Archive for the ‘Mundo Animal’ Category

Jun-25-2008

Exterminadores de telemarketing

Se estivéssemos andando pela mesma calçada e acidentalmente trombássemos violentamente, derrubando se café quente sobre minha camisa nova de dezenove reais da promoção, e você sem motivo aparente algum perguntasse o que mais me fez carregar ódio por todos os minutos de minha existência, eu responderia sem pensar: telemarketing.

Alguma coisa deve estar errada. Se existe alguma lista de telefones propícios ao telemarketing, meu nome não só está em primeiro lugar como está grifado com uma caneta marca-texto de criptonita, com seu charme discreto verde e brilhante, com uma placa de neon ao lado indicando que este é o melhor telefone do universo e que é retorno garantido.

Ledo engano. O termo certo seria DIVERSÃO garantida. Minha, claro.

Não é exagero: todos os dias, recebemos umas duas ou três ligações em casa de bancos oferecendo cartões de créditos, créditos pré aprovados, salada de crédito com molho de débito, acompanha poupança ao molho juros e um bom vinho Cheque Especial, único vinho do universo com validade de dez dias. Fora os bancos, lojas ligam para oferecer cafés da manhã pra minha vó, companhia telefônica liga pra dizer que não pagamos a conta e que vão cortar a linha em catorze segundos. Treze. Doze. Onze.

Na segunda-feira pela manhã, fui praticamente acordado por uma destas enviadas do inferno.

- Olá senhor bom dia, tudo bem com o senhor?
- Tudo.
- Ahhhh que bom, né?
- … ?!
- Com quem eu falo?
- Raphael.
- Oi Raphael, meu nome é Jucleide [inventado, não lembro], sou do grupo Estado, estou ligando pra confirmar o endereço do senhor para começar o envio das edições diárias do jornal qual o seu endereço?

Pausa. Primeiro que você pode perceber quais atendentes são e quais não são experientes. Provavelmente Jucleide havia dito as mesmas palavras para no mínimo quinze pessoas antes de mim, sempre com reações diversas. A minha falta do que falar perante a hospitalidade de Jucleide foi simplesmente ignorada por um “ah, que bom, né?” e emendado o resto do texto decorado sem se enrolar.

Outro fator determinante é o modo robótico de falar. Lembra da sua professora ensinando que onde tinha vírgula você tinha que parar, quebrar o ritmo da frase, dar uma pequena respirada e continuar? Perceba que eu mesmo não lembro, afinal uso estas belezinhas tão bem quanto uma ogiva nuclear seria bem utilizada na mão de um chimpanzé.

No final do texto havia uma pergunta. Antes da pergunta, um ponto. Este ponto foi simplesmente ENGOLIDO por Jucleide, como se ela estivesse ESPERANDO pelo derradeiro momento de perguntar meu endereço. Continuando.

- Ahn… hum… de graça?
- Não, não é de graça - adota um tom sério - o senhor receberia o jornal por dois meses, então começaríamos a cobrar a assinatura comum.
- Ah sim, tava achando meio estranho.
- Estaria interessado, senhor QUAL SEU ENDEREÇO
- Não, então, é que acabamos de assinar duas revistas, fica meio complicado assinar mais um jornal, né?
- Mas o senhor assinando o jornal o senhor concorreria a um carro no valor de 60.000 reais!
- Legal hein nossa rs
- Éééé né
- Então, senhor Adriano…

PAAAAAUSA. Porra, a mulher acaba de cometer um dos pecados capitais do telemarketing. Quando o assunto é tentar forçar goela abaixo um produto que o cliente NÃO quer, trocar o nome do futuro cliente é algo tão cruel quanto enfiar uma furadeira nos tímpanos de um gatinho, espalhando sangue, miolhos e restos de gatinho para todos os lados. É assinar o atestado de “perdão chefe, não consegui vender nada hoje”.

Trocar meu nome por “Adriano” indica que, durante toda a conversa, Jucleide estava passeando pela Internet em sites de namoro, procurando o amor da sua vida. Parou na página de Adriano, um moreno de três metros de altura, forte e sorridente. Seus músculos e seu peito cabeludo falavam mais do que o próprio perfil. Jucleide acabara de achar o amor de sua vida e não conseguia pensar em alguma coisa.

- Er… Raphael né
- Ah, desculpa, é que é tanta…
- Haha, tudo bem.
- Então Raphael, estaria interessado em receber os jornais?
- Olha, como eu te disse, tem as duas revistas e… - nessa hora, percebi que ela insistiria até que nossos telefones derretessem. Só havia uma coisa a fazer. - Seguinte…
- Hum - Jucleide responde com um ar de empolgação e interesse.
- … por mim, assinaria. Sério, sempre quis assinar um jornal e tal. Só que quem cuida dessa ‘área’, digamos assim, é minha mãe.

Os Exterminadores de Telemarketing, grupo criado para caçar e tratar mal todas as atendentes, com o objetivo padrão de tornar todo o Universo um lugar mais agradável, tem uma regra geral aplicada a todos os minutos de suas vidas.

SE A SITUAÇÃO FICAR INSUSTENTÁVEL, FINJA SER MENOR DE IDADE E APELE PRA MÃE.

Contra isso não há defesa. Elas não podem convencer uma criança a aceitar um produto. É como pedofilia: às vezes irresistível, porém sempre contra a lei. Ao botar esta regra em prática, você acaba de oferecer um prato de sopa de criptonita para Clark Kent. Ela pode não reparar, mas a conversa terminara ali e já tínhamos um vencedor.

