de trás do caminhão.

Caminhão aliás que às vezes perde o freio e atropela uma caralhada de gente.

- AE GENTE OLHA O CAMINHÃO CHEGANDO
- CHIIIIIIIIIIIIICLEEEEEEEEEETE OBA! OBA!
- NÃO LOL TÔ FALANDO SÉRIO OLHA O CAMINHÃO
- FUDEU LOLOL SOU PRAIEROO SO GUERREIROO TO SOLTEIRO

Vamos usar como exemplo as micaretas, que simplesmente são a desculpa de quem gosta de ser pisoteado e empurrado, esmagado e urinado em qualquer mês que NÃO seja fevereiro. Coisa muito comum quando se tem outros ONZE meses pra pular.

Certo dia cheguei com mamãe numa conhecida loja de roupas da cidade, onde trabalha minha tia, e no enorme monitor de plasma rolava o DVD da Banda Eva. Enquanto as duas conversavam, fiquei observando o DVD, que era bem produzido e editado. Não digo que as músicas ou os músicos eram ruins, simplesmente não batem com meu gosto musical. Eis que o atendente, mocinho arrumadinho e provávelmente voraz pegador de mocinhas, vem puxar assunto.

- Cara, Ribeirão Folia tá chegando hein.

Se a intenção dele foi parecer simpático, ele conseguiu. Porém falhou miseravelmente na escolha do tema, já que presumiu que, já que eu estava observando o ÚNICO monitor de plasma da loja rodando um DVD que muito provavelmente ele mesmo colocara ali mais cedo, eu era um grande fã de axé e adorava micareta.

- É né, nossa. - não iria mandar um cara tão simpático e bonitinho tomar no cu de imediato, vamos ver o que ele pode produzir.

- Tá 200 conto o abadá, cara.
- Porra, 200 conto?!
- É… pô, mas vale a pena, né?
- Ah cara, eu não pagaria hahasdçlkhasçkldfg

Antes que você pergunte, eu não costumo usar a cedilha na risada da vida real.

- Amigo meu foi ano passado, cara. Ele pegou 27 meninas lá, sem nem conversar.
- NOSSA hasçldhkasdf
- Elas já chegam beijando lá cara
- Agora que tu tá falando, acho que vale a pena sim, hein!!! - falsidade conserva amizades.

A conversa não se prolongou muito, eu era curto nas respostas porque afinal não havia muito o que falar. Embora ele conversasse comigo como se me conhecesse há 20 anos, éramos de universos diferentes e jamais seríamos amiguinhos. Me despedi e ficou por isso mesmo.

Eu cheguei à conclusão que se você conhece um micareteiro, conhece todos. Falam do mesmo jeito, sobre os mesmos assuntos e caso você os pegue fora do expediente, provavelmente terão uma caneca pendurada no pescoço. Higiene é tudo, mesmo num ambiente que pessoas enchem canecas de urina e jogam pra quem tiver perto abrir a boca e tomar um pouco, na intenção de ingerir cerveja.

Outra coisa interessante é o fato de todo micareteiro tratar os grandes astros do Axé como se fossem pessoas da família.

- Ahhh cê viu o show da Ivetinha? Nossa tdb!!
- Nossa, super showwww!!! Eu fui no da Claudinhaaa muito bommm rs
- husauhashuas
- uhsahuashuas pose pra foto
- :*
- :* Essa vai pro orkut husahuas

Tudo é registrado com câmeras digitais baratas, sendo que todas as fotos são iguais. Geralmente só mudam de posição, levantam uma perna, fazem biquinho, todo mundo de óculos escuros, coisa do tipo. Sempre achei fotos posadas uma coisa ridícula, mas neste caso a barreira do cúmulo do absurdo tem a mesma espessura de uma bolha de sabão, e estas pessoas a atravessam com uma retroescavadeira movida a fissão nuclear.

Eu tenho que colocar um exemplo, mas prefiro preservar a identidade das pessoas.


Se minhas amigas lerem meu blog, o que eu definitivamente acho que não acontece,
irão me matar lentamente. Não sei porque, mas prefiro que façam isso estando nuas.

Sobre os abadás não há muito o que falar além do que já foi dito aqui.

E isto encerra o assunto de hoje. O que é um fato inédito, acho que é a primeira vez que eu realmente faço uma seqüência para um post.

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Feb-2-2008

5 motivos para odiar o Carnaval: Carnaval de Bundas

Pule o Carnaval com o Odeio e Justifico!

O Carnaval é a festa mais popular do Brasil. Somos um povo alegre, que gosta de baderna. Está em nosso semblante. É o que nos identifica mundo afora. Se você entrar num aeroporto com 500g de cocaína, você é um traficante e será preso, não antes de sofrer traumatismos tão sutis quanto uma escavadeira agredindo seu abdômen. Mas se caso você conseguir colocar uma morena de quadris largos em trajes sumários, você é brasileiro e será convidado a mostrar a ginga e o suíngue da terra do Carnaval.Gosto de ver as Escolas de Samba pela televisão. O incentivo, digamos, seja 90% pelos sambas-enredo e 10% pelas gostosas.

Ok, 20%.


Precisa MESMO de legenda?

Alimentar o Carnaval de Bundas é alimentar a imagem de que vivemos todos na Amazônia, dividimos nossas casas macacos, cobras e índias seminuas, enquanto onças e leopardos invadem nossos quintais.

Aliás, se você não tem medo de telejornais e certamente acredita que eles não são manipulados pelos patrocinadores para fazer você sentir medo e investir em segurança, provavelmente ouviu falar do carro da Viradouro que foi proibido de desfilar por causa do tema, o Holocausto.

Justiça proíbe Viradouro de levar carro do Holocausto à Sapucaí

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Justiça do Rio de Janeiro proibiu nesta quinta-feira a escola de samba Viradouro de levar para a avenida no domingo o carro alegórico do Holocausto, representado por vários cadáveres nus empilhados e que teria uma pessoa vestida de Hitler sobre os corpos. A juíza Juliana Kalichszteim, plantonista da Justiça estadual, concedeu liminar em favor da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) determinando multa de 200 mil reais caso a escola leve à Marquês de Sapucaí a parte do carro que retrata o extermínio. O carro é formado apenas por esculturas de cadáveres, cercados por centenas de pares de sapatos perdidos.

O carnavalesco justificou, dizendo que “estava alertando sobre os perigos do Nazismo”. De fato, muitas pessoas hoje em dia deixam de sair de casa com medo, já que podem ser surpreendidas por um exército de nazistas arianos.

Parafraseando o nossso amigo Kid, quer dizer que se eu quisesse “alertar” sobre a violência, eu posso fazer um boneco de papel machê daquele moleque [João Hélio] que morreu arrastado pelo carro roubado e dançar ao redor dele cantando? E fazer isso fantasiado como o sujeito que matou o moleque?

Mas comparando o Carnaval de Bundas com os outros temas do Carnaval, há pouco a ser dito. Dos Carnavais, este é o mais bonito, mais tradicional - e talvez o mais saudável.

Serão 5 posts, um para cada dia do Carnaval. Começando por este, óbvio. Mas quem presta atenção no blog sabe que eu tenho um sério problema com sequências e continuações de posts. Acho que dessa vez não vai ser diferente.

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Dec-4-2007

Previsão do tempo

Eu não sei qual o impulso que as pessoas têm ao visitar um site ou ler a previsão do tempo em algum jornal, que imediatamente começam a narrar o que estão lendo.

Terça: site indica sol com pancadas de chuva à tarde.

- NOSSA VAI CHOVER QUE DELICIA, TÁ PRECISANDO NÉ 

Quarta: site indica 36°C com pancadas de chuva à tarde.

- NOSSA VAI FAZER 36 QUARTA FEIRA! MEU DEUS QUE QUENTE

Quinta: site indica dia nublado com previsão de chuva… à tarde.

- NOSSA TAVA PRECISANDO NÉ CHUVA PRA REFRESCAR NOSSA  CHUVA

Sexta: tempo chuvoso, previsão de… chuva… à tarde.

- NOSSA JUSTO SEXTA NOSSA SEXTA VAI CHOVER GENTE O DIA TODO OLHA SÓ

Tem coisas que eu odeio e tem coisas que eu odeio MUITO: alguém querendo ser gostoso repetindo coisa que eu já sei.

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Nov-27-2007

PERDI OUTRO POST

Querem saber como é a sensação de perder DOIS POSTS SEGUIDOS?

Não dá pra explicar. É nada menos que REVOLTANTE.