- Humm… e que hora eu posso falar com ela?
- Olha, ela chega por volta do meio-dia.
- Certo, eu retorno a ligação.
- Tudo bem, rs
- Grupo Estado agradece, tenha um bom dia.
- Amém.

A batalha estava vencida, mas a guerra continuava. Hoje, poucos SEGUNDOS antes de eu sair pela porta e ir para o trabalho, o telefone toca.

- Olá senhor bom dia, tudo bem com o senhor?
- Tudo.
- Ahhhh que bom, né?

Eu conhecia aquela voz, aquele jeito de falar era inconfundível. Jucleide provavelmente estava infeliz com sua vida, tomado um fora de Adriano, que a trocara na noite passada por Zuleika, um travesti que afirmava para todos os ventos que tinha ascendência russa, mas não passava de um nerd branco de cabelos rubros e cara sardenta. No mais puro ódio, Jucleide pegou sua lista de telefones e viu o meu número grifado em cores brilhantes, decidiu ligar com sede de vingança.

- Com quem eu falo?
- Raphael.
- Oi Raphael, meu nome é Jucleide, sou do grupo Estado, estou ligando pra confirmar o endereço do senhor para começar o envio das edições diárias do jornal QUAL SEU ENDEREÇO?

Isso me fez pensar. Não sei exatamente no quê, mas uma situação assim é de se pensar em alguma coisa. Jucleide não havia ligado “para minha mãe” na segunda-feira, conforme tinha prometido. Ao invés disso resolveu ligar pra mim, no mesmo horário.

- Olha, eu acho que vocês já entraram em contato conosco tipo ANTEONTEM e eu já disse que não estava interessado.
- Ah sim… - ela ficou chateada, não houve dúvida - … mas você conhece alguém que poderia estar nos indicando?

Leia a última frase como “ok não consegui vender pra você, mas certamente você conhece alguém que não gosta e quer pregar uma peça hehe vai ajuda eu huahua nossa”.

- Acho que se eu fizer isso essa pessoa não vai gostar muito de mim, desculpa, não tenho ninguém pra te indicar.
- Tudo bem então, o Grupo Estado agradece, tenha um bom dia.
- TCHAL

Jucleide nunca saberia, mas ela tinha salvo minha vida. Ok, a vida não, mas minha integridade psicológica e minha pequena moral perante a sociedade talvez. Estava saindo de casa com a jaqueta pelo avesso.

Qual foi, nunca se vestiu com pressa não?

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May-13-2008

Não tenho medo do escuro

Fãs de Legião Urbana, uni-vos. É hora de tirarmos nossas camisetas pretas do armário, rasgar as nossas calças à altura dos joelhos, deixando nossas pernas brancas e peludas à mostra, e calçarmos nossos tênis mais sujos.

Em 2004, quando o filme Cazuza - O Tempo Não Pára foi lançado, o ‘boom’ do rock nacional foi espetacular. Parecia que os fabulosos anos 80 haviam voltado, todo mundo havia vivido os 80’s à mil. Caso você tenha vivido numa caverna nos últimos vinte anos, os anos 80 foram marcados pela revolução e expansão das bandas nacionais, principalmente pela cena do rock de Brasília, influenciada pelo punk inglês - na época tocado nos lugares mais undergrounds de Nova York.

A fama de Cazuza na época aumentou vertiginosamente graças à uma única pessoa: Lucinha Araújo, assessora de marketing, que nas horas vagas costumava atuar como sua mãe. Através de entrevistas e todo tipo de mídia disponível, Lucinha idolatrava o finado filho como um Deus. Tanta exposição fez com que Cazuza, de grande letrista e intérprete, passasse a ser venerado pela galerinha adolescente como MAIOR DEUS DO ROCK NACIONAL DE TODOS OS TEMPOS.


Cazuza é como meu amigo Théo, um tanga.

Se na época as camisetas estampadas com a face de Cazuza formassem um país, elas possuiriam o terceiro PIB, teriam a maior concentração demográfica e maior taxa de natalidade mundiais. O público da faixa dos 14-16 anos foi atingido por uma avalanche de Cazuza, Cazuza e Cazuza. Seu nome começava a encabeçar listas de ídolos, suas músicas eram as mais pedidas nos botecos, Cazuza virou ícone pop.

O combate era cruel. Os novos fãs queriam provar aos antigos fãs de que eram mais fãs do que eles, porque tinham acesso a muito mais informação, vídeos e uma quantidade muito maior de Mp3. Toda uma coleção de discos de vinil empoeirados perdem o valor quando se tem a discografia inteira num disco de DVD. Todos os fãs mais antigos, daqueles que viveram a época, que conheço simplesmente abominam o filme e a imagem construída de Cazuza após o mesmo. Ele foi anárquico, rebelde e talentoso, mas em momento algum foi um mártir, um salvador da música. O fato de ter morrido no auge, assim como Kurt Cobain, o transformou num mito.

A imagem de outro ídolo contemporâneo, Renato Russo, ficou mais discreta. Os dois eram bissexuais, usaram praticamente todo tipo de droga e eram soropositivos. Porém a contribuição de Renato Russo à música nacional foi muito maior: ele praticamente trouxe o Rock para Brasília. Junto de Flávio e Fê Lemos, além de André Pretorius, fundaram o Aborto Elétrico, talvez a maior influência do rock nacional de todos os tempos. Cazuza foi um grande poeta, se você souber algo que ele fez além disso, me informe.

O fato é que tão fazendo um filme sobre Renato Russo.