“Mas mimimi você devia usar o bloco de notas, você devia salvar os rascunhos, você devia fazer um BACKUP”. Só farei backup quando tiver certeza que Homero guardava o backup da Ilíada em disquetes.

Joguei a toalha, desisto.

Mas jogo arrumadinha, odeio bagunça rs

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Oct-12-2007

Vou te quebrar essa sua cara aí

Feche todas as abas do seu Firefox, cancele aquela torrent da discografia do Black Sabbath e peça para seus contatos do MSN esperarem uns minutinhos, porque agora você vai ler algo que perturba as mentes mais imperturbáveis do mundo.

Qual o problema de se corrigir alguém?

Aconteceu comigo uns dias atrás, mas não tive tempo de pensar no assunto. Um colega de trabalho comete erros absurdos de português enquanto fala ou escreve sua coluna. Na melhor das intenções, às vezes é necessário mudar algumas palavras ou para dar um entendimento melhor ao texto - o leitor não tem obrigação de conhecer todos os termos aplicados pelo escritor, logo ele não pode sair escrevendo tudo o que der na telha. Então, pra fazer o trabalho mais rápido, não posso ficar avisando que estou mudando tal expressão, corrigindo tal palavra, colocando aqui e ali uma letra maiúscula, um acento. É desnecessário avisar porque ele está ali, do meu lado, supervisionando meu trabalho contra a minha vontade.

Onde eu quero chegar com isso? É que, depois de ser corrigido várias vezes, ele se sentiu ofendido. “O jeito que você me corrige me ofende, me faz sentir ignorante”.

É aí que eu digo que ser ignorante é opcional. Se um cara simplesmente não gosta de ler, não estuda porque é um saco, prefere bater aquela bolinha ou assistir televisão a tarde toda, é opção do mesmo. Se você chegar e dizer “olha, estudar é bom porque vai fazer de você uma pessoa melhor”, você está sendo arrogante e intrometida, porque a vida é dele e ele faz o que quiser. Me corrija se estiver errado.

Hoje mesmo fui fotografar um evento do Dia da Criança na praça central da cidade. Muitas crianças estavam lá, brincando e se divertindo - o que é seu direito, óbvio - e notava-se sem dispor de qualquer sentimento elitista, que a grande maioria era de origem pobre, provavelmente moradores da periferia. Tudo bem, não tem nada de errado em morar na periferia, muitos simplesmente não têm onde morar. O que me tocou foi o jeito que as meninas, principalmente, se portavam.

Na verdade, um grupinho de umas 5 meninas me chamou a atenção. Elas estavam na fila para a cama elástica, um dos brinquedos disponíveis, e formaram uma quadrilha mirim que revezava no brinquedo. Duas saíam, duas entravam, nunca dando espaço para as outras crianças. Uma delas foi reclamar e foi tratada dessa maneira:

- Para de furar fila aí sua biscate, senão te quebro essa sua cara aí.

Cara, são crianças de, sei lá, uns nove anos! Se minha filha se portasse assim nessa idade, iria pra um colégio de freiras pro resto de sua existência.

- Mas tá, e daí. Tava vendo ali em cima e me perguntando o que isso tem a ver com o propósito desse texto.

Essas crianças têm que se basear em alguém, têm que aprender com alguém. Provavelmente, as mães dessas meninas se portam da mesma forma - senão pior, daquelas que ficam na rua falando mal do namorado da outra que não cumprimenta quando passa, até que a outra pensa que ela tá dando em cima da namorada e cria um daqueles barracos gostosos de ver, onde cada uma fica de um lado da rua gritando expressões como “biscate, galinha, vagabunda, vou te quebrar essa sua cara aí”.

Outra tese é que elas aprenderam com o Programa do Ratinho, mas naquelas.

Se por acaso você chegasse pra mãe daquela menina e falasse “olha, sua filha está se comportando mal, que tal educá-la com mais atenção”, você também receberia um “ah vá sua vagabunda, vai cuidar da sua vida, senão vou te quebrar essa sua cara aí”.

Corrigir alguém não é querer dar uma de gostoso, é querer o bem. Se não houvessem erros, você não aprenderia a andar de bicicleta nunca, mas jamais o faria senão da maneira correta.

E eu sou a gracinha da Paulinha :rs:

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