Desde o começo da humanidade, é de consenso geral que os fãs de Legião Urbana, talvez depois dos flamenguistas e dos viciados em quadrinhos, são as pessoas mais chatas da face da Terra. Se fôssemos dividir os fãs de Legião em três grupos, seriam divididos em mais ou menos isso:

Simpatizantes

Gostam da música, têm algumas mp3 no computador. Sabe a letra das músicas mais famosas, mas nada além disso. Não possui camisetas ou qualquer tipo de souvenir referente à Legião Urbana.

Fanáticos

Gostam da música, têm a discografia em mp3 no computador. Sabem a letra da grande maioria das músicas, sabem uma ou outra parte de toda a história da banda e de seus integrantes. Entrevistas e matérias que citam levemente a banda despertam sua atenção, discutem sobre Legião com seus amigos, sempre a colocando no pedestal mais alto do Universo musical.

DOENTES

São APAIXONADOS pela música, têm a discografia em mp3 e em CDS, além de alguns discos de vinil embrulhados em sacos plásticos, conservados desde a década de 80. Além dos discos do Legião, possuem todos os trabalhos solo dos integrantes e material do Aborto Elétrico. Conhecem a letra de todas as músicas já tocadas pela banda em quinze anos de carreira, desde as mais conhecidas até as mais obscuras, cantadas em shows ou as canções preferidas de Renato Russo ao chuveiro.

Também decoram as falas de Renato no espaço entre as músicas, coisa bem comum nos discos ao vivo. Além da letra, estudam religiosamente o significado de cada palavra, cada entrelinha das músicas.

Têm como mestre tutor e messias o próprio Renato Russo, sempre usando citações suas como se fossem ditados chineses milenares. Qualquer comentário ou ofensa dirigida ao Messias Legionário é abolida da face da terra ao custo de horas e horas de explicações sobre ‘quem foi Renato Russo’, ‘Renato Russo uma vez disse…’ ou ’se você está sentado nesta cadeira de bar e tomando esta cerveja, pode acreditar que Renato Russo tem uma parcela de culpa disso’. E claro, sempre se referem ao Messias simplesmente como “Renato”, usando só o primeiro nome como se fosse só mais um parente próximo ou que freqüentasse sua casa todos os dias.

Sabem não só a história da banda como a biografia de todos os seus músicos, incluindo detalhes como nomes de parentes, freelancers que tocaram por meio show e por onde eles andam atualmente. Têm um caderno onde escrevem todas as letras de todos os discos, como se os encartes e as letras na Internet não fosse o bastante. Usam a mesma camisa preta do Legião, daquelas com letra de música nas costas, desde 1998 em todas as festas, bares, encontros e shows que vai desde então. Camisa, inclusive, que está CINZA e com as estampas caindo aos pedaços, impossibilitando o reconhecimento tanto das pessoas como da letra. Possuem todos os livros, revistas, matérias e citações de meia linha sobre o Legião Urbana já publicados em quatrocentas e dezoito línguas diferentes.

E principalmente: abominam especiais da Globo sobre o Grão Mestre Tutor Divino Messias Legionário Poeta Renato Russo. Segundo eles, ‘isso só contribui para a popularização do mito, atraindo falsos fãs”. Isso quando não dizem apenas “globo fdp faz td errado aff tem nd a ve…. aff carai renato foi mto mais q isso”.

***

É claro que existem muito mais pessoas que NÃO GOSTAM de Legião Urbana do que fãs. Pagodeiros, micareteiros, a turma do funk, do rap, do sertanejo, até os primos metaleiros não gostam de Legião. Perceba que quando o assunto é Legião Urbana, não existe meio termo. É como comer merda: ou você come e gosta, ou você abomina e… BLOARGHADS GAHD.

Fãs chatos se multiplicando exponencialmente, estou pagando pra ver. Tava sentindo falta de flames por aqui.

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May-4-2008

A Engenharia de Deus

Olhe ao seu redor e tente ver o quanto Deus foi generoso ao criar a vida, o Universo e tudo mais. Não, sério, olha bem. Criou os armários pra segurar os livros, criou os tapetes pra evitar que nossas cadeiras deslizassem desenfreadamente em direção à parede mais próxima, criou os sapatos para poupar nossos pés das mais terríveis moléstias que existem por aí.

Quando Deus criou o homem, ele rasgou seu diploma de Engenharia, tentou apagar com gasolina - o que não deu lá muito certo, fazendo-o estancar as chamas com um pedaço de pau, pra depois apagar a porra toda com um balde de merda. Depois vendeu no eBay.

Agora pare de olhar para a caixa onde seu pai guarda as Playboys de 1983 em diante e volte os olhares a você mesmo. Olhe suas mãos peludas e lembre-se de quando éramos macacos. Se essas lembranças não fazem mais parte do seu cérebro, lembre-se do nosso amigo Marquinhos, na terceira série.


Marquinhos sempre alegre e sorridente. Saudoso Marquinhos.

Deus é um engenheiro de segunda porque ele nos fez com itens de série que simplesmente não têm utilidade nenhuma. Ao invés de nos equipar com MP3 players e telas de LCD, Ele colocou unhas, pêlos nas axilas e apêndice.

Estes três itens nos proporcionam tantas utilidades como uma tromba num automóvel.

Unhas

Ok, éramos macacos, tínhamos garras fortes que nos permitiam descascar sementes e outros frutos de cascas duras e tudo mais. Todo animal tem garras. Mas só porque éramos macacos não significa que temos que carregar as características dos mesmos. Não pulamos mais entre os galhos, não sobrevivemos de bananas e não andamos com nossos derrières à mostra. Bom, pelo menos não na maioria do tempo.

Nossas unhas não servem para absolutamente nada. Não nos permitem escalar árvores nem muito menos têm função de proteção. No máximo proporcionam um detalhe estético nas mulheres, mas nos homens passa despercebido. A não ser que você, amigo leitor, seja TANGA e ‘usa base pra deixar suas unhas brilhantes e protegidas’.

O mais engraçado é que, pelo menos até onde o meu pequeno conhecimento de Discovery Channel me permite chegar, nós somos os únicos animais que comem as próprias unhas.

Pêlos nas axilas

Eles começam a se desenvolver na puberdade, junto com todos os outros pêlos do corpo. Eu, no auge dos meus 13 anos, já não conseguia mais admirar minha axila nua. Alguns demoram um pouco mais, e estes são os mais sacaneados pelos amigos na hora de tirar a camisa.

Somos mamíferos, portanto, por definição, somos bichinhos peludos e fofos. Todos os pêlos do corpo humano têm alguma função. Os pêlos das pernas e braços, na teoria, serviriam para nos aquecer como fazem com os outros mamíferos, mas falham miseravelmente ao exercer tal função. Mas eles não podem ser caracterizados como inúteis, já que nos definem como mamíferos. Se tirarem estes pêlos de nós, seríamos peixes.

As sobrancelhas evitam que muitas coisas ruins caiam sobre os olhos, como poeira, caspa e restos de comida se você come através de uma boca na testa. Os cílios também protege os olhos, muito sensíveis, de ciscos, poeira e tudo mais. O bigode serve para acumular restos de comida, para oferecer uma segunda refeição a qualquer hora do dia. A barba, no caso dos homens e de algumas mulheres, serve para nos deixar mais másculos e viris. Os pêlos pubianos têm sim função de proteção, mais uma vez evitando que pedaços de coisas ruins caiam em nossos genitais, protegendo nossas crias. Duvida? Imagine um pedaço de pão entalado na sua uretra.

Agora pêlos nas axilas servem para quê? Protegem do vento? Esquentam? Não! Eles estão lá só para acumular mais suor e nos proporcionar fabulosas pizzas, aqueles círculos de suor que crescem nas axilas espontaneamente. Fora há a contribuição para a flora microbiana da região. Aqueles chumaços de pêlos formam um playground perfeito para bactérias, fungos e rinocerontes. Uma vez aquecidos e confortáveis, eles se reproduzem insanamente nonstop, até que um cogumelo nasça debaixo do seu braço.

Apêndice

O Apêndice é a forma mais cruel da negligência de Deus quando nos projetou. Trata-se de um pequeno órgão sem função alguma ligado ao ceco, o começo do intestino grosso. A grande questão é: o que Deus tinha na cabeça ao manter um órgão tão imbecil dentro da gente, enquanto ele poderia simplesmente eliminar isso conforme nos evoluía como Pokemons?

Esta belezinha tem função benéfica praticamente nula: produz glóbulos brancos, mas em pequena quantidade. No outro lado da corda, os riscos de se manter esta rebimboca no nosso corpo são enormes. A qualquer momento de sua vida, inclusive enquanto você lê este texto, seu apêndice pode inflamar e te proporcionar dores abdominais absurdas.

Como ‘dor pra caralho’ nunca é suficiente, problemas maiores costumam acompanhar o apêndice nesta empreitada. Se não for retirado a tempo, ele corre o risco de simplesmente EXPLODIR, liberando fezes e pus dentro de você. Isso tudo ainda provoca uma grave infecção, que geralmente resulta em morte.

Através de analogia, vamos tentar entender o apêndice. Imagine que você herda uma usina termelétrica que está na sua família há muitos anos. Esta usina fornece tão pouca energia que você simplesmente a mantém lá porque vendê-la ou destruí-la daria trabalho demais para algo tão inútil. Só que a usina é anexa à sua casa, e ambas estão situadas sobre um pântano rico em gás natural. Se uma faisca escapar, todo o lugar vai pelos ares.

*a apendicite é mais comum na adolescência, o que faz você leitor deste blog ser MUITO MAIS SUSCETÍVEL a morrer enquanto lê estas linhas.

Custo-benefício

Se Deus fosse um bom administrador, o custo-benefício do ser humano seria muito maior. Enquanto ele gasta tanto com tais itens de série sem função alguma, poderia gastar a mesma quantidade nos equipando itens mais interessantes.

Um recall total seria o ideal. Voltaríamos à fábrica para troca de peças. Saem as unhas, pêlos nas axilas e apêndices, entra visão de raio-x, habilidade para voar ou super-força.

Tudo bem que o resto que ele criou é sensacional, cheio das complicações e descomplicações que só um cara tão legal quanto o próprio Deus é capaz de criar. Mas dar uma caprichadinha às vezes é bem legal, tipo quando, na aula de Educação Artística, você sempre entregava os desenhos em preto-e-branco por preguiça de pintar. “É meu estilo” era sua desculpa. Mas seu coleguinha sempre fazia desenhos piores, mas bem pintados. A professora gostava mais dele.

Se eu tivesse visão de calor, queimava ele todinho.

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Feb-29-2008

Porque gente não é peixe?

Às vezes eu fico me perguntando se a humanidade não seria divertida se nos comportássemos como cardumes de atum.

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Feb-27-2008

Sua vida por 5% de uma televisão, sem juros no cartão.

Desde a alvorada do homem, precisamos adquirir novos produtos para melhorar de vida. Nunca é demais ter demais. Os Irmãos Rocha, por exemplo, sempre aparecem com uma promoção daqui, ó. Impossível dar uma passada lá e sair sem sacolas imensas de couro de mamute.

 


Pontas de Flecha Irmãos Rocha. Sua melhor opção em Pedra Lascada.

O Homo sapiens foi evoluindo durante milhares de anos. Aprendemos a ler, escrever, construímos e destruímos civilizações. Descobrimos planetas, descobrimos galáxias, descobrimos a data de aniversário do Universo. Estávamos tão interessados em descobrir mais sobre tudo que esquecemos de descobrir mais sobre nós mesmos. Pouco se sabe, mas o Homo sapiens evoluiu ao longo dos anos juntamente com seu irmão, o Homo vendedorus.

O Homo vendedorus é uma espécie comum que convive pacificamente com o Homo sapiens. Seu comportamento peculiar de sempre querer empurrar um produto a mais para o consumidor não tem explicação científica. Talvez isso lhes proporcione algum prazer, o que neste caso não é muito diferente do que puro sadismo.

Um exemplo extremo disso pode ser observado quando você tenta comprar um carro. O Homo vendedorus trata suas vendas como partos, e seus produtos como filhos.

- Olha aquele Palio ali, 96, gasolina, sem vidro, sem ar, sem nada. Lindo, né?
- É né, tirando que ele tá com o banco rasgado, o botão do vidro não funciona e o câmbio sai na minha mão.
- Ah, detalhezinho, eu conserto pra você.
- Hum, quanto?
- Tô pedindo 17, pra você eu faço 16.500 vai.
- Hum… tem outro?
- Dá uma olhada nesse Golzinho quadrado, que belezinha. 86, olha as rodas que beleza.
- Sei não, hein.
- Olha, Golzinho tá todo mundo querendo hein? Cê acha que encontra melhor aqui na cidade? Encontra nada!

Sua integridade física está à salvo na companhia de um Homo vendedorus. No entanto, existe uma outra subespécie mais perigosa, a Homo vendedorus comicionattus. E com essa, meu amigo, é melhor pensar antes de pisar e, se possível, jogar um grande pedaço de bife antes, pra amansar a fera.

O Homo vendedorus comicionattus, mais conhecido como Vendedor Comissionado não tem outra opção. Não há meio termo no mundo das comissões: vende ou vende.

Essa raça se proliferou demais com o crescimento da máquina capitalista. Grandes lojas foram crescendo, mais mão-de-obra foi requisitada. Infelizmente os inventores dessas lojas não chegaram a conhecer a China, pois lá se contrata um caminhão de gente por meio salário mínimo e alguns grãos de comida.

O grande perigo dos Vendedores Comissionados é a voracidade. Eles vagam pelas lojas à procura de alimento, que hora ou outra acaba sendo você. Visando largas mordidas no seu orçamento familiar, lançam seu canto de sedução universal:

- Já foi atendido?

Este canto emite um som de baixa frequência que não é captado pelos ouvidos dos Homo sapiens sapiens. Ele ecoa por toda a extensão da loja, não encontrando barreiras desta dimensão capazes de pará-los. Todos os comicionattus sabem quando perdem um cliente, principalmente quando ele ainda pode ser reconquistado.

Note que enquanto você espera o vendedor trazer seu produto, vários outros comicionattus se aproximam lentamente de você. Ficam transitando, teoricamente de bobeira, como se não quisessem nada. A visão humana, contando e descontando a todo o campo da visão periférica, permite que você observe aproximadamente 160° à sua volta, o que lhe permite observar apenas um terço do perigo que você corre. De comportamenteo curioso, atacam em bando, porém não compartilham da caça. Os mais fracos atraem a atenção da vítima pela frente, enquanto o resto da matilha se aproxima pelas costas. Uma vez que o predador deixa a presa vulnerável, os sorrateiros comicionattus se aproximam vagarosamente, até que um grito de horror ecoa por todo o ambiente:

- Já foi atendido?

Seu habitat preferido são as grandes lojas de roupas, eletrodomésticos e toda a alegria da dona de casa. O Valhalla dos vendedores certamente são as Casas Bahia, líder nacional de carnês e filas de pagamento imensas. A densidade demográfica dessas grandes lojas é de um vendedor por metro quadrado, e eles se reproduzem a uma velocidade assustadora. Geralmente você nunca é atendido duas vezes pelo mesmo vendedor. Aliás, as chances da pessoa que te atender ser parte da imensa prole do Marquinhos, que te vendeu aquela televisão 29″ alguns dias atrás, são grandes. São grandes também as possibilidades da prole ter devorado Marquinhos nos primeiros dias de vida.

Pobre Marquinhos, vendia faqueiros como ninguém.

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Feb-17-2008

Arachnoraphsobia

Se você é daqueles que acredita que não há céu nem inferno, e que quando morrer sua alma vai se vestir com um terno branco e vagar por lindos campos verdes junto com outras alminhas, enquanto cantarolam e fazem rodas de mãos dadas, você é um tanga.

Depois de muitas pesquisas, descobri que demônios existem, e eles não habitam tão somente o inferno. Seu lugar favorito é atrás de móveis e estantes, nos cantos das paredes e em todo lugar que fique imóvel por mais que dois dias - tempo suficiente para estabelecerem o perímetro do seu reino, criar os súditos e capturar comida. Também descobri a melhor forma de exorcisar estes demônios modernos. Agarre-se à vassoura mais próxima e saiba onde vai pisar, porque vamos entrar no ninho das criaturas mais grotescas da face da Terra: Aranhas.


Sou só eu que tenho medo pra caralho dessas malditas aranhas de teto?

Neste momento sou a melhor pessoa para falar sobre tais criaturas, afinal já fui vítima de um destes servos de Belzebu duas vezes.

O ano era 2005. Eu andava dibowa até a casa de minha então namorada, quando passei por uma ponte de aproximadamente dois metros, que cruzava um rio. As margens do rio eram cobertas por pequenas e simpáticas flores amarelas. Acredite, isso é relevante.

Enquanto cruzava a ponte, senti que havia sido “atingido” por um pedaço de teia passando diretamente pela minha jugular. Como qualquer pessoa deste lado da galáxia faria, eu simplesmente arrastei o dedo pelo pescoço - talvez por reflexo ou na tentativa de retirar a teia, não com a intenção de colocá-la no lugar. Segui o longo trajeto de seis passos até o fim da ponte e cheguei à calçada novamente.

Então senti uma pequena dor na mão, seguida de um formigamento. Curiosamente, a picada havia sido exatamente no mesmo lugar que Peter Parker levou sua picada: entre o dedo indicador e o polegar. Imediatamente olhei e lá estava ela. Tenho certeza de que ela havia digo alguma coisa. Se eu fosse capaz de entender o que aquela singela criatura disse, algo me diz que seria:

- HAHDSAÇLKHSDÇKLAF SE FODEU PAU NO CU TE MORDI VO TE MATA FDP

Era uma batalha de Davi contra Golias, só que aqui Davi era uma aranha, tinha quatrocentos e cinquenta olhos, oito pernas e era amarelo, enquanto Golias tinha seiscentas vezes o tamanho de Davi e calçava tênis, 80kg, olhos verdes, cabelos dourados, não fumava e era sensualidade total. Davi não chegou a posar para foto, mas eu encontrei no orkut alguém muito parecido com ele:


O saudoso senhor João Pantone iria se orgulhar desta escala de cores

Davi me fitava com seus novecentos olhos, imóvel. Como um mestre de kung-fu, ou qualquer outra arte marcial milenar ensinada por alguém com olhos puxados, a aranha assumiu uma posição de combate, levantando as duas pernas dianteiras. Tenho certeza que se ela tivesse em mãos um escudo e uma espada, eu seria decapitado.

Como bom homem e ativista dos direitos dos animais, eu fiz a única coisa que achei certo: me balancei todo como uma gazela embebida em gasolina em chamas. Respeitando as leis da física e do respeito pelos mais velhos, a aranha não era forte o suficiente para se segurar e caiu na calçada, na mesma posição. Sua cor era realmente muito bonita, um amarelo forte e vivo que, confesso, me fazia ter mais vontade de pisar em cima. Talvez a sola do meu sapato deixasse marcas.

Ainda em posição de ataque, agora balançando-se para os lados, o inimigo ainda me fitava. Ele era hostil e agressivo, atiçava meu ataque. Dava a impressão de que estava sempre pronto para um contra ataque.

Golias pisou em Davi. De ódio, arrastou seu pé sobre a calçada, não deixando sequer marcas da existência do rei.

A marca que Davi fez em mim lá ficou por dois dias. O formigamento foi breve, mas uma pequena dor continuava. O conhecimento que tinha de aranhas me deixava mais tranqüilo, afinal no Brasil existem apenas três espécies venenosas e todas bem características.

Posso lhes dizer que ser picado por uma aranha é uma experiência fascinante. Claro que rola uma expectativa, nunca se sabe de onde a mensageira de Satã veio ou o que ela tem comido no almoço. Se eu desse sorte e ela tivesse feito um belo café da manhã com urânio enriquecido, a história seria outra.

Na tarde deste domingo, fui atacado novamente. Desta vez, saí ileso graças à grande destreza adquirida com anos de uso do computador.

Enquanto descansava na rede, no quintal de casa, senti o KI de um inimigo se aproximando. Não era o de Vegeta, nem o de Majin Boo. Ela estava na altura do meu cotovelo, preparando um bote delicioso e suculento.

O inimigo desta vez era menor, poucos milímetros talvez. Era mais uma daquelas aranhas de jardim, que andam pulando e são peludinhas. Quem disse que nerds nunca viram aranhas peludas? Ao contrário de sua prima distante amarela, esta era dócil e calma. Estava somente brincando nas curvas avantajadas do meu braço pouco mais grosso que um cabo de vassoura.

Fiquei brincando com a criatura. Ela dava saltitos muito homossexuais, ao invés de se locomover normalmente. Enquanto eu me divertia às custas do pequeno artrópode, notei pela minha visão periférica que ele havia trazido a família inteira para brincar sobre meu corpo: as irmãs Clotilde e Marilda, o tio Alfredo e a dona Célia, amiga da família.

A primeira reação foi de prazer sexual. Nunca havia experimentado a sensação de ter 5 aranhas peludas em cima de mim e talvez morresse sem saber como era. Então me toquei do perigo: elas queriam me devorar vivo e levar grandes pedaços de carne para sacrifícios realizados à luz da lua cheia

Numa reação ninja, afastei-me da rede a uma velocidade de centenas de metros por segundo. Desconfio que naquela hora eu quebrei a barreira do som. Ao procurar novamente, a família aranha não se encontrava mais sobre o meu corpo e eu então pude dar um longo suspiro. Estava salvo e louco por um picolé.

Corri para a geladeira e encontrei um solitário picolé de côco. E eu não gosto de côco.

Categorias: Diarinho Gay Homossexual, Mundo Animal
Jan-11-2008

Pombos e zumbis.

Se suas janelas são protegidas por vidros, cortinas ou algo menos resistente que uma parede de concreto e aço de 4 metros de comprimento, eu recomendo você imprimir este post e se dirigir ao bunker mais próximo, por que vamos falar sobre pombos. E esses caras não estão de brincadeira.


Olha pra esse cara e vê se ele tá de brincadeira.

Pombos são como coreanos. Minha teoria para a origem das Coréias consiste em afirmar que os povos de olhos puxados que não são aficcionados por tentáculos o suficiente para serem japoneses, nem comem cachorros em quantidade suficiente para serem chineses, são fracassados. Portanto são coreanos. Coreanos são nada menos que japoneses e chineses que falharam.

Já nossos amigos pássaros cagões da cidade não são grandes o suficiente pra serem uma galinha, nem pequenos o suficiente pra ser uma codorna. Você não come carne de pombo. Eu não comeria carne de pombo. Eu também nunca ouvi falar sobre ovos de pombo. Eu não comeria ovos de pombo. Você comeria ovos de pombo?

Então pra quê servem os pombos, além de passar o carro violentamente sobre suas cabeças depois arrastar aquela sua amiga de estômago fraco pra mostrar a nova obra cubista que você acabou de fazer e mostrar pra ela o seu Picasso? Pra nada, eu vos digo. Pombos não servem para absolutamente nada.

Mas há muito mais sobre estas simpáticas criaturas do inferno que você nunca imaginou. Não que isso vá mudar a sua vida, mas você ganha muito mais lendo isso do que assistindo o Video Show. Essa leva o carimbo OJ de garantia.

Esses perus mal desenvolvidos são até sapequinhas quando estão no ar. São capazes de atingir 70 quilômetros por hora, e têm uma considerável agilidade. Para fugir de predadores (acredite, existem predadores de pombos) eles fazem manobras tão eficientes que foram estudadas e copiadas pela Força Aérea Americana. Assista mais Discovery Channel que você saberia disso também.

Outra característica dos pombos é que eles são como zumbis. Carregam doenças pra caralho e não ligam de fazer suas necessidades na sua frente - na verdade sempre optam por fazer EM CIMA de você. Eles estão em maior número, você não vai querer tirar satisfação com um pombo. Se for mordido por um zumbi, você vira zumbi. Se for mordido por um pombo, você VIRA UM POMBO.

Eles ainda podem te atacar com Gust, Sand Attack, Growl e Quick Attack. Evoluem para Pidgeotto no lvl 18. No 36 eles viram pássaros do seu tamanho.

E qual conclusão podemos tirar disso?

Respeite os pombos. Eles estão em maior número, podem te machucar e te comer com milho, pipoca e farelo de pão. Matá-los não é a solução, eles se reproduzem por mitose. Se você mata um, você deixa de matar outro e este outro vira mais dois pombos. Se você mata mais um, são mais 3 pombos. E assim vai, até eu realmente lembrar como se faz progressão geométrica. Minha professora iria me matar. Sorte que ela não lê o blog.

Eu acho.

Categorias: Mundo Animal
Jan-4-2008

Sobre subúrbio, contos eróticos e Mariana.

Mudei para o subúrbio e não fui avisado.

Estou com vizinhos novos. Eles são insuportáveis. Embora temporários, irritam só pela ameaça diária de “eu vou ligar meu carro na frente de sua casa com as mesmas músicas ruins de sempre”.

Sempre tivemos problemas com o povo daquela casa. Os chamamos de “mineiros”, porque de fato vieram do Estado de Minas Gerais. Nada contra os mineiros, adoro pão de queijo - embora os próprios mineiros não gostem de serem lembrados por causa desta divina guloseima salgada de preço acessível.

Pausa para explicações:

Pra quem visita o blog há algum tempo, eu já falei sobre comportamentos suburbanos várias vezes e já tentei explicar que não é uma atitude 100% elitista, é uma crítica social. Não é que eu queira que todos sejam igual a mim, mas a política do “seja legal e não incomode os outros” é algo que TODO MUNDO gosta.

Outras experiências me mostraram que o pessoal de lá sofre uma discriminação violenta com estereótipos. Eu sei porque por um dia fui o garoto branco de classe média e cara de playboy que quebrou a chave da propriedade alheia e quase teve que dormir guardando a porta no bairro mais violento da cidade. Fiz até amizades lá, um senhor que me deu carona em um carro aos pedaços e uma garotinha que ajudei a consertar a bicicleta.

Bom, mas vamos falar de Mariana, que creio ser a parte mais interessante dessa história.

Mariana é, basicamente, o motivo desta discussão. Ela se mudou para a casa dos tais “mineiros”, segundo meus informantes, porque sua casa está em reformas. Desde que Mariana chegou, a porta da tal casa é nada menos que um grande baile com pagode e gente bonita sorrindo o dia todo.

Mas… qual o problema disso?

ATENÇÃO: CONTEÚDO ABAIXO NÃO RECOMENDÁVEL PARA MENORES DE 12 ANOS, A NÃO SER QUE JÁ TENHAM FILHOS.
CONTÉM: CONTOS ERÓTICOS

Além de toda a poluição psicológica que essa quizumba provoca, Mariana também causa problemas por ser uma pessoa, digamos… promíscua. Sejamos francos, seus dotes físicos são generosos. Em outras palavras, Mariana é gostosa. Infelizmente faltam-me ilustrações para comprovar tal afirmação, mas posso lhes garantir que ela tenha feições parecidas com Jessica Alba, com um pouco mais de testa.


Eu sei que não precisava ilustrar, mas quem não quer uma Jessica Alba no meio do post?

Mariana parou de estudar aos 12 anos, quando cursava a quinta série. Não faço a menor IDÉIA do que ela fez entre os 13 e os 18 anos, e provavelmente daria um bom livro caso todos os boatos fossem verdade. Voltou a estudar em 2006, ainda na quinta série, aos 18. Foi expulsa de duas escolas, tendo como destino “final” a mesma escola que eu. Era meu último ano, então estávamos em pontas opostas da mesma corda. Não tive muito contato direto com ela, aliás.

Imagine que você é um garoto de 11 anos e uma garota maravilhosa de 18 anos com cara de safada entra na sua sala. Você ainda não tem a maldade de pensar “hummmm… sexo”, mas já começa a ter suas fantasias com aquela deusa de olhos negros e cabelos castanhos, vestido saias curtas e metades de blusinhas que deixam o umbigo pra fora.

Mariana parece que fazia pra castigar. Provocava sem esforço algum qualquer um que quisesse olhar. Nas poucas conversas que tivemos (nunca só), Mariana sempre deixava uma conotação sexual no ar. Forçava gestos, fazia brincadeiras fora de hora, mas não perdia a graça. Era uma garota malvada.

Porém ela passava dos limites. Mariana fazia coisas como sentar no colo da molecadinha da quinta série, levantar a saia e/ou sentar com as pernas abertas. Dizem as más línguas que ela também foi pega no banheiro feminino com outra garota, seminua. Amigos também garantiram que ela tirava fotos nua no mesmo banheiro da escola.

E tudo indica que Mariana é nada menos que uma bela de uma barraqueira também. Na noite de Reveillon, Mariana e seus/suas amigues proporcionaram momentos de diversão antes da festa começar. Aos gritos, uma acusava o namorado de estar provocando ela com a amiga, enquanto a amiga gritava que ela era uma vagabunda e daí pra baixo. Estes vizinhos também são conhecidos pela facilidade de resolver tretas no bad way - ou socos, ou tiros.

Felizmente o espírito de Ano Novo baixou e todos continuaram a confraternizar após alguns minutos de gritaria, baixaria e puxões de cabelo. Gostaria de ter visto mais, mas sabe como é, não gosto de me intrometer na vida dos outros.

Acho isso muito feio.

*O nome de Mariana foi mudado para evitar constrangimentos, mas a “personagem” é 100% real.

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Dec-20-2007

offtopic

Raphael diz:
feliz natal

depósito de desabafos diz:
ainda não é natal

Raphael diz:
é pelo espírito natalino

Raphael diz:
eu deixo você postar no OJ

depósito de desabafos diz:
lol ?

depósito de desabafos diz:
postar oq

Raphael diz:
sei lá, foto de gatinho

depósito de desabafos diz:
lol !

depósito de desabafos diz:
TÁ BOM

depósito de desabafos diz:
PASSA A SENHA

…foto de gatinho ? ok lá vai

não é fofinho ? :3

NÃO EMPOLGA

post by Manuela Esquilo

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Dec-17-2007

A Guerra do Suporte Técnico - Gênesis

Desde o início dos tempos, os céus vêm testando a raça humana para ver como e quando ela irá perecer. As sete pragas, a grande inundação, as eras glaciais, o axé e o aquecimento global não foram o bastante. A humanidade é forte e resiste.

Dizem que os deuses não têm muito o que fazer lá em cima. Eles tudo sabem, tudo vêem e observar a loira do 407 já não tem a mesma graça quando você já viu todas as mulheres do mundo nuas.  Talvez eles comecem a ver homens, mas isso já não posso dizer porque seria demais chamar Deus de TANGA.

Os deuses então se reuníram para pensar: qual será o melhor método de desgraçar a vida dos pecadores e hereges seres humanos, que esqueceram Deus e só dão importância para cerveja, dinheiro, trabalho e a loira do 407?

Dois Santos randômicos discutiam sobre o tema na Santa Sala da Justiça:

- Quem foi que colocou esse nome?
- São Pedro. Ele é fã de quadrinhos.
- Ele é um TANGA.

- Eu acho que deveríamos queimá-los todos de uma só vez.
- Cara, precisamos puní-los, não exterminá-los. Seria muito sem graça acabar com isso de uma vez.
- Então colocaremos todos numa sala escura e suja, colocar uma música ruim e fazê-los ficar pulando e se pisoteando até que uns comecem a chutar os outros e que a briga se alastre.
- Isso se chama SHOW DE ROCK e eles já fazem isso por vontade própria.
- E então queimaremos eles.
- É, agora parece divertido.

Eis que Deus adentra a Santa Sala da Justiça e encerra a discussão.

- Calem-se.
- Ok
- Ok pra mim também.

- Faremos com que voltem à Idade da Pedra: coisas pararão de funcionar. Tudo que a evolução humana demorou 10 mil anos para conseguir deixará de funcionar e criaremos um serviço e mal preparado como única solução destes problemas.
- Divino!
- E se eles começarem a pedir nossa ajuda? Sabes que não podemos recusar o pedido dos fiéis numa hora dessas.

- Essa é a razão de terceirizarmos o serviço. As queixas dos humanos não chegarão aos nossos ouvidos.
- Por Deus, sua sabedoria é infinita!
- Eu sei.
- Mas quem terá a capacidade de lidar com tantos problemas? É impossível disponibilizar mão-de-obra humana preparada assim, de uma hora pra outra!
- Eu tenho meus contatos.

Deus então saca seu MOTOROLA V3 GOD VERSION num movimento brusco - criando um ciclone que mais tarde devastaria metade do sul da China - e entra em contato com seus, er, contatos.

- Já te falei pra não ligar neste número.
- FALA SATÃ LEKS BELEZA
- Cara, eu tenho secretárias pra isso.
- Ah vá. Você é como um irmão pra mim.
- Orrô.
- Tenho uma proposta a te fazer.
- Liga mais tarde, estou fazendo algo importante.
- E quem é mais importante que Deus?
- A loira do 407.

Continua…

